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Ilustração - Fernando Vicente


Redacção da semana: O Festival deste ano

rabiscado pela Gaffe, em 02.03.18

A minha tia diz que nunca mais vê o Festival da Canção porque o cantor Piaçaba foi embora. Se ele ficasse era a a minha prima que nunca mais via porque o Paiçaba fez um págino que é uma página do Bolco de Equerda. A canção do Piaçaba era a melhor e até nem sai da cabeça da minha tia porque já cantou aquilo num coro muito bonito da goldexpele chamada Maranatá Savará que é da Igreja onde os bispos andam a caçar os filhos para os salvar. É assim como o cabelo do senhor José Cide que só sai para ir à lavandaria porque tem um tocolante que se prega à moleirinha. A gente a bem dizer fica com muitas coisas coladas à cabeça que não se soltam. Eu por exemplo quando ouvi o cantor Piaçaba lembrei-me do senhor padre Borga põe a mão na mão do teu senhor e aleluia põe a mão na mão do teu senhor e aleleuia põe a mão na mão do teu senhor e aleleuia. Não sei o resto mas isto fica. Andei quase dois meses à rasca porque me disseram que os cachopos que se metem na mão dos senhores ficam vítimas dos podologistas. As coisas que a gente não consegue tirar da cabeça ocupam muito lugar e não deixam que entrem coisas novas. A minha mãe diz que é do tempo da Maria do Inô que cantava ao piano uma coisa muito bonita com muita gente toda calada. Eu não sei quem é a Maria do Inô mas se for a da caixa é uma puta que me deu uma chapada quando trinquei um caramelo porque pensava que aquilo era uma oferta dos pontos tocolantes que a minha avó juntava num papel. Mas só davam os copos vazios que os rebuçados eram para enfeitar. É como o festival. Há muitos copos vazios com caramelos dentro mas só a Dina é que pode trincar morder e meter na cesta ai meu amor d’água fresca que tanto tem faltado no Alentejo e nas vacas por causa das alterações clítoricas. Eu desta vez gostei mais ou menos das liminantónias do Festival da Canção. Aquilo foi muito pobre. Nem parece que já saímos da crise do senhor Passos que dá na Quaresma. Toda a gente veio com uns trapos de merda. Aquilo estava tudo roto. Só tinha desculpa uma mocinha que andou no circo e foi atacada por um tigre que lá há e ficou assim rasgadinha. Das músicas gostei. Gostei de todas. Nem sabia para onde me havia de virar. Fiquei quietinho para não haver coisa que eu já sabia que vinha trampa quando o Jerónimo comeu uma banana quando há gente a passar tanta fome no mundo. A minha prima até teve um ataque de nervos que ela sofre muito deles e colou o dedo do meio à televisão a gritar come esta ó morcão pensas que estás em tua casa. O meu pai disse que aquilo era já efeito do acordo ontrográfico. Agora as pessoas fazem o que lhes apetece. No tempo dele onde já se viu a Senhora Dona Simone a mamar fruta na televisão. Vem o acordo e é tudo um regafofe. A mim só me deu fome. A minha professora já disse que temos de escrever com o acordo ontrográfico porque nos parte os dentes um por um se usarmos as coisas velhas que não se soltam da cabeça assim como o cabelo do Senhor José Cide para dar um exemplo. Temos de ser arejados como os brasileiros. Ai de nós se cantamos como o senhor José Cide ou a Dona Anabela que são antigos e não adoptam as antrografias modernas. Mete-nos em phila e pumba. É sempre a eito. Agora acho que estou cansado. Vou ver a Haide que dá na televisão memória. A Haide tem sempre músicas muito simples como a do Piaçaba. Devia ganhar. 

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