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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do galifão

rabiscado pela Gaffe, em 18.01.19

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A Gaffe tinha assumido o compromisso de não voltar a estar atenta aos burburinhos que à sua volta irrompem como cogumelos em bosque mais húmido e sombrio.

Admite que se está arrasada, tonta, desequilibrada, enjoada depois de ter confirmado - o comando da box da Gaffe tem uma verruga que lhe permite andar para trás na programação, tal qual o botão dos boxers do rapaz - que a Assunção Cristas foi mesmo a casa da Cristina Ferreira cozinhar arroz de atum e não estava a usar galochas! Nem jeans! - como se esperaria, pois que confecionava um prato de pobrezinhos.

 

Esta decepção, este lapso, esta incorrecção, esta falta de maneiras, esta inadequação da Cristas foi a gota de Moët & Chandon que fez entornar o copo.

 

A Gaffe não volta a beberricar fait-divers sem pedigree e se por acaso tropeçar outra vez na versão para gente de bem da Ode Triunfal de Álvaro de Campos, nos medicamentos da psicóloga normalizadora do universo, no ralhete de sala de visita do Goucha a um nazi, ou nas mamas da Rita Pereira a rebolar por todo o espaço, esta rapariga sai da sua zona de conforto e passa a insultar toda a gente no facebook, depois de assumir que não ficou chocada, nem um niquinho para amostra, com as declarações de Yann Moix que ninguém que valha a pena conhecia antes do homem ter dito o que não é de todo um escândalo de arrancar cabelo ou de depilar o cérebro.

 

Minhas caras, o rapaz não se sente atraído por mulheres de cinquenta anos.

Meus amores, todas as campanhas publicitárias, desde a da batata frita no pacote à dos coentros e rabalhetes, pensam e mostram o mesmo.

Não precisávamos era de conhecer as formas que o homem encontrou para se tornar um ridículo galifão a tentar erguer a crista, mas a preferência de um homem entradote por corpos de mulheres mais novas, não traz mal ao mundo. Pode eventualmente originar a compra de um Porsche descapotável vermelho para estacionar junto aos portões das escolas secundárias e inflacionar a venda de cola para dentadura, mas não afecta as cinquentonas que, divertidas, olham a coisa mais linda, que vem e que passa em doce balanço a caminho do mar, o Menino do Rio, o calor que provoca arrepio, o dragão tatuado no braço, o calção, o corpo aberto no espaço e por ali fora até ao refrescar da onda. 

 

Não sejamos más.

 

Todas as mulheres de mais de quarenta e muitos anos que a Gaffe conhece se divertem a congeminar perversidades maravilhosas protagonizadas por rapagões saídos há dois, ou três, ou quatro anos, de uma adolescência de ginásio, ainda com os olhinhos brilhantes de inocência fit, slim e menos coisas e mais coisa.

São mulheres estupendas, poderosas, bem-humoradas, belíssimas, que também gostam de publicidade a espumas de barbear, que já concretizaram sonhos, que já floriram, que já dão sombra, que já caminham seguras e perfeitas pelos trilhos que desenharam e que limaram - muitas vezes usando homens de cinquenta anos que preferem mulheres de vinte e cinco. Todas reconhecem que alguns - muitos - destes jovens equilibristas musculados não vão entrar no circo dos seus amantes, porque sabem que a idade dos meninos não se coaduna com a perícia de uma mulher que aprendeu a voar sem rede.

 

Não sejamos implacáveis. Todas temos de reconhecer que um atleta olímpico em idade tenra, ou um menino muito grande que ainda mama no dedo, é bem mais atraente que Yann Moix. Nós apenas não estacionamos o Prosche descapotável à entrada da Secundária e não nos babamos ao dar entrevistas.

 

A Gaffe sente-se esgotada com estas manigâncias, sobretudo porque são tolices destas que lhe aniquilam a atracção que sempre sentiu por homens mais velhos.

 

Decide, em consequência, deixar de estar atenta a burburinhos.

Vai dedicar-se ao arroz de atum, a servir chá a psicopatas e a curar os senhores dos tais vãos de escada.  

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A Gaffe da Porto Editora

rabiscado pela Gaffe, em 17.01.19

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Vá, sejam educadas, pessoas nervosas do facebook.

Já bastou o alarido que fizeram, bradando pela exclusão e queima da obra, quando deram conta que estava à solta uma frase mais marota de valter hugo mãe que podia ser injectada nos vossos rebentos conspurcando-lhes a inocência.

