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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe 007

rabiscado pela Gaffe, em 17.07.19

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A notícia, se verdadeira, deixa-nos, a nós raparigas espertas, prostradas, doridas, frustradas e empapadas em desilusão.

Lashana Lynch será 007

Uma das maiores tolices da história do cinema que já conta com 20 anos de masculino espião.

Uma mulher jamais poderá encarnar 007!

A classe e o charme desta espionagem ao serviço de Sua Majestade serão sempre masculinos.

 

007 foi criado para ser um homem, apenas um homem, só um homem e nada mais do que um homem. Ian Fleming foi peremptório e Daniel Craig cumpriu de forma extraordinária esse destino, recriando um fleumático, musculado, sofredor, carnal, brutamontes e sovado James Bond. O melhor de sempre, o mais atraente, o mais másculo, o mais ensanguentado, o mais sujo, o mais suado, o mais chorão, o mais sensual, o mais bonito, o mais esmurrado, o mais animal e, sem sombra de dúvida, o que faz com que nos faleça o tino mal o avistamos de tronco nu, ou de speedo a surgir no oceano do nosso contentamento.

 

É preciso acompanhar os tempos – dizem alguns com olhos doces, estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse, enquanto se afirmam dispostos a calcorrear os mesmos trilhos do tempo que passa.

 

É evidente que as duas décadas de Bond não foram grandemente simpáticas com as mulheres, embora, diga-se em abono da verdade, nunca tenha ficado claro se era o espião que as usava e descartava, ou se era o contrário que se verificava. Não há registo de nenhuma rapariga tombada deprimida depois do alegado abandono do rapagão maroto e não está determinado com exactidão se é 007 a levar as girls para a cama – ou para qualquer outro sítio, que o rapaz sempre foi muito despachado e inventivo -, ou se são elas que aproveitavam a onda dos lençóis para matar o tempo disponível entre o tiroteio.

 

Certo que, sendo 007 uma mulher, a tortura a que a espionagem fica sujeita se torna mais limitada, o que não deixa de ser confortável. Ninguém dá pancadaria nos testículos de Lashana Lynch, à semelhança do acontecido aos de Daniel Craig – um despedaçar dos nossos corações, sobressaltados com tal cena e desfeitos em cada paulada -, mas acreditar que transformar uma mulher em 007 equivale a terraplanar as eventuais ofensas ao feminino, ou a vingar décadas de alegados machismos patentes na saga, tornará homogéneo, justo e muito #metoo, o tratamento dado aos dois sexos nas fitas do espião, é uma tolice desmesurada digna de ser sujeita a ordem para matar.

 

São as mulheres que devem ensinar, educar, James Bond, sem que nessa árdua tarefa careçam de assumir o papel de protagonistas. São divinais, sedutoras, inteligentes, poderosas, belíssimas, potentes e mais que não se diz por ser verdade e cansativo repeti-la.

Bond deve ser confrontado por mulheres da sua craveira, tratado, manipulado, ofuscado, usado, esfolado, despido, suado, largado, protegido e todo o resto que habitualmente é da responsabilidade do espião e de seu uso frequente quando se depara com um maravilhoso par de mamocas. As mulheres sabem que Craig tem um par de outras coisas, que podem inclusivamente ser sovadas, igualmente atraentes.  

 

É uma tolice.

 

Não é de todo necessário entrar em cena Lashana Lynch. Só entope as nossas maravilhosas noites de icónicos machos espiões que tantos arrepios nos causam quando emergem do oceano molhados e feridos, mas prontos a atirar uma rapariga para a areia e a provar insistentemente que os têm de aço. Os braços.

Vá, não sejam ingenuamente condescendentes e paternais. Evitem ser possidónios e sobretudo tentem escapar à pinderiquice feminista.

 

As mulheres, acreditem, sabem educar o James Bond.      

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A Gaffe na Lei dos Básicos

rabiscado pela Gaffe, em 03.07.19

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O medicamento custa cerca de dois milhões de euros – a margem de erro é para desprezar.

Há um bebé português que dele necessita para não morrer.

Uma onde de solidariedade arrecadou a quantia necessária para o comprar - dois milhões de euros em tão poucos dias!

Crowdfunding em todos o seu esplendor.

 

O facto de ter sido o bom samaritano a patrocinar quase de imediato a totalidade do tratamento, implica reconhecer que, também neste caso, o Estado é um inútil?

 

Não!

 

O medicamento não está vistoriado pelo INFARMED, não sendo comercializado em Portugal.

A médica da criança chega de férias e verificará se a petiza é elegível. Absolutamente necessário. A Matilde tem de estar apta, tem de ser capaz de resistir a esta tentativa de a curar. 

 

Sendo elegível, o hospital deverá oficializar o pedido, depois do impresso ter atravessado algumas dezenas de corredores e Comissões. Carimbado e aprovado, o papelucho deve seguir para o INFARMED, que analisará a viabilidade da encomenda e a eficácia do produto. Se estiver de acordo, o papelinho será enviado ao Ministério das Finanças, para que Centeno aprove a aquisição - encontrando em simultâneo maneira de não abrir precedentes -, iniciando-se então as negociações com o laboratório americano.

