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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe sem óculos

rabiscado pela Gaffe, em 26.10.16

Jon Whitcomb.jpgTodos os banqueiros portugueses possuem uma característica comum imprescindível para que sejam reconhecidos.

Usam óculos na ponta do nariz.

 

Não são óculos normais. Trazem um dispositivo que lhes permite o alongamento das hastes de modo a que nunca deixem a sua posição de equilíbrio à medida que o nariz se vai alterando.

A ponta do nariz dos banqueiros portugueses, falidos ou não, é essencial à sua performance perante as comissões parlamentares e na apresentação de resultados dos bancos que lideram. Pousam as lentes ali, inclinam ligeiramente a cabeça para baixo, pousam os olhos nos apontamentos que trazem, de cantos da boca descaídos, cabelo brilhantina, punhos adornados e gravata regimentar, para depois erguerem as pupilas deixando um imenso espaço branco leitoso ao serviço da intimidação.

De pupilas a espreitar por cima das longínquas lentes, adquirem o aspecto de quem foi possuído por Belzebu, mas que o dominou e o colocou ao seu serviço, pronto a descarregar matéria esverdeada sobre a reverente plateia. A ameaça normalmente é cumprida.  

 

Os óculos na ponta do nariz têm a mesma função que um estetoscópio a fazer de cachecol. Convence. Podemos vaguear em qualquer hospital, tornarmo-nos anjos da Morte, assassinos psicopatas de sangrenta seringa em punho, assobiar Kill Bill nos corredores das enfermarias, sacar os sacos de ostomia para os vender no mercado negro como carteiras Prada, traficar órgãos e drogar a equipa de cirurgia com anestésicos que surripiamos ao paciente, desde que usemos bata branca, estetoscópio enrolado no pescoço e um ar gelado de quem saiu da morgue há pouco tempo. Se usarmos óculos na ponta do nariz, somos banqueiros e se acrescentarmos a morgue à equação, para além de podermos fazer exactamente o mesmo, arranjamos sempre modo de driblar a maçada das contas sem nunca termos tido conhecimento de qualquer assunto menos nobre.

 

Quando for grande a Gaffe não quer usar óculos na ponta do nariz. Não tem nariz para tal. Prefere apresentar os sorteios dos jogos da Santa Casa num canal de televisão. Apesar de se ficar verde com o reflexo do painel de fundo, de exigir uns bons dez minutos por semana de excelsa criatividade, é muito menos cansativo e as bolinhas a subir compensam a falta de visão.

 

Ilustração - Jon Whitcomb    

 photo man_zps989a72a6.png

Gavetas:


8 rabiscos

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De Pequeno caso sério a 26.10.2016 às 21:37

:)))))))

Ai caraças...
Tu a apresentar um qualquer Euromilhões...
(do que te foste lembrar)

:))))))
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De Gaffe a 26.10.2016 às 21:51

Ficava verde, com o reflexo do painel de fundo, como a menina loira, misto de Maria Leal e de Simara, que agora apresenta a lotaria na RTP2.
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De Maria Araújo a 26.10.2016 às 23:19


Ahahahahah!
Odeio ver as mulheres e homens com os óculos na ponta do nariz.
Já os usei, mas ajustava-os.
E de tanto que os detestava que os substituí, há 7 anos, por lentes intraoculares.

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De Gaffe a 26.10.2016 às 23:38

As lentes arrepiam-me!
Não uso óculos, mas sei que jamais usarei lentes intraoculares.
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De Maria Araújo a 27.10.2016 às 11:17


Há alguma coisa que, em termos de tempo, possa ser prejudicial?
Tão bom não usar óculos com lentes progressivas, que eu detestava.
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De Gaffe a 27.10.2016 às 11:24

Arrepia-me perceber que as teria de colocar!
Valha-me Deus! Só de pensar que teria de enfiar aquilo nos olhos, fico cega.
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De Maria Araújo a 27.10.2016 às 14:39

As lentes são definitivas, e na minha opinião são do melhor que poderia ter feito.
Mas sei que ninguém imagina como é feita esta cirurgia. Nem quis saber.

https://pt-pt.facebook.com/%C3%81lvaro-S%C3%A1-187835348010486/
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De Gaffe a 27.10.2016 às 14:57

Eu sei.
Mesmo assim fico arrepiada.

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