Agradeçam à censura por vos ter revelado que existe a Ode Triunfal de Álvaro de Campos que por acaso contém os versos:

 

(…) Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas (…)

 

(…) E cujas filhas aos oito anos - e eu acho isto belo e amo-o! –

 Masturbam homens de aspeto decente nos vãos de escada. (…)

 

 

Convém ler o resto. Há o resto. Não se fiquem por aqui, por muito que o desejem.

 

A Porto Editora é tão imaginativa quando decide divulgar a obra de um poeta!

 

Imagem - Teresa Oaxaca

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A Gaffe laminada

rabiscado pela Gaffe, em 16.01.19

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A Gaffe apela a todos os homens!

A Gaffe exorta todos os rapagões!

 

BASTA de infâmias profanadoras da vossa sagrada e milenar virilidade.

 

Homens de todo o mundo aliem-se à campanha contra o politicamente correcto, contra a desvergonha desarvorada, contra o ataque à masculinidade sólida e ancestral, contra a pilosidade facial expressa pelas lâminas malditas que atentam contra o que de mais tradicional existe nas  vossas cuecas que coçais em pleno campo de batalha onde as vossas equipas cospem para o chão interminavelmente, pese embora o piso fique escorregadio e o árbitro rejubile assistindo às vossas quedas aparatosas e dignas de penalties a favor da elevação da besta a campeão.   

 

Não temais!

 

Ao vosso lado estão já jornalistas, actores, pivots e pevides. Nada há a temer, a não ser o avanço descontrolado daquilo que ameaça a testosterona capaz de dominar as feras soltas, de jubas ao vento e saias travadas e boas, mesmo a pedir que as alimentem, nas ruelas da vossa imaginação e nas ruas onde balançais o corpo másculo a caminho do mar.

Ai, que coisa mais linda!

Homens de todo o mundo, deixai a barba crescer.

Amaldiçoai a Gillette, candidata a castradora da liberdade de se ser mamute.

Lutai pela manutenção da tradição, da transmissão da ancestral forma de se ser um chimpanzé psicótico, insultando o chimpanzé e majorando a psicose.

 

Avançai, meus queridos!

 

A Gaffe sempre disse que quem retira a barba a um homem, lhe arranca ao mesmo tempo a pila.

Há que sentir musculado orgulho em conseguir viver com estes dois apêndices sozinhos.    

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A Gaffe de saída

rabiscado pela Gaffe, em 15.01.19

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Theresa May já tem um plano B.

É igual ao plano A, mas com mais whisky.

 

Ilustração - Miles Hyman

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A Gaffe escreve a Maria José Vilaça

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.19

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Maria José Vilaça, meu anjo,

 

Não pensava voltar a si, acredite, mas não consigo ficar indiferente às suas mais recentes intervenções, tão sacras, relativas à maleita da homossexualidade, depois de Ana Leal ter conduzido uma reportagem - que me provoca alguns solavancos e enjoos éticos - sobre o seu trabalho.

 

Suspeito, sua marota, que de tanto tentar estender o pálio anacrónico àquilo a que chama surtos psicóticos, provocadores de sofrimento e drama, está - como diz o povo -, a tentar fugir com o rabo à seringa, pois que ninguém sexualmente estabelecido – com casa e mesa e roupa lavada -, se preocupa tanto com a dor dos doentes que padecem de homossexualidade como alguém que tem periclitante a sua própria mobília.

 

Nem mesmo os homossexuais.

 

Interpelo-a por mera curiosidade.

Seria adorável que me descrevesse uma sessão daquelas onde inicia a cura da enfermidade que tanto a perturba e que tanto lhe desperta a vocação de milagreira que é coadjuvada pelo cura da esquina, ou pelo pároco do beco.

 

Começa por rezar o terço, ou vai directa à benzedura que exorciza o espírito do mal, alojado na pobre alma do seu paciente?

 

Encharca-o de orações e de xanax - não são a mesma coisa - ou dá-lhe tau-tau no rabinho?

 

Inicia o tratamento encaminhando o doente para o confessionário - apoio espiritual, como diz -, ou usa o método do reflexo condicionado, electrocutanto os testículos, ou os mamilos - caso seja lésbica a possessa -, dos pobres diabos sempre que lhes é mostrado uma das obras nuas de Mapplethorpe, doente que tanto  aborreceu Serralves, ou a página central de uma play-boy dos anos oitenta?

 

embora num primeiro vislumbre tal pareça, não são questões de somenos importância, pois que até me enche de curiosidade este último método como relaxante e superador das tensões dos outros. Dos outros, que eu sou, como a menina, muito altruísta.

 

Das suas respostas, minha tão informada artista, depende o bem-estar de milhões de pacientes que sofrem horrores, que suportam dores imensas, que vivem pesadelos, que são limitados por não terem ainda visto a luz e que esperam desesperados que haja vaga na agenda das suas consultas.