 

Entretanto, o dinheiro doado pelos portugueses não poderá ser usado para liquidar a conta que vier, pois que é o Estado português o responsável pela encomenda - se, nos entretantos, ainda valer a pena efectuar a dita.

 

A Gaffe considera genial propor à Assembleia da República que inclua na nova Lei de Bases do SNS a possibilidade de ser o cidadão a financiar o tratamento do seu semelhante.

 

Criavam-se escalões, sendo que o mais privilegiado abrangeria gente fofinha – crianças e velhinhos amorosos, por exemplo -, até ao menos merecedor - gente da oposição, velhos e velhas já com um pé na cova, que foram enquanto saudáveis - diz quem conhece -, pessoas horripilantes e sem uma educação que possibilite discursar no 10 de Junho.

O facebook poderia então provar ser ferramenta preciosa, permitindo contagem de likes e leitura dos comentários que ali correriam a favor, ou contra, o paciente candidato e seu consequente tratamento, ou morte.

 

O país encher-se-ia de gente boa, educada, civilizada, culta, sorridente e pronta a colaborar com o próximo - e com o distante -, pois toda a gente cedo ou tarde teria de se medir e de contar com likes.

Nunca sabemos quando temos de agarrar um. 

 

Os impostos seriam então para cativar, ou para criar laços, diz a raposa ao parvo.     

 

Ilustração - Toxandreev

 

Num registo sério, agarro - esperando ser perdoada pela ousadia - no comentário da Sarin que, como é evidente, urge reter.

(...) confesso as minhas crença e descrença no INFARMED - crença porque os medicamentos devem ser controlados, descrença porque a indústria farmacêutica funciona por objectivos distintos da Saúde.


Tenho a certeza de que uma vida vale mais do que um banco.
Mas também sei que há vidas que valem tanto quanto o barulho que as redes ecoem - Maddie é exemplo suficiente.
Quantos casos há de crianças adolescentes adultos com doenças raras? Poderemos importar assim medicamentos porque alguém aparentemente precisa? E como ficamos com a comercialização de fármacos na UE - um dos poucos produtos cuja circulação não é livre? Por outro lado, como fica a questão da responsabilização pela administração de um não autorizado?


Os procedimentos devem ser céleres, mas não podem ser ignorados. Custa, a emoção é pesada, mas quem gere não pode gerir por afectos - embora tenha que manter a sensibilidade pois gere por e para as pessoas. (...)

 

Roam-se! TAMBÉM Tenho Amigas deste calibre.

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A Gaffe de Graça

rabiscado pela Gaffe, em 05.06.19

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A Gaffe gosta de Graça.

Não fosse a aliteração demasiado desengraçada, a Gaffe gabaria Graça pela graça que guarda.

A Gaffe gosta do seu cabelo estrouvinhado que permite divagar acerca do modo como Graça saltou da cama, ou de outra qualquer peça de mobiliário, directamente para o Governo.

A Gaffe gosta do desdém absolutamente divinal com que enfrenta os jornalistas e que nos faz esperar que mande uma cuspidela no microfone no fim das suas cirúrgicas e sobranceiras respostas - na presença da superior secura de Graça, qualquer rapariga de boas famílias se sente uma ordinarona do piorio.  

A Gaffe gosta do desprezo enojado com que Graça olha os piquenos tolos que se atrevem a dirigir palavra ao seu vetusto acervo de excelsas e inalcançáveis competências que, pese embora tenham permitido o afastamento pecaminoso e desavergonhadamente imbecil do responsável pelo Museu de Arte Antiga, lhe entregam um ar de mistério insondável, que fica sempre bem quando acompanhado de um sorriso condescendente e paternal.

A Gaffe gosta do ar denso e eivado de partículas de Absoluto que se respira quando Graça nos abençoa com a brisa da sua dada como certa inteligência - pois que é impossível dar prova da existência da dita sendo-se responsável pelo Ministério da Cultura em Portugal.

A Gaffe gosta da estratosfera semântica onde Graça colhe o que Azeredo Lopes nem sequer sonhou poder existir.

 

A Gaffe gosta da tranquilidade incomparável que enleva o povo quando Graça afirma que cerca de duzentas obras de arte que nos pertencem - mais tela, menos tela -, não estão desaparecidas, pois que apenas delas não se conhece o paradeiro.

Abençoado povo que engraça com estas graçolas, porque é dos nus e dos rotos o reino de Tancos.

... Dos tansos. Perdão.                

