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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe tripartida

rabiscado pela Gaffe, em 22.05.15

John LaGatta.jpgComo já devia ser do conhecimento geral, a Gaffe viveu em Paris durante a maior parte da sua curta existência.

Este pequeno factor é de importância capital (hoje estamos tão trocadilhos!), porque lhe permite olhar as nossas mulheres, sobretudo as do Porto que agora conhece com mais nitidez, um certo grau de maldade cosmopolita e,de certa forma, ter uma visão estrangeirada acerca deste assunto.


Paris fornece um allure indiscutível a uma rapariga esperta e capaz de o captar sem questionar muito a essência do fenómeno. Somos parisienses quando deixamos de colocar questões existenciais a toda a hora, fazendo perigar as nossas incendiadas ligações que, embora passageiras, nos deixam prostradas de tanto esforço que exigem para que a mangueira cumpra o seu destino. Somos parisienses quando nos preocupamos com a madeixa do cabelo que nos tomba nos olhos e nos impede de ver com clareza o manequim masculino que passa em cada esquina da Sorbonne. Somos parisienses quando oferecemos razões a um homem para se afastar, cansadas que estamos das suas fracas aproximações. Somos parisienses porque reconhecemos que cada torre, por muito pequena que seja, tem o seu encanto e que não é forçoso ter sido Eiffel a assinar o trabalho para que sejamos agradavelmente surpreendidas pela eficácia da lapiseira.
Somos parisienses, porque sim.


As portuenses não.


As portuenses parecem sempre tristes e há, a Gaffe fala das que conhece, uma espécie de subordinação às regras sociais estipuladas por machos pacatos e bastante ordeiros que se torna confrangedora e muito pouco saudável. Obedecem, mesmo quando tentam escapar e deixam no ar uma resignação ou culpa que desculpam baseadas na geografia. São do Norte e o Norte foi e continua a ser um feudo masculino.
São de uma fidelidade quase canina, o que é uma maçada. Os casamentos parecem celas de convento do mais pio que há, benzido e de clausura, e não percebem que se há festinhas para troca de maridos, não as há para trocar de amantes.
Finalmente são peritas em provocar sentimentos de culpa quando uma rapariga se descuida e lambe descaradamente uma peça masculina de qualidade rara na Invicta. Fazem-nos acreditar que não passamos de vampiras promíscuas prontas a ferrar o dente na veia mais saliente de um rapaz. O que, apesar de não ser de todo uma mentira, não custa disfarçar e fazer de conta que não se vê com nitidez.
Não é de todo simpático e é maçador.


Causa-lhe urticária ver, como hoje viu, com aqueles dois que a terra há-de comer, uma rapariga com a sua idade, nada e crescida no Porto, presumivelmente culta e inteligente, a borrar a pintura - mais do que o aceitável e tendo em conta que não é perita no sombrear dos olhos e no espalhar do blush -, dizendo a chorar – dizia a Gaffe – que soube do marido enfiado na cama com uma companheira de luta e de trabalho enquanto ela fazia o turno nocturno nas urgências.


A Gaffe não compreende esta absoluta falta de Paris!

 

Se fosse à sombra da Torre Eiffel tínhamos o caso tratado e dada alta aos três, porque na capital da luz, diria um amigo, uma cama é como um autocarro: há sempre lugar para mais uma.

 

Ilustração - John LaGatta

 

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Gavetas:


12 rabiscos

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De M.J. a 22.05.2015 às 15:41

devias esbardalhar-te em gritos de defesa contra mim.
assim não tem piada.
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De Gaffe a 22.05.2015 às 15:51

Só me esbardalho pelos pobrezinhos e pelas crianças feias com fotos na net.


... Também me esbardalho por homens bonitos, mas isso é privado e não falo da minha vida sexual.

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