 

Esqueça, boa fada, aqueles que responsabilizam também gente como a Maria José Vilaça por muito do sofrimento a que tanto a menina quer dar fim.

São pecadores bipolares.  

 

Ilustração - S. Cracker

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A Gaffe de helicóptero

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.19

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A Gaffe está na ambulância do Dr. Peça acompanhada de um abraço urgente de compreensão e solidariedade.

A Gaffe também é só por terra. 

Não imaginam, caríssimos, o que as pás de um helicóptero conseguem fazer a um outfit!

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A Gaffe a lamber envelopes

rabiscado pela Gaffe, em 10.01.19

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A repartição dos correios está praticamente a explodir de gente.

Uma fila medonha de criaturas resignadas de retângulo de papelinho amarelo na mão olhando de quando em vez o número que lhes saiu em sorte. Tentam passar o peso do corpo de uma perna para a outra, mascando o tédio ou a impaciência enquanto vão erguendo a sobrancelha quando um olhar se cruza com o do vizinho.

 

À medida que o tempo se arrasta, manobrado com a lentidão dos vermes pela única funcionária, senhora oxigenada de lábios sumidos e sombra azul celeste nas pálpebras cansadas, as conversas baixas vão erguendo um burburinho morno e sonolento.

 

Ao meu lado, uma jovem mãe, moçoila robusta e de boas cores, de avantajadas e roliças curvas e mamocas redondas a asfixiar dentro da blusa justa, é puxada pela criança que tenta atingir a pequena estante onde estão pousadas bugigangas e alguns livros coloridos.

 

A menina é irritante, inquieta, irrequieta, impaciente. Não tem mais do que seis anos e é minúscula. Parece um rato desgrenhado e feio. É provável que se pareça com o pai, pois que a mãe tem a beleza alourada e florida das minhotas e uma sensualidade contida pela força das mansidões aprendidas ou impostas.

Não consegue estar sossegada. Procura tocar nos livros e nos tarecos de plástico em forma de bichinhos, com uma pequenina corrente para pendurar. A mãe agarra-a. Exige que pare, que esteja quieta.

 

A miúda desobedece.

 

Puxa-lhe a saia, agarra-lhe nas mãos, torce-lhe os dedos, cola-se-lhe às pernas. A mãe começa a desesperar, empurrando-lhe a insistência com um solavanco e um beliscão no braço. A criança continua mesmo assim. Quer desesperadamente um livro com dois ursinhos na capa. A mãe recusa. A menina ataca. A mãe nega. A menina teima. A mãe rejeita-a. O ratinho morde.

 

Creio ser só eu a observar a cena. Os meus restantes companheiros de infortúnio encetaram entretanto as conversas de ocasião com que esperam iludir a espera.

 

Dura há já algum tempo a embirração.

A criança dispara com um berro de repente a derradeira bala.

 

- Não dás? Não dás? Então vou dizer a toda a gente que lambes a pila ao pai.

 

Faz-se silêncio. Aquele que é o melhor. O absoluto.

Sinto que algures ocupando o espaço paira um búfalo morto e que toda a gente está ali para apresentar condolências à família.   

 

Ficou no chão um papelinho amarelo com o número que antecede o meu.

 

Já não tenho ninguém à minha frente.

 

Fotografia - Hong Jang Hyun

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A Gaffe persa

rabiscado pela Gaffe, em 09.01.19

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Reza a história que Soraya Esfandiary-Bakhtiari, a consorte do Xá da Pérsia - e não imperatriz, pois o título não existia por aqueles lados -, conheceu o marido em 1948, na Suiça, quando frequentava uma escola de boas maneiras.

 

Já comprometida com o Imperador, Soraya recebeu de presente um anel de noivado com um diamante de 22,37 quilates.

 

O casamento realizou-se no Palácio do Golestan, em Teerão, em 12 de fevereiro de 1951.

 

Embora o Xá tivesse solicitado aos convidados doações a instituições de caridade ao invés de presentes de casamento, o casal recebeu, entre outros mimos, um casaco de vison e uma escrivaninha com diamantes negros encrustados de Josef Stalin, um Steuben Glass - Bowl of Legends - projetado por Sidney Waugh e enviado por Harry Truman -, e castiçais de prata georgiana do rei Jorge VI.

 

Foram convidados para a cerimónia - e apareceram - 2.000 pessoas e o príncipe Aga Khan III foi delas o mais feio.

 

Foram usadas 1,5 tonelada de orquídeas, tulipas e cravos vindos de avião diretamente da Holanda.