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A Gaffe do comendador

rabiscado pela Gaffe, em 14.05.19

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É um tipo pretensioso, um fanfarrão, intoxicado com a sua própria vaidade, pavoneando-se mesmo sentado, confiante, de má índole, descarado, ignorante, teimoso e intratável. Pousa como uma vareja no que quer que haja para jantar. Não o podemos dignificar chamando-lhe vigarista presunçoso, porque é apenas um buraco no ar. Acaba por ser apenas um parolo simples, falho de qualquer noção de honra. Um horrível grosseirãozinho. Vê-lo enredar-se na língua portuguesa é como ver um vaso de Sèvres nas mãos de um chimpanzé, mas se o mandássemos para a escola, provavelmente acabava a roubar os livros escolares. Não merece crédito.

 

Não merecia crédito.

 

No entanto, as mesmas velhas salsichas, crepitando e estalando nas próprias gorduras, decidiram entregar-lho e fazer da CGD, não um banco, mas um bordel, uma casa de passe e um casino de esquina clandestina.

Um negócio de mentes a retalho que se vendem por atacado.

 

Para que os medíocres possam navegar, é necessário inundar terrenos férteis. Basta depois fazer flutuar as âncoras de uma ou duas anedotas - que deixam de ser más por terem sido bem contadas.

 

Chocante não é ouvir a risota quase certa dos trafulhas. É mais do que esperada, embora inesperada neste caso seja a aparente e desamparada senilidade do que ri, apoiado por laterais hienas. O que deveria chocar é o avistar da vela panda e solta ao vento dos que viram e reviraram entre os dedos as conchinhas e os seixinhos coloridos que boiavam e que apanharam durante a maré alta dos seus cargos.

 

Chocante é o choque deles.  

 

Ilustração - Dima Rebus

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A Gaffe no carrinho de História

rabiscado pela Gaffe, em 08.05.19

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A Gaffe considera despropositado o choque dos vetustos professores da Universidade de Coimbra que abominaram o tema do carro alegórico que no desfile da Queima das Fitas tentou cumprir a sua missão pelas avenidas da cidade, carregando cerveja.

 

Uns queridos exagerados.

 

Afinal, meus amorosos e escandalizados velhotes, os meninos e as meninas que tiveram a glamorosa ideia de baptizar o veículo de carga com a referência encapotada a um genocídio, pertencem ao curso de História.

Não há nada a recear.

O futuro dos petizes passa por umas calças pelos tornozelos, muitíssimo slim, de modo a esmagar os tintins sem muito alarde, por uns sapatos bicudos e por uma camisa coleante aliada a um casaquinho dois números abaixo do normal, para realçar a musculatura e atestar que se não se está interessado em arqueologias, pois que a empresa do pai é mais bolos e pasteis de bacalhau com queijo da Serra. Às meninas está destinado um bom casamento e unhas de gel. A ambos, caso não se concretizem estes desideratos, está assegurada a caixa de supermercado que não estiver ainda ocupada por licenciados em Filosofia. A Assembleia da República está fora de alcance, pois que já tem os advogados a preencher cadeiras.

 

Não é grave.

 

A Gaffe também não compreende muito bem a reacção dos piquenos.

Colar um papelão no carrinho com o que parece ser um irónico protesto contido no Não podemos fazer aquilo que queremos, porque vivemos num país livre, não é muito eficaz, porque é verdade.

 

Os meninos não podem fazer o que querem, exactamente porque vivem em liberdade, meus queridos. Não é?

 

Faziam o que queriam e sobrava-lhes tempo, se pisassem com a miséria dos sapatos de plástico do traje académico as avenidas de um qualquer lugarejo onde a liberdade fosse mais um pedaço de porcaria incluída nas toneladas de lixo que deixaram para trás durante o desfile.

Assim, não.

A liberdade de que usufruem, embora vos deixe usar poliéster preto e não vos obrigue a lavar o cabelo, impede que forneçam asas a estropícios mentais com intuitos humorísticos.

 

Meus queridos, o nome que decidiram entregar ao vosso carrinho alegórico, não tem piada, não é sequer inteligente, não é bonito, não tem bom-gosto, não é palestiniano, não é anti-semita. É só parvo.

Se já é péssimo que desfilem vestidos com aquilo que torna impossível que não se cheire a suor - para além de vos realçar os cabelos maltratados, mal lavados, mal cortados -, permitir que aliem esta desgraça a uma demonstração de imbecilidade, seria catastrófico para a Academia em geral e para os futuros desempregados inscritos no curso de História em particular.

 

Não podemos fazer aquilo que queremos, porque vivemos num país livre não é, de todo, sarcasmo ou ironia, reveladores de repressão, ou de esmagamento dos vossos anseios, meus amores, e não o é por causa da treta irritante do A minha liberdade acaba, onde começa a do outro, porque tal não passa de uma tolice creditada pelos coleccionadores de frases do facebook que ignoram que a liberdade não acaba em lado nenhum e que jamais terá limites na vida do Outro, porque se multiplica, aumenta, se une a outras, se reproduz, adicionando-se às liberdades alheias que se cruzam com a nossa.   

