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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe embruxada

rabiscado pela Gaffe, em 31.10.19

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A Gaffe - uma cabeça no ar! - não se deu conta da manigância da data de hoje e esqueceu por completo que a sua reserva de rebuçados está há muito esgotada.

Desprevenida, mas sempre abnegada e com clara propensão para o martírio, vai com certeza ver-se obrigada a ser ela a goluseima.

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A Gaffe toda pia

rabiscado pela Gaffe, em 25.10.19

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In Good we trust.

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A Gaffe rancheira

rabiscado pela Gaffe, em 14.10.19

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É divertido procurar adivinhar a actividade ou a profissão de um homem através dos acessórios que usa. 

No entanto, não são raras as vezes em que me engano de forma crassa e sem remédio. Distraio-me muito com as paisagens que avisto ou adivinho e a única actividade que decifro é sempre aquela que mais me dá prazer. 

Neste caso, não há que enganar. Basta que me lembre do fácil trocadilho que cavalga por aí, de freio nos dentes e à rédea solta:

Poupe um cavalo, monte o cowboy.

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A Gaffe radical

rabiscado pela Gaffe, em 20.09.19

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Após pesquisa, com carácter científico, como não podia deixar de ser, conclui que os blogues dedicados a rapazinhos nus ou quase nus, todos em excelente forma física, proliferam como moscas no Verão ou pulgões na praia. 
Aquilo é só clicar que nos aparecem biliões deles com fotos para todos os gostos e feitios.

 

Também os há com meninas - não sei como, mas neste contexto a palavra meninas não soa muito bem - que nos fazem desejar ser todas lésbicas, mas confesso que sou muito mais exigente em relação aos dos rapazes.  


A verdade é que se começa a ter uma certa dificuldade em eleger as melhores fotos. Isto porque os meninos e as meninas aparecem em poses que deixam muito a desejar ou arranjam cara de se me apanhares, levas-me para onde quiseres que eu deixo ou posições de eu sou bom como milho – ou boa, dependendo do cereal - e tu não vales uma baga de gogi ao meu lado ou ainda, e estes são mais vulgares, ai que acordei e tenho o rabinho ao léu. Depois há os títulos que são do melhor: Vermelhas em carne-viva; Marinheiros escaldantesDuas estrelas e um sonhoOs bravos do "pilotão" ou ainda Para acordar no paraíso.


Confesso que ainda procurei uma imagem que me agradasse para a colocar aqui e dar um ar gaiato a esta depravação, mas depressa desisti.

 

Ninguém tem paciência para aquilo!

Aquela gente não anda na rua. Nunca me passou pela frente um homem a puxar as calças de modo a que se lhe veja a indumentária mais íntima ou o tridente de Neptuno e nunca encontrei no metro uma rapariga com a barriga para dentro, colada à coluna, maminhas e rabo para fora, agarrada ao varão, embora no metro já tenho visto de tudo.

 

É desolador.

 

O mais próximo que estive dum modelo daqueles foi na semana de moda em Paris, quando um matulão, com um ar de italiano que quase me fez tinir o cérebro, se abeirou de mim todo sorridente para me perguntar se sabia onde se podiam comprar maçãs. Eu saber, até sabia, mas aquilo era fruta a mais para os meus dentes. Engasguei-me toda e encolhi os ombros como quem não faz ideia do que o bonitão queria.

Tão idiota que eu fui!

Se não me tivesse apanhado de surpresa, com dois sacos de plástico cheios de pacotes de arroz, massa, farinha e uma garrafa de azeite, dizia-lhe facilmente onde estava a fruta.  

 

Voltando ao assunto, que tristezas não nos pagam o gás.

Da minha investigação resulta um facto: estes mocetões e estas mocetonas estão ali, de rabo ao léu e cara de carneiro que vai ser imolado e já está bêbado para não sentir, só para nos humilhar. Não pode ser outra coisa. Então aqueles frascos existem e nós temos apenas as amostras, ainda por cima sem aquelas tampinhas?! Então aquela gente anda por aí e nós só temos direito a um algodão sem graça nenhuma e que nem sequer é egípcio - exótico, vá?! 

Mas acima de tudo: então eles e elas estão ali, lindos de morrer e sãos como pêros, e nós passamos olheirentas, com a borbulha a cintilar e o pêlo encravado, sem hipótese nenhuma de nos sentirmos sensuais mesmo de peluche enfiado no decote ou tacões agulha cravados nos paralelos?! 


Que se danem todos.

Decidi hoje não publicar uma foto de gente que até de cuecas ronhosas é humilhante para o populacho.

 

Nestas coisas sou uma rapariga de esquerda radical: ou come tudo ou ficamos por aqui.

 

Actualização - Especialmente para a Sarin. Depois de nos digladiarmos com os floretes dos comentários, uma espada antiga e rara – já com 56 anos! – que todas gostaríamos de empunhar.... 

 

 

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A Gaffe religiosa

rabiscado pela Gaffe, em 29.07.19

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A Gaffe costuma irritar-se com os ditados populares. Geralmente encontra-os incorrectos e impossíveis de generalizar.
 

Admite, no entanto, que o famigerado O hábito não faz o monge contém alguma verdade no interior dos seus panos franciscanos.

Olhando para a rua acalorada, a Gaffe verifica que há monges despojados que a fazem estremecer, de joelhos nas lajes do convento, sentindo, corando, o desejo de ser ela o hábito desfolhado que o monge vai cansando de orações.  

 

Na foto - Bruno Gagliasso

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A Gaffe no hipermercado

rabiscado pela Gaffe, em 23.07.19

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A Gaffe odeia hipermercados, mas admite que se pode preencher lindamente a despensa na secção dos frescos do Continente.

 

Acredita que na Madeira e nos Açores os carrinhos podem comportar produtos idênticos, mas, segundo dizem, são mais resistentes e mais duros – mais insulados -, embora uma rapariga esperta saiba que é tudo uma questão de se introduzir a moedinha na ranhura certa.    

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A Gaffe laureola

rabiscado pela Gaffe, em 02.07.19

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Brota do chão o sol como das ânforas. Erguido a pique trepa sequioso à fronteira da água, ao bordo dos espelhos, para sulcar no curvar do corpo, Daphne, a mais pequena