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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe tigresse

rabiscado pela Gaffe, em 08.11.18

Solvay - 1927.jpg

No aniversário de Marie Curie - a menina, convém referir, faz hoje 151 anos -, a Gaffe fica perplexa quando se lhe depara uma magnífica fotografia da Conferência de Solvay em 1927, onde ninguém está a usar padrões tigresse.

 

Se por um lado é compreensível que a cavalheiros os ditos não favorecem, é por outro escandaloso que Marie Curie não reforce a sua feminilidade com uma peça, um apontamento, uma nuance, um sapato, ou uma calça, ou uma luva - ou qualquer coisa assim no singular -, uma bandolete, um cintinho, um chapelinho, um lencinho, um niquinho de trapo ou uma pochete, em padrão tigresse.

 

Tendo em consideração que a cientista é o único pipi a marcar presença entre as pilas nobelizadas ali presentes, e sobretudo o único pipi a quem foi atribuído por duas vezes o Prémio sueco, seria de esperar que marcasse a diferença, que desse nas vistas - embora no caso até se compreenda que não -, com uma nota tigresse que é, sabemo-lo hoje, o orgasmo de toda a mulher que se preza - e das outras também.

 

Sendo o padrão tigresse a maior porcaria, a maior imbecilidade, a maior pantufada, a maior cacada, o mais ranhoso dos padrões mais ranhosos, uma das mais irritantes visões da humanidade, a maior ofensa ao bom-gosto e a negação absoluta do bom-senso, seria de prever que Marie Curie o usasse. Demonstrava às pilas contentes - às do passado e às de tanto presente - que por muito Nobel que ganhe, uma mulher vai continuar parva o tempo todo.

 

Assim, Marie Curie provou apenas que dois passarinhos na mão, valem muito mais do que uma data de pilas no ar.   

 photo man_zps989a72a6.png


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