 

É só mesmo por causa do mau gosto. Se tem de haver desfile, sejam elegantes. Já basta o traje académico e o resto da praxe.

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A Gaffe com matérias perigosas

rabiscado pela Gaffe, em 18.04.19

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A Gaffe está feliz com o anunciado fim da greve dos motoristas de matérias perigosas, pois andava com imenso receio do ultimato de Assunção Cristas, que deu ao governo um prazo apertado para terminar com a brincadeira.

Até Quarta-feira de manhã.

O horror.

Se o imbróglio não estivesse resolvido pelo governo na data estabelecida, Assunção Cristas imolava-se pelo fogo, não era?

 

Imagem - Ewa Cwikla    

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A Gaffe "leakable"

rabiscado pela Gaffe, em 12.04.19

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A Gaffe aconselha toda a rapariga esperta a não visitar o Equador. Só a embaixada envelhece imenso. Quem de lá saiu com mais de duzentos anos foi o avô de Julian Assange, ou aquilo cumpre o famoso setenta vezes sete com um rigor excessivo.

 

É evidente que Julian nunca foi o que as nossas irmãs brasileiras - um grande saravá também para vós, minhas queridas! -, chamam àquilo que no post anterior aparece a abrir o Verão – um gato, até porque é sempre um cão que diz à polícia onde é que escondemos a droga, mas é deprimente, quando o moçoilo pede ao engate de uma equatoriana Sexta-feira à noite para escolher alguém para um forrobodó a três, ter a rapariga a escolher dois dos amigos mais chegados ao rapaz.

 

A verdade é que a Gaffe não simpatiza com gurus, chantagistas, lunáticos, oportunistas e prováveis violadores de suecas novinhas.

Assange também é feio.

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A Gaffe do especialista

rabiscado pela Gaffe, em 02.04.19

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A Gaffe acaba de ouvir na SICN um especialista em transportes públicos a declarar que a diminuição do preço dos passes sociais é:

 

(…) uma coisa boa, porque as pessoas ficam com mais dinheiro para leite, tabaco e droga.

 

A Gaffe já desconfiava que as criaturas que utilizam os transportes públicos são todas imensamente estranhas, desde que as ouviu bradar contra a mudança de hora, naquelas coisas onde se encaixam os mais pobrezinhos enquanto esperam, desde as cinco da manhã, a fumar uns atrás dos outros - tabaco e pobres - e a beber leites gordíssimos - ninguém sabe bem porquê, pois que podem consumir em casa, ao pequeno-almoço, desde que se levantem um bocadinho mais cedo -, pelos autocarros que os levam aos mercados onde compram cocaína e heroína com o dinheiro destes descontos. Toda a gente que viaja de avião - que também é transporte público para as pessoas que ainda não compraram a TAP - sabe que esta pindérica mudança de hora é o jet lag dos pobres.      

 

Quem diz a verdade, não merece castigo, não é?

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A Gaffe enganada

rabiscado pela Gaffe, em 01.04.19

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A Gaffe acha horroroso o dia 01 de Abril, porque nunca sabe se o que lhe dizem muito compenetrados e muito convincentes é uma daquelas partidinhas amorosas com que as pessoas gostam de comemorar o dia dos enganos.

 

Saltam-lhe os nervos quando no fim de após uma troca de impressões acerca de determinado assunto que veio à baila por dá-cá-aquela-palha – e a Gaffe leva muito a sério os assuntos relacionados com palha, como comprova este blog -, lhe declaram com uma risada alarve que hoje é o dia dos enganos e que esta rapariga foi capaz de uma performance muito superior à campeã de patinagem artística. Apetece imenso partir os dentes da frente ao bem-humorado e original interlocutor com a lâmina dos patins. Só não o faz, porque os patins não chegam para tanto imbecil e é feio ensanguentar o gelo com que recebe a notícia do engano invariavelmente bem sucedido.

 

Exactamente por ser propensa a tombar em todo o langará, a Gaffe dúvida se o apontamento que leu hoje - por engano - no Jornal Económico é, ou não é, um exemplo de como se pode festejar este maldito dia.

 

O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais informa que não vale a pena entregar a declaração do IRS nas duas primeiras semanas de Abril, pese embora nos seja possível logo no primeiro dia mês da Revolução encarregar um senhor muito capaz de o fazer por nós que somos parvas. Parece que existem sempre algumas alterações à aplicação informática que as recebe, acompanhadas de possíveis e prováveis bugs, que vão sendo testadas - as alterações -, e corrigidos - os bugs -, à medida que os contribuintes mais afogueados se queixam. Os massacrados serão, portanto, os que entregam as suas declarações electrónicas logo ali nas duas primeiras semanas e que ignoram que a corridinha não implica um reembolso - se houver lugar para tal -  mais rápido do que aquele que tem lugar relativamente aos contribuintes que não desataram a chispar no teclado dos impostos e que esperam que os testes em tempo real se realizem.

