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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe relaxada

rabiscado pela Gaffe, em 21.06.14

A Gaffe não tem rigorosamente nada para dizer.

Isto é significativo, porque normalmente arranja sempre lenha para se queimar. Desta vez está seca. Deve ter sido por se ter enfiado num SPA. Coisa fina oferecida pela amiga que escolheu o cardápio, que tem sido uma fofa e a tem mimado muito.
Entrou pela manhã e deu para quase todo o dia. Saiu toda toldada e sem forças para mandar cantar um cego. Estas elegâncias não são coisas feitas para a Gaffe.
Depois duma data de preliminares que não interessam a ninguém, enfiaram-na num ambiente todo zen. Mandaram-na despir e embrulhar numa toalha branca que parecia almofadada. Deitaram-na numa espécie de estrado com um colchão que desatou a vibrar e a enjoou imenso.

Estava a Gaffe quase a escapar agarrada à toalha e entra uma delambida com um ar seráfico, vira-a de costas e, sinistra e arrepiante, começa a espetar-lhe pedras nas costas e a massajar-lhe a nuca com um calhau a escaldar.

Doida!

A Gaffe sabe que é tudo muito bonito e que as coisas se fazem assim e que até é muito normal estas tretas aromáticas e perfumadas, com pedras quentes e óleos misturados, mas a verdade é que não acha nada agradável ser amassada até entrar quase em coma oleosa. Gosta de estar atenta a tudo.
O que mais lhe custou foi a entrada dum homem lindo de cair para o lado que lhe vinha massajar o corpo com um gel a cheirar a chocolate (desta vez sem pedras nas mãos) e logo a seguir borrar-lhe a cara com uma massa feita de pepino (pelo menos, parecia, que a Gaffe de pepinos só os provou crus).

Mal o viu, pensou logo que, se o matulão a tocasse todo mansinho, lhe saltava a compostura e o tipo levava com uma tresloucada nos dentes. Um grande embaraço. Mas não! Aquilo foi mesmo melado e relaxante. O homem começa a apalpa-la e ela ali, toda gelatinosa, quase a dormir e a babar. Uma desgraça. Uma vergonha.
Agora a Gaffe compreende o estado em que a amiga sai dos SPA. Pensava que a mulher fumava uns charritos antes de sair e afinal apanha mas é com este manancial de oleosidades todas relaxantes que a deixa com os olhos turvos e aos encontrões às coisas.
Saiu dali ensonada e com uma cara de vegetal que nem regado arrebita. Quase não tinha forças para fechar a boca e segurar a saliva. Arrastou-se até casa e mal chegou à cama, adormeceu.

A sofisticação dos SPA não foi feita para saloias como esta rapariga.
Está como se tivesse apanhado uma tareia. Até as coxas lhe doem e as plantas dos pés também não estão famosas. Aquilo não devia ter este resultado, pensa a Gaffe. Mas também suspeita que o bonitão do pepino a relaxou em demasia e que meteu as rodelas onde não devia sem sequer dar cavaco às tropas.


Quando forem a um SPA levem de casa umas pedrinhas de gelo para acordar da morna moleza e nunca deixem que vos metam o pepino nos olhos.

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