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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe vindimadora

rabiscado pela Gaffe, em 06.09.16

Douro

Esperam-me dias longos e telúricos.

Para uma rapariga que até há bem pouco tempo pensava que se pisavam as uvas com os pés, de pernas nuas e de braços dados, apenas para tonificar os músculos, é sempre incómodo. Fica-se com a sensação de futilidade, frivolidade, completa ignorância e inutilidade que nos assarapanta sempre que nos encontramos com o Douro.

 

Creio que sou demasiado urbana e poluída para me embrenhar nas andanças da terra.  Evidentemente que a minha aversão à paisagem que não inclua pelo menos um elemento humano de tronco nu e pernas de aço, é completamente ignorada.
Vou passar longos dias a olhar para os poderosos e graníticos homens que de esguelha me observam com ar condescendente, guiando tractores rancorosos, e as noites a passear pelos corredores de uma casa assombrada onde até os retratos são pesados.  

Para agravar todo este cenário, reconheço que no Douro o meu pobre glamour não passa de uma asneirita tonta de uma miúda com peneiras


Só espero que esta seja a altura de mandar os rapazes arrancar as silvas (?) dos trilhos (?) das ramadas que consigo ver do meu quarto. Gosto de braços arranhados e de mãos picadas, de troncos vergados e músculos retesados, de camisas apertadas e de calças seguras por um baraço ou por cintos a cheirar a couro velho e dos sorrisos tímidos dos mais jovens faunos.

 
Seja!

Reconheço. Aquela terra tem os seus encantos.

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10 rabiscos

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De Anónimo a 06.09.2016 às 12:04


"O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."

Miguel Torga in "Diário XII"


sou apaixonada pelo Douro.
espero que tal fortuna lhe armadilhe o coração.
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De Gaffe a 06.09.2016 às 12:21

Torga sempre foi um exagerado.
;)

Não existem armadilhas que uma rapariga esperta não saiba evitar.
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De Cecília a 06.09.2016 às 12:35

as melhores armadilhas são aquelas que pecam por tardias... e uma rapariga esperta deseja sempre uma boa armadilha ;)
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De Gaffe a 06.09.2016 às 13:05

Exactamente.
E sabe sempre como a pisar.
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De Teresa a 06.09.2016 às 18:49

E que encantos :P
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De Gaffe a 06.09.2016 às 19:25

Daqueles que é pecado deitar fora...
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De Maria Araújo a 09.09.2016 às 14:20

Que saudades tenho de ir a uma vindima!
Certamente que não pisaria as uvas, não sujaria as minhas pernas com a cor do vinho, mas toda a azáfama me apaixona. Colheria uns cachos uns bagos, ajudaria a levar os cestos para o lagar, mas o que mais gozo me daria, é o ambiente e a comida.
Ai, a comida!
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De Gaffe a 09.09.2016 às 18:38

No início é divertido, depois é esgotante.
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De Maria Araújo a 09.09.2016 às 20:57

Sei que é esgotante, exige força, trabalho de equipa, muitas mãos e pés.

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De Gaffe a 10.09.2016 às 01:18

Exige também a dor de tanta gente!

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