 

A Gaffe suspeita que esta é uma marota mentirinha do Governo.

 

A Gaffe sorri e acredita que desta vez não mordeu o anzol. Nenhum Secretario de Estado das Finanças - ou de outra coisa qualquer - vem a público esparramar o cretinismo com que carambola as pessoas. O método mais usado é o do calar e deixar andar, como se comprova com a regularização dos precários que provavelmente terá de contratar precários para os regularizar, escandaloso é o atraso. 

 

A Gaffe acredita também que os senhores que criam e que se encarregam do funcionamento das aplicações informáticas governamentais são de uma competência, de uma eficácia e de uma eficiência a toda a prova e a todos os honorários. Sendo que o elevadíssimo mérito destes qualificadíssimos profissionais está implícito, pois que com certeza figuram quase todos na árvore genealógica de um qualquer ministro, podemos concluir, em consequência, que o dia 01 de Abril também é festejado no Ministério das Finanças.    

  

Por outro lado, a Gaffe fica hesitante. Há significativas probabilidades de ser verdade o que o Secretário de Estado declarou. Por norma, os foguetes iluminam sempre durante alguns segundos e são imprescindíveis ao velho palco improvisado da banha-da-cobra.    

 

Ilustração - Alex Stevenson Diaz

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A Gaffe "homossexualista"

rabiscado pela Gaffe, em 28.03.19

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A Gaffe está mais uma vez ao lado, mas mesmo ali ao lado, da maravilhosa Joana Bento Rodrigues que a cada passo nos deslumbra, superando aquela coisa feia que a estátua da Liberdade tem na mão erguida.

 

Depois de nos ter metido no lugar que nos pertence desde tempos imemoriais e que tantas vezes somos - nós, mulheres! -, capazes de esquecer e desprezar, chega-nos agora revoltada, chocada, escandalizada, com a campanha de uma marca de roupa para crianças que se alia à moderna tendência homossexualista que grassa no Ocidente e que, mais cedo do que se pensa, vai desertificar o planeta.

 

A marca apresentou uma colecção de roupa infantil que tanto dá para um lado, como para outro. Este facto já é péssimo, mas tentar abolir a distinção dos sexos através da cor, cerceia a nossa capacidade de discernimento e contribui para esta espécie de daltonismo sexual que os homossexualistas defendem e promovem, ultrapassando mesmo as fronteiras e os limites traçados por Deus.

 

A Gaffe considera um HORROR.

Deixem as crianças em paz!

 

Acredita piamente - como Deus manda -  que esta contínua aniquilação de códigos ancestrais, levada a cabo por gente LGBT, ou LGBTI, ou LGBTI+, ou coisa que o valha -, é um perigo para a civilização, tal como a conhecemos e respeitamos, e não vai ser interrompida antes de destruir por completo a vantagem  que detinhamos sobre o homossexualismo - que nos foi dada por Nosso Senhor -, e que nos permitia imediatamente identificar - e saber lidar com isso - qualquer personagem que nos surgisse na frente.

 

Tentar anular os códigos sociais expressos nas cores, é trágico, mas é tarefa destes monstros que consideram primordial levar a civilização ao homossexualismo total.

 

A Gaffe teme que se intensifique a possibilidade de uma mulher usar um vestido vermelho intenso e justo, sem se perceber que anda a pedi-las. Não é de todo de espantar, pois que já é com alguma dificuldade que conseguimos discernir um toxicodependente de um gótico, ou de um emo, ou de uma pessoa de luto, através do preto que usa em look total e - a propósito - já é absolutamente incriminatório intuir - porque somos lógicos e racionais - que uma pessoa de cor mais escurinha é uma ameaça potencial à nossa segurança e que tem a pila grande, ou que uma pessoa mais amarelinha tem a porcaria dos genes dos olhos em bico entranhada no corpo e abre lojas com plásticos a cheirar a petróleo, mesmo ao lado da Prada.  

 

Uma mãe que sabe o que é ser mãe, que sabe estar, que se comporta como uma verdadeira mulher, sabe por instinto que se colocar nos ombros do filho um pólo azul discreto, o menino não mudará de sexo na idade maior e com certeza conhecerá por essa altura, no golf, meninos que usaram, pousados nas costas, pólos azuis discretos. Juntos podem perfeitamente fundar uma empresa e encomendar uma colecção que aproveita a onda homossexualista àquela gentalha que em criança ousou cores berrantes e que por isso agora é estilista.

Pelo menos, dá lucro.

 

Uma mãe que sabe o que é ser mãe, que sabe estar, que conhece o seu lugar, que se comporta como uma verdadeira mulher, sabe que se vestir a filha de princesa cor-de-rosa, a futura jovem tem mais hipóteses de casar com o menino do pólo e - se usar branco - ser amante dos amigos de pólo do marido e que será sempre mais que Ministra da Cultura.