Para entreter os convidados foram contratadas atrações internacionais, como um circo equestre de Roma.

 

A noiva usou um Christian Dior, prata, cravejado de pérolas e decorado com penas de cegonha marabu e capa de vison branco, o que a tornou de imediato persona non grata pelo PAN.

 

Marcelo ontem telefonou a Cristina Ferreira e amanhã o Goucha tem como convidado Alexandre Frota.  

 

A Gaffe odeia gente pobre.

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A Gaffe do Chef

rabiscado pela Gaffe, em 08.01.19

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É extraordinária a facilidade com que se abrem as ostras cor-de-rosa das notícias e se encontram pérolas de plástico quando nos dedicamos a saltitar pelos ditos e reditos dos nossos mais talentosos representantes.

 

A Gaffe encontrou o chef Avillez triste, choroso, mas sem deixar de revelar uma indignação muito sensata, a lamentar não conseguir estagiários dedicados a seguir as estrelas das suas manjedouras groumet, porque as escolas de onde partem não os deixam trabalhar mais do que oito horas diárias.

O menino trabalha, mas apresenta a conta, não conta.

 

Parvas.

 

A Gaffe não entende muito bem a necessidade de se trabalhar com extensões ilegais nos pratos que Avillez serve aos clientes - ou convidados, pois que gente de bem não tem preço -, porque se torna claro que um tachito médio de arroz sustenta as refeições de um mês dos entusiastas, tendo em conta os grãos que na porcelana se depositam, logo ali ao lado do traço de anchova e pitade de manjericão confitado e azeitona em óleo de carabitaté-tuparaté au feu.  

 

A verdade é que a Gaffe é rude e bronca. Prefere uma refeição que leva mais tempo a comer do que a nomear. Quem lhe tira um alguidar duriense de cozido à portuguesa, servido depois à doida num prato de barro com uma quadra ranhosa no fundo, decepa-lhe parte da vida. Não está, em consequência, qualificada para rabujar em relação à cozinha de Avillez, assim como não pode opinar acerca da cozinha molecular, pois que cuspiu - grosseira! - o ovo escalfado que levou duas horas a preparar. Não o chegou a engolir, porque sentiu que estava a pousar na língua uma lesma com uma overdose. Sem o saber e o sabor de experiência feitos, não se devem regurgitar postas de pescada.

 

Sente, contudo, que deve estar ao lado de Avillez nesta sua frustrante demanda.

 

É inadmissível que estejamos dispostos a pagar a estagiários ordinários, a aprendizes imbecis de feiticeiro, parte de um ordenado, contando que os Centros de Empregos paguem o restante, e sermos confrontados com estes minorcas e quem os tutela a recusar infringir a Lei, apenas por pirraça. É evidente que passados alguns meses, estes nojentos exigentes são substituídos por outros.

 

Há que baixar os olhos para as antigas senhoras lá de casa, gente dedicada e fiel, agradecida, capaz de se depenar e de despir a camisola - e em casos de necessidade o resto -, quando, anos a fio, tocávamos a campainha de serviço.

 

Pobre e inocente Avillez que ainda não percebeu que já se vai tornando difícil encontrar sopeiras como no antigamente das estrelas.

 

 Cartoon - G. Haderer

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A Gaffe e uma senhora lá de casa

rabiscado pela Gaffe, em 07.01.19

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A Gaffe reavalia seriamente o seu retorno ao facebook.

Esta rapariga perde constantemente o acesso ao que escalda e explode a cada passo no scroll das indignações desta rede social. Tem conhecimento dos factos com um atraso tão significativo que torna ressequida qualquer reacção mais comezinha.

Contudo, antes de reabrir a sua página, suplica a quem de direito que lhe defina, que clarifique, que torne facilmente perceptível e rigoroso o conceito de politicamente correcto.

 

Tudo porque a queridíssima Judite de Sousa publicou no Instagram uma foto - na apresentação da sua mais recente obra de bolso -, onde faz pose ao lado da mãe, da irmã e de uma senhora lá de casa.

A Gaffe não entende como se podem fazer cair em cima desta inocente legenda os pianos da maior dos choques e da mais temível das indignações. Não compreende como de imediato se concluiu que a senhora lá de casa era a senhora mulata. A Gaffe viu-se negra para admitir que sim, pois que no início tinha suposto que a senhora lá de casa era a idosa do lado esquerdo de Judite e, por exclusão de partes, a mãe e a irmã seriam as senhoras à direita da jornalista.

 

Depois, meus caros, não fica claro que Judite de Sousa tenha - ou não tenha -, sido politicamente correcta.

