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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe sexualmente livresca

rabiscado pela Gaffe, em 10.05.16

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São cansativos, porque de inutilidade extrema, os debates que versam a rivalidade entre o livro impresso e o ebook. Cheiram a suor e têm mau hálito.

 

A Gaffe sempre considerou que a existência destas duas variantes da leitura se aproxima, sem que ninguém dê grande importância, ou se desunhe em defesa de uma das damas, com a presença do sexo nas nossas viditas.

 

Salvo raríssimas excepções, toda a gente reconhece que existe o sexo virtual e aquele que fazemos no aconchego do lar - convém, neste caso, entregar a lar um perfume polissémico. A Gaffe suspeita que apenas uma minoria do planeta se dedica em exclusivo à primeira modalidade - por norma são assustadores e  usam óculos bifocais, - mas que a maioria do mesmo globo já espreitou, pelo menos, as maminhas - ou a pilita - do manequim apanhado por um paparazzi a praticar com alguém o que os eremitas costumam fazer sozinhos - A Gaffe, por exemplo, admite que já espiou a pila do Brad Pitt.  O argumento da falta de qualidade virtual, não dá dividendos. A imagem do Brad Pitt nu é abençoada. 

 

Coexistem as modalidades, sem que por isso venha mal ou bem ao mundo, embora o verbo vir adquira também neste caso um valor polissémico. Há quem goste de snifar as páginas dos livros, há quem aprecie lamber o monitor. Como diria o isabelino, tudo está bem, quando acaba bem.

 

A discussão ebook versus livro impresso, não vale mais do que isto.

 

Já escrever - digamos que de modo lúdico - sobre sexo é um problema gravíssimo.

Ninguém escreve bem sobre sexo e é horripilante quando o tentam fazer, descrevendo minuciosamente cada posição, cada gemido, cada movimento, cada alçar de perna, cada mamilo, cada coisa que arrepia, cada poema escrito com a pila, cada melodia erguida com as mamocas, cada sinfonia a quatro mãos, a quatro pés e ao que depois vier, ou o foguetório do orgasmo. O caso agudiza-se quando recorrem ao vernáculo e a expressões mais duras e cruas, convencidos que dali lhes virá força.

 

Ninguém.

 

Se Maria Teresa Horta ou David Mourão-Ferreira correm belíssimos riscos, a esmagadora maioria dos escritores de eleição evita descrever o que sabe que resvala com uma facilidade inacreditável para o patético com um rasto de pornografia disfarçada. Quando é o comum dos mortais, quase analfabeto, a tentar escalar este Everest, é-nos oferecido um rato morto. A montanha nunca se desloca ao facebook.

 

A Gaffe suspeita que, em matéria de livros e de sexo, o ideal é manter tudo no lugar devido e cuidadosamente separado.

 

Imagem - Luis Quiles   

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