  

É evidente que se uma mãe não merecer este santo estatuto, e vestir a sua criança de vermelho, ou preto, ou quiçá de branquinho, terá no futuro um comunista ao jantar, ou um drogado suicida, ou um homossexualista na Companhia Nacional de Bailado.  

 

O pai está a trabalhar. Não aborreçam. 

 

Já nos tentam roubar a possibilidade de reconhecer as boas pessoas pela cor da pele, não nos retirem agora a capacidade de distinguir através da cor da saia ou do pullover,  da menina e do menino, o que é de aproveitar do que não passa de manobra destruidora do lobby do homossexualismo.

 

Se Deus, na Sua infinita sabedoria, nos fez e nos vestiu de cores diferentes por alguma coisa foi.

 

Bravo, Joana Bento Rodrigues! Embora exista roupa unissexo há imensas décadas, não parece nada que a menina saiu agora mesmo debaixo de uma pedra.

A menina continue que não maça nada. 

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A Gaffe bacteriologicamente impura

rabiscado pela Gaffe, em 22.03.19

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A Gaffe nada entende de desporto. Retém apenas que é uma actividade que permite a visualização de traços distintivos e muito interessantes dos atletas e - embora digam que faz suar imenso -, que jamais se tornará perda de tempo observar Olímpia, Ολυμπία para os amigos, em todo o seu esplendor.

 

Sublinhado o facto, é de esperar que esta rapariga distinga os jogadores de futebol - por exemplo -, apenas pelas pernas e pelos rabos, e mesmo assim quando pertencem a equipas diferentes e em consequência estão a usar outfits desiguais enquanto correm e cospem no relvado.

 

É evidente que a Gaffe jamais consentiria que se aproximassem de si os amorosos grunhos que aos balcões das tascas e tabernas discutem durante horas intermináveis o ocorrido dentro do relvado e a erva dentro do ocorrido. As televisões encarregam-se desse assunto como uma dedicação, insistência e profundidade avassaladoras e, valha a verdade - honra lhes seja feita -, pagam a estes incansáveis palradores de balcão de bordel as opiniões que regam com tintol, navalha e palito ao canto da boca cheia de pastelinho de bacalhau.     

 

Convém neste momento referir que a Gaffe provavelmente irá cometer lapsos por todos os cantos, foras de jogo e penalties. Não adianta corrigir-lhos. A Gaffe está perfeitamente feliz e em paz com o mundo dos erros que comete nesta área - para além de ser esse o lado para onde dorme melhor.

    

A Gaffe é informada que um jogador de futebol de origem brasileira, mas naturalizado português, foi convidado a integrar a selecção nacional.

 

Um senhor chamado Rui Santos, debruçado ao balcão de um qualquer canal de televisão, insurge-se e borrifa e apita. O homem não devia ter sido convocado por não ser bacteriologicamente puro.  

De origem brasileira, o jogador – a Gaffe não quer saber o nome, evitem maçadas -, provavelmente tem nos intestinos bactérias a sambar que não coordenam com as fadistas.

 

A Gaffe não sabia quem era o excêntrico biólogo e admite que desconhecia que a ciência bebia shots de cachaça e vinho do Porto como quem come pipocas no cinema, mas a curiosidade apertou-lhe a lamela.

 

Foi ver, estúpida que é.

 

Pronto. Já viu e até ouviu um bocadinho.

Estúpida que é!

 

Não pensou esta rapariga tonta que tudo se relacionava com o ambiente. As bactérias que pululam as entranhas do pobre jogador foram contaminadas pela atmosfera corrompida do Brasil ou, quiçá, violadas pelo único presidente da República brasileira que ainda não foi preso - não se lhe ocorre agora o nome, vá lá a gente saber porquê!

 

Rui Santos é acérrimo defensor da pureza ambiental, interna ou externa, e é ao lado de Manuela Ferreira Leite que repreende a cachopada por tamanha irresponsabilidade: largam os gases irritantes da defesa ambiental e logo a seguir sujeitam as pessoas a chutos bacteriologicamente contaminados.

 

Felizmente a Gaffe terá Adolfo Mesquita Nunes - vereador na Câmara Municipal da Covilhã, ex-vice-presidente da Cristas e ainda coordenador do programa eleitoral do partido desta querida que já não poderá contar com ele para disputar a liderança do barzinho -, no Conselho de Administração da petrolífera Galp Energia, que será outra. Naturalmente.

 

Paula Amorim vai ver como elas mordem. As bactérias. Essas putas - puras, perdão.

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A Gaffe ambientalista

rabiscado pela Gaffe, em 18.03.19

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É peculiar a frequência com que esquecemos que o desfecho da frase se não podes vencê-los pode não ser aquele a que por norma estamos habituados a unir. Há uma resposta à condição expressa no arranque da batalha que é muito mais frequente do que aquilo que pensamos.

 

Se não podes vencê-los, absorve-os.