A legenda não permite concluir que a querida Judite tenha demonstrado resquícios de colonialismo ou esclavagismo, como foi dito algures num comentário mais ameno. É vertiginosamente precipitado - e bastante colonialista - concluir que a senhora lá de casa é a empregada doméstica. Ser-se mulata não está acoplado à condição de serviçal - a não ser nos manuais da Paula Bobone. A senhora lá de casa poderia perfeitamente ser a enfermeira que administra Xanax e Prozac a quem deles necessita, ou até a directora de imagem, responsável pelos outfits, da jornalista. Não é necessariamente a senhora das limpezas e afins e não tem de ser tratada como íntima da zona de novo-riquismo possidónio em que se move a nossa queridíssima vítima de linchamento faceboquiano.

 

Malgré tout, a D. Rosa, a senhora lá de casa, era mesmo a senhora mulata que faz limpezas e afins há mais de trinta anos nos passos e aposentos de Judite e que se tornou amicíssima da maravilhosa jornalista, pese embora não tenha sido nomeada simplesmente como tal, amiga do peito, ou de outra mais recatada região anatómica.

 

Não nos é permitido, contudo, acusar Judite de Sousa de falta ou de excesso daquilo que ainda não está bem definido - o politicamente correcto. Judite não se refere à D. Rosa como a preta doméstica que me faz a lida da casa pois que eu sou chique, ou a criada que até trouxe comigo, coitada, que trabalha como uma preta sem comer um croquete.

Não!

Chama-lhe a senhora lá de casa o que apesar de criar uma exagerada distância de segurança entre veículos de cores diferentes, não impede que se desloquem na mesma faixa rodoviária, se quisermos usar, só porque sim, uma metáfora com ligações ao trânsito - intestinal ou outro.

 

Judite de Sousa, meus amores, não é politicamente correcta, nem politicamente incorrecta. Fica a meia haste. É apenas o que se espera com uma previsibilidade desesperante de uma nova-rica com péssimo gosto para legendar no instagram.  

 

Se a Gaffe quisesse ser fotografada com a mãe e irmã, tendo Judite de Sousa como apêndice esporádico, a legenda poderia perfeitamente ser a Gaffe, com a mãe e irmã e com uma senhora que ninguém quer lá em casa. Não vem mal ao mundo, pese embora se continue a desconhecer se politicamente esta seria uma opção correcta ou se por incorrecta se tornaria digna de linchamento público.

 

Mais uma vez se realça que há que definir com precisão este conceito em nome de um mais profícuo e amistoso convívio faceboquiano. 

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A Gaffe escreve ao Manel Luís

rabiscado pela Gaffe, em 04.01.19

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Meu queridíssimo Goucha,

 

Antes de tudo quero desculpar-me por não retirar os óculos escuros enquanto a si me dirijo. Acredite que me sinto mais resguardada, não deixando nunca de perder a oportunidade de exibir o meu lado mais sombrio que contrabalança - sem ofuscar -, a sua esfuziante alegria. Uno este conforto à possibilidade de passar incógnita, irreconhecível, no seu programa matinal.

 

Escrevo para lhe expor a minha perplexidade, a minha curiosidade e o meu espanto. O menino surpreende. Não me refiro, é evidente, aos seus peculiares outfits, mas às manobras que executa para não se perceber o desespero que parece ter assolado a sua tilintante presença televisiva.

 

Como é lógico, lembrei-o numa entrevista sóbria que deu, de fato azul escuro, camisa de um alvura imaculada e gravata regimental, a uma senhora que me pareceu transtornada pela escolha – creio que Judite de Sousa. O menino primou pela verborreia e pelo desfilar impecável de todos os lugares-comuns que se possam enojar. Era o sambódromo da banalidade politicamente lavada e interminavelmente limpinha. Confesso que fiquei até ao fim à espera de ver surgir a pomba luminosa que aparentava habitar-lhe o coração. Foi uma desilusão ter vislumbrado apenas uma auréola pindérica colada à sua cabeça com saliva. Não convém, portanto, indicar o politicamente correcto como responsável pelo ruído que amanheceu consigo na TV e que posteriormente atingiu as redes sociais - mais uma vez de pavio curtíssimo.      

 

Admito que me irritou um bocadinho. Gosto mais do seu registo desafiador, irreverente e ousado e do seu histrionismo capaz de o levar a qualquer lado sem o menor escrúpulo e sem uma pontinha de ética para o apimentar, pese embora cubra estas misérias com um mal engendrado respeito pelo outro, acompanhado sempre por um lamento pio e solidário, uma revolta contra a injustiça e essas coisas todas boas e bonitas que tão bem sabe mimar. Suponho que estas características não lhe são impostas pelo dono de qualquer rubrica. O menino quer, o menino manda. Se o menino bate o pé, o menino tem.  

 

Repare, meu caro, que o considero um dos mais talentosos entertainers da televisão portuguesa o que é - mesmo que digam que cada estação tem o clima que merece e que cada público tem o que deseja -, façanha digna de registo e acredite que não sou uma velhinha entrevada e enfiada num lar apodrecido à espera de ouvir e ver relatos ilustrados e comentados de assassínios enquanto come a carcaça com manteiga e tenta esgotar a reforma nas chamadas de valor acrescentado que o menino não se cansa de sugerir. Sou uma petiza de boas famílias com um pecúlio razoável e, como tal, não quero deixar de o felicitar pela maravilhosa entrevista que fez a Mário Machado e pela sondagem da sua lavra que questiona se os seus leitores sentem a falta de Salazar - eu sinto. Há uns anos proibiram a colher de pau e o salazar corre perigo de extinção. A cozinha portuguesa fica cada vez mais depauperada. Estou consigo à volta dos tachos. Eu, e a Maria Vieira no facebook.

 

No entanto, meu caro Goucha, senti que o menino não se informou como deve ser acerca do moçoilo que tinha na frente. Mário Machado não é um rapazinho que fez apenas, há uns tempos, umas declarações polémicas. O menino teve um anjo protector por perto - provavelmente o mesmo que abençoa Teresa Guilherme -, logo ali em cima dos berloques da gravata. Foi um milagre não ter ocorrido um acidente e ter ficado com uma matraca ensanguentada enfiada no seu casamento.

 

Também não sou -  tal como diz que não é -, apologista do silenciar de vozes que arrastam perigos incontroláveis, eivados de populismo e de outros malefícios - que com certeza reconhece, porque provavelmente sofreu alguns durante a vida. Também não considerei bonito terem retirado o convite a Marine Le Pen para ser oradora naquela festa de finalistas de startups, mas convenhamos, meu caro Goucha, Marine Le Pen, apesar de tudo - e que se saiba -, não roubou, não tentou coagir ninguém, ameaçando gente - nem mesmo uma Procuradora da República! -, não detém armas ilegais, não provocou danos físicos a quem quer que seja, e sobretudo não esteve presa por se ter provado o seu envolvimento num assassinato. É só uma cabra de extrema-direita que pode balir livremente de forma a que se possa facilmente desmontar a bezoa.

 

Meu caro, não é de bom augúrio tentar lavar à força de lixívia o que deve permanecer porco e visível.

Marine Le Pen e o seu entrevistado - pese embora a afinidade e a proximidade -, são produtos para esgotos um bocadinho diferentes e temos de reconhecer que, nem o menino, nem a pobre Maria, aguentam as descargas de qualquer um destes intestinos sem um esbracejar patético, um nervozinho miúdo e pouqíssimo mais, ou mesmo nada.  

 

Caríssimo Goucha, retiro os óculos escuros finalmente. Serviram também para evitar o brilho das labaredas da fogueira que, mesmo ao longe, o pode queimar se continua a segurar um fósforo.   

 

Agora vá, meu caro. Tente controlar as audiências com outros meios, pois que se faz tarde e vai começar o programa gémeo do seu na estação rival.

 

Cartoon - G. Haderer   

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A Gaffe dos enfermeiros

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.18

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A Gaffe acha lamentável os enfermeiros - e as enfermeiras, pois que esta menina é politicamente correcta - terem cancelado a greve de dia 26, 27 e 28 do corrente.

Não é bonito terem perdido a oportunidade de ultrapassar a velocidade de cruzeiro os 100 – cem! – dias de greve num ano. Um record que se perde sem apelo nem agravo. Os deuses sabem o quanto este país é parco em nomes no Guiness.

 

É evidente que a Gaffe reconhece como válidas e justas as reivindicações destes profissionais, mesmo não as tendo aprofundado. Estão fartos de ser maltratados, agora também através dos esforços hercúleos e um bocadinho constrangedores de Marta Temido que não estabelece conversações com criminosos, mas que revela que lhe foi proposto pagar quinhentos euros por hora a um anestesista - o que é obsceno, por ser verdade. Neste lugar à beira charco, qualquer reivindicação é justa e de atender, tendo em consideração o lamaçal e a água putrefacta que foi e vai inundando o areal que desde D. Sebastião continua à espera de messias.

 

A Gaffe aplaude a classe dos enfermeiros e a sua Ordem - que se comporta como um Sindicato, raramente limitando as suas acções aos motivos que a originaram e às normas que a regem e liderada por uma senhora que não parece fiável, tendo em consideração a manobra que lhe aumentou brutalmente o ordenado - quando declaram que apenas as cirurgias programadas foram proteladas. As urgentes, são sempre realizadas, afirmam.

 

A Gaffe não entende muito bem como se consegue, num país em que as listas de espera entopem as entradas dos blocos operatórios, distinguir com clareza uma cirurgia programada por não haver lugar ou espaço para a efectivar nos dias posteriores à detecção do problema, de uma cirurgia capaz de aguardar longos meses a sua vez de ver a luz em virtude do paciente poder aguentar - e aguenta, aguenta - o mal pela raiz, até chegar ao caule ou atingir a flor e o fruto.

 

Seja como for, é curioso verificar que uma cirurgia - programada por não ser premente e depois adiada por apanhar no bloco a greve dos instrumentistas -, pode num curtíssimo espaço de tempo transformar-se numa cirurgia de carácter urgente.

Nessa altura, atestam, o paciente é operado.

Provavelmente, sim. Acreditamos que sim. No entanto a intervenção tornou-se então muitíssimo mais complexa, mais perigosa, com maior risco, mais longa e mais exigente, o pós-operatório adquire elevada perigosidade, e a qualidade de vida do indivíduo é abalada e diminuída drasticamente.

 

A Gaffe considera que, ante de mais, é a qualidade de vida dos pacientes que as greves dos enfermeiros, que a juraram preservar, cuidar e defender, estão despudorada e imoralmente a menosprezar e a desprezar, embora se alvitre, com uma certeza bastante asséptica, que com um número tão elevado de intervenções adiadas, casos de extrema gravidade que colocam em risco a vida das gentes – a curto, a médio e a longo prazo -, possam e devam estar a ocorrer.

 

Usar como comprovativo de poder e de força as millhares de cirurgias adiadas - não é possível deixar passar em branco o efeito dominó que estas situações vão provocar -, é apenas usar uma pequena parcela do acontecido. Falta contabilizar os milhares de pacientes que, por exemplo, deixaram de ser apoiados nas mais básicas tarefas e necessidades quotidianas - estamos não só a referir os cuidados de higiene geral, mas também a falar de WC, de fraldas, de algálias ou drenos vigiados com insistência de forma a evitar propagação de infecção, tratamento de feridas, substituição de pensos, ou até mesmo de deslocação ao domicílio do doente, ou da deambulação do paciente com apoio especializado - que deixaram de ser realizadas.

 

A qualidade de vida dos doentes hospitalizados baixa tenebrosamente.

 

A verdade é que não existe qualquer razão - que não se torne um atentado aos direitos do cidadão -  para retirar aos enfermeiros - ou aos médicos, já agora leva-se tudo a eito, que tudo está à mão de semear - o direito à greve. No entanto, seria amoroso que esta classe profissional repleta de justezas e com mais que rectas reivindicações, encetasse outro tipo de luta que não colocasse em causa a qualidade de vida dos indivíduos doentes a necessitar de cuidados especializados.

A mobilização maciça da sociedade civil, por exemplo, seria alternativa viável, bastando para tal que os profissionais em causa se dispusessem a esclarecer, a alertar, a despertar, a motivar, a solicitar o apoio, a solidariedade e a compreensão dos que sabem, porque sentem na pele e no resto do corpo – seu ou do muito próximo - que um doente é exemplarmente cuidado pelos enfermeiros nos Hospitais portugueses adstritos ao Serviço Nacional de Saúde - com exepção dos serviços de ortopedia, onde todos parecem brutamontes saídos do Hades, credo!

 

Parece evidente que esta mobilização solidária embate com o enraizado quem quer que se cuide e não colhe frutos quando está em causa a causa dita alheia, mesmo quando essa causa nos toca por motivos trágicos, mas de través.  

 

Era mimoso ver na rua de cartaz ao peito, palavras de ordem na estrada, a lutar pelos enfermeiros, todos os familiares dos doentes internados, com a certeza de que os seus sofredores continuavam a ser cuidados com a qualidade extraordinária que é característica da esmagadora maioria dos sofridos pelos quais se manifestam.  

 

Era bonito. Cheirava a Timor mais pequenino.

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A Gaffe trabalhista

rabiscado pela Gaffe, em 20.12.18

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Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista inglês, cuspiu em surdina, em plena Câmara, um stupid woman em direcção a Theresa May. Minutos mais tarde, mente, negando o sussurro e proclama que jamais quis ser sexista ou misógino.

 

A Gaffe não considera que o honrado cavalheiro tenha sido coisa tamanha.

Não foi.

Corbyn foi apenas grosseiro e mal-educado, aliando estes mimos ao facto de não cuidar da pele e da higiene dentária.

 

Os honrados cavalheiros que a Gaffe conhece - e conhece vários -, não são sexistas, misóginos ou machistas. São educadíssimos, cultos e letrados, lavam os dentes, cuidam da barba e da pele, são donos de um capital simbólico e de um carisma incontornáveis, consequência também do facto de não possuírem rasto de Jeremy Corbyn a toldar-lhes o discernimento e de serem genuinamente elegantes.

 

O sexismo, o machismo e a misoginia são apanágio de homens pobres.

 

A Gaffe considera, no entanto, que a tríade reúne conceitos hipervalorizados.

 

Uma rapariga esperta sabe que as manifestações do grotesco masculino podem e devem ser rentabilizas e reorganizadas a seu favor.

Apoiemo-nos num exemplo simplicíssimo. Um clássico:

É uma delícia termos a possibilidade de observar um matulão, um macho, um bigodaço, convencidíssimo que somos incapazes de mudar um pneu, a suar apoplético, tentando desapertar aquelas coisas que prendem a roda ao motor. Quanto mais parvas e deslumbradas parecemos, mais o homem se esforça. Quanto mais imbecis e frágeis nos mostramos, mais o rapagão se estimula. Quanto mais estereotipadamente femininas conseguimos ser, mais o papalvo nos trata como princesas inúteis de conto de fadas, dotadas apenas para o esvoaçar etéreo do não fazer nada.

 

É evidente que desconhece que uma rapariga esperta não muda um pneu. Troca de carro.

 

Theresa May é - não duvidemos, pese embora dela possamos discordar -, uma rapariga espertíssima. O facto de ter sido apanhada a dançar para inglês ver, não o atesta, mas o sinistro ocorreu quando a moçoila tentou, infeliz, imitar os seus congéneres todos machos e muito propensos a bailar com o povo quando querem muito ser depois maestros. May perante a deselegância, a grosseria e a má educação do opositor - permitindo que o olhassem como sexista e misógino -, resolveu ler em silêncio, assistindo do meio das folhas à derrota do seu adversário. Percebeu naquele instante que o homem tinha alterado drasticamente o foco do debate onde corria perigo.

 

É que ler ajuda imenso. 

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A Gaffe da lamúria

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.18

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A Gaffe diverte-se imenso quando ouve um rapazinho bramindo ofendido que agora não se pode fazer nada a uma mulher.

 

Meus queridos, quando é que vos foi permito fazer tudo?

 

Ilustração - Celia Calle

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A Gaffe espanhola

rabiscado pela Gaffe, em 13.12.18

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O queridíssimo António Lobo Antunes declarou hoje - imagine-se, logo hoje que a Gaffe está tão indisposta! -, lamentar que Portugal e Espanha não sejam o mesmo país.

 

A Gaffe culpa a Catalunha de 1640 pelo desgosto de Lobo Antunes. Não fosse a barulheira catalã - uma piolhice! - que estourou nos excelsos dedos de Filipe IV, Sua Majestade não teria de optar entre a região mais rica e a mais pindérica do reino. Atirou-se à primeira, pois que um rei não tem só a coroa para compor o outfit e os brincos, os alfinetes, as medalhas e colares já tinham deixado de crescer nas caravelas.   

 

A Gaffe acha parola a indignação dos mais que muitos.

- Lobo Antunes é um escândalo – rasgam-se livros.

- Morte ao traidor! – aproveitam os desfesnetradores.

- Mântua para rua, que o povo continua! – ou outra maçada qualquer a rimar.

 

Este complexo de inferioridade português inflama-se e incendeia as hostes patriotas, de forma tão medíocre e patega, sempre que alguém estica um fósforo de um dislate, um desconchavo de um pirolito, ou sopra à toa uma laracha mais ou menos exibicionista, ou mais ou menos provocadora, que revolve o quintal à beira-mar. 

 

António Lobo Antunes lamenta que Portugal e Espanha não sejam o mesmo país.

O facebook desata aos berros, o twitter aos gritos, os blogs aos urros e a D. Teresa estrebucha histérica no túmulo - pois que tanto lhe custou arrancar o dote à unha do pai -, sem primeiro se ter a delicadeza de resguardar Letízia da poderosa onda de choque.  

 

Se o homem queria muito que os dois países fossem um, pois que continue a alimentar desejo e dor. Não faz grande mossa.

A Gaffe, francamente, preferia ser dinamarquesa. Ou viscondessa, vá.   

Ilustração - Jean-François Segura

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