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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com cera

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.16

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Se há espinhos que me esbardalham os nervos, um deles é mania de sermos sinceros.

 

- Eu sou sincera: o teu cabelo parece que andou na II Guerra e que ainda não sabe que a tragédia acabou.

- Eu sou sincero: o teu gabinete parece um ninho de ratos.

 

Quem vos pede sinceridade se não há nada agradável para dizer?! Não sejam sinceros nessas alturas. Calem-se. Podeis acreditar que não existe nada de transcendente naquilo que pensais acerca do universo e que também não há nada no universo que se interesse grandemente pelo que pensais.

A vossa sinceridade é dispensável, porque ninguém dá um pico por ela.

 

O mesmo se aplica em relação ao devemos tentar ser sempre nós próprios  - há quem diga nós mesmos, mas as expressões são equivalentes se o objectivo for irritar-me. Seria um consolo se Estaline tentasse ser outra coisa que não ele próprio. Seria bem mais sossegado se Jack o Estripador tentasse não ser ele mesmo de vez em quando.

 

Eu sou sincera: fico enervada quando sou eu própria e muitíssimo mais quando sou eu mesma.

 

Nota de rodapé - A palavra sincera pertence ao Renascimento. A estátua de mármore com fissuras levava cera, disfarçando os erros. A perfeita era sin cera.

Achei engraçado referir.

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