 

A diluição de conceitos, princípios, ideais contrários às realidades instituídas - ou mesmo reacções a factos que nos são adversos, porque desumanos e mesmo fatais -, na atmosfera que os vai produzindo e alimentando, não é de desprezar. A manobra do instituído que produz a capacidade de absorver o que lhe é contrário, torna inócua, neutraliza e banaliza, a acção que visa combater precisamente aquilo que a vai normalizando, atenuando, ou eliminando os efeitos que eventualmente produziria.

 

A facilidade com que se produzem mitos e símbolos - que são em última instância a resposta a uma falha, a uma ausência, a um vácuo - tornou-se equivalente à capacidade que os responsáveis por essa mesma omissão têm de os absorver e neutralizar.

 

O exemplo mais fácil e mais capaz de ilustrar o dito é Malala Yousafzai que depois de publicitada, elevada ao estatuto de heroína, incensada, medalhada e galardoada, perdeu força significativa, atenuando-se o impacto mediático da sua luta e impedindo-se desta forma que a multidão de espoliadas de que era bandeira, não se chegasse a unir e a seguir. A força que parecia invulgar do seu discurso e da sua atitude, restringe-se agora a palestras, a conferências e a elocuções mais ou menos esperadas. Malala passou a ser apenas mais um rosto simbólico - o símbolo que não povoa o vácuo - numa galeria de cabeças que o poder instituído consegue absorver e que reserva para, numa hipocrisia letal, aplaudir de quando em vez.

 

Surge, entretanto, Greta Thunberh.

 

É clara e inequívoca a tentativa de aplacar o discurso, a atitude, o conceito, e a ameaça que a ambientalista consegue encarnar, por parte dos que são acusados pelo seu inesperado aparecimento. As manobras de dissuasão parecem idênticas às usadas no caso anterior. Estatuto de heroína, reconhecimento, aplauso internacional e nomeação para o Nobel da Paz. A absorção do que parece não se conseguir vencer, teve já o seu início. Tornar Greta Thunberh num sucedâneo mais jovem de Al Gore, arrastando-a e exibindo-a de palestra em palestra, de entrevista em entrevista, de conferência em conferência - pagando-lhe principescamente por cada uma -, seria a diluição perfeita e almejada do grão de areia que, depois de parecer uma ameaça, vai sendo incorporado na máquina que adapta e recicla o elemento que absorve.

 

No entanto, Greta Thunberh sofre de Asperger.

 

As características deste distúrbio – facilita uma classificação deste teor -, prometem impedir que a jovem amorteça a sua identidade. A obsessão, a tenebrosa tenacidade, a capacidade de focar toda uma vida num único ponto de luz, a indiferença à bajulação que tolda o objectivo, o desinteresse pelo que é considerado acessório - por tudo o que se afasta, ainda que levemente, do que a motiva e interessa -, e a força invulgar que a apoia e a move, tornam-se dados inesperados e passíveis de complicar, ou mesmo impedir, a sua absorção e diluição posterior.

 

É esta estranheza que une multidões.

 

Talvez Greta Thunberh seja a anomalia esperada pelo planeta.

Talvez seja desta vez que deixemos de olhar estas vozes como quem olha a última fotografia da sonda Cassini, antes de ser absorvida pela atmosfera de Saturno que acabava de captar.              

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A Gaffe em nome próprio

rabiscado pela Gaffe, em 13.03.19

Infanta Luisa Carlota de Borbón por Vicente Lópe

 

A Gaffe foi visitar uma amiga que deu à luz uma menina semanas antes do previsto.

 

A criança pesa cerca de três quilos e a mãe deve pesar menos, porque toda a vida se preocupou muitíssimo com as calorias que ingeria, apagando assíduas vezes algumas refeições e substituindo por uma ou duas maçãs o brutal cozido à portuguesa com que eram, ela e a amiga, brindadas pela Jacinta, algures no Douro. A Gaffe acabava sempre a comer, também, o lote da comparsa.

 

Uma lombriga lindíssima e loira e platinada e alta e elegante e Grace Kelly e tudo.

 

A Gaffe entrou no apartamento que o Hospital privadíssimo disponibilizou, pois que a amiga é chique e claustrofóbica, agarrada a um peluche gigantesco em forma de carro de bombeiros - existe, procurem. Bamboleando o dito, foi espreitar o rebento e ficou arrepiada.

 

A criança é belíssima. Um anjo, um querubim, uma fada, um unicórnio e todas essas melodias de encantar, juntas, aliadas, cúmplices, ligadas.

 

A Gaffe adorou.

A amiga nem tanto.

Choramingava, porque a menina não tinha a cara do nome que tinham escolhido.

 

A Gaffe olhou para todos os lados desconfiada. Provavelmente a amiga ainda estava toldada, ou a epidural tinha invadido o cérebro, ou estavam a tentar assassiná-la com alucinogénios contaminados, ou alguém tinha deixado a mão dentro do lugar por onde a petiza saiu e estava agora a ventriolocar, ou a Gaffe tinha albergado algures um vírus que agora se manifestava obrigando-a a ouvir vozes. Se aconteceu a Joana d’Arc, porque não a uma rapariga de melhores famílias?!

 

A Gaffe procurou aprofundar a causa da choraminguice.

A criança não tem cara de Maria Luísa.

- Já me sentia feliz se tivesse cara de Carlota!

Mas não. A criança tem cara de Micaela Andreia, ou de Patrícia Vanessa.

 

A Gaffe fica durante largos instantes em silêncio, daquele muito próximo do chamado silêncio aparvalhado. Abana os pequenos brilhantes que traz nas orelhas para que a amiga se escandalize com coisas mais sérias - sabendo-se que uma menina de boas famílias jamais usa brilhantes fora das capitais, é possível que a chorona foque a sua imbecilidade no brilho que se espalha na província - e balbucia depois:

- Não dês importância. Chama-lhe Maria Luísa. Ninguém vai reparar que a criança também tem cara de quem tem a mãe estúpida.

A amiga faz com que os olhos saltem das órbitas e mais apaziguada sorri um achas?! absolutamente delicioso e explica com detalhe a sua aflição.

 

Nas elites, nas elites altamente privilegiadas, a selecção é feita também através do nome próprio - não bastando o sobrenome - das criaturas candidatas ao poder. Jamais se aceitará nesses círculos herméticos e protegidíssimos, alguém com um nome capaz – alegadamente - de pingar sebo, azeite ou outras matérias ainda mais viscosas. É impossível os papás consentirem e abrirem os portões a uma candidata a nora, ou a quem pretendente ser o genro, chamada Yara Tatiana, ou àquele que dá pelo nome de Rúben Leandro.

 

Como não chorar baba e ranho se a criança não vem com cara de nome aceitável por gente que vale a pena?!    

 

Imagem - Infanta Luísa Carlota de Bourbon por Vicente López, 1819

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A Gaffe arejada

rabiscado pela Gaffe, em 12.03.19

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A Polícia Judiciária de Coimbra deteve uma funcionária da Segurança Social que inventou cerca de 100 grávidas para se apropriar do abono de família pré-natal. Com o esquema, a senhora ludibriou a maioria dos centros distritais da Segurança Social do país e, entre 2014 e 2018, deu um desfalque ao Estado de mais de meio milhão de euros.

 

A Gaffe acaba de saber que os cerca de 600.000 euros desviados são irrecuperáveis pois que foi tudo estourado em roupa.

 

A Gaffe considera absolutamente divinal ir atender pobres e desempregados, coisas incapazes que usufruem daquele estranhíssimo rendimento social de inserção e outras gentes que arrepiam só de pensar, de capeline Chanel, vestido Dior e sapatos Prada a fazer pendant com a carteira Louis Vuitton.   

 

A Gaffe acha maravilhoso ter de enrolar a manga do vison YSL quando há que carregar no botão do intercomunicador para numa voz Moschino murmurar:

 

- Número 599.999 ao único chic que existe na pocilga.

 

A Gaffe pensa ser deslumbrante desfilar pelos corredores pejados de gente miserável ofuscada pelo Valentino, Armani, Gucci, Micaela de Guimarães - uma pequena burla que vitimiza toda a gente, mas que se disfarça com um Cerruti em cima -, alternando o outfit como quem muda de Givenchy.    

 

A Gaffe considera admirável que num país onde os desfalques pindéricos de meio milhão de euros são utilizados para comprar chalets, Porsches, Macintoshes para os piquenos, toneladas de Bijou Brigitte, resmas de Parfois, milhões de Onofre, centenas de Bimba e Lola, T1 para as amantes, com piscina - os apartamentos e as amantes -, férias em Albufeira, fatos da H&M e saia-e-casaco da Massimo Dutti, haja alguém sensato, glamoroso e com um sentido de humor absolutamente ímpar, que esturrica tudo em altíssima costura e vai laurear a pevide para dentro de um guichet.

 

Uma autêntica lufada de ar fresco.

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Uma diva, meus senhores! 

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A Gaffe no zoo

rabiscado pela Gaffe, em 11.03.19

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No Arizona uma rapariga foi atacada por um jaguar.

Sofreu terríveis golpes num braço e sangrou imenso deixando o chão do espaço gradeado - por onde passeava o belíssimo animal -, bastante conspurcado.

 

A vítima tinha decidido tirar uma selfie ao lado da fera e transpôs a grade de segurança que a separava do ataque mais que evidente.

O jaguar, não sendo presidente do zoo, recusou aparecer nas redes sociais ao lado de imbecis que se ferram todos por uma selfie assanhada e que desconhecem por completo que só nos devemos aproximar de bichos muito, muito maus quando estão mortos e os podemos vestir, ou calçar, ou guiar.

 

Felizmente o jaguar não vai ser abatido.

Infelizmente a Gaffe não sabe se o Marcelo irá condecorar o animal, com selfie apensa.

 

Ilustração - Ricardo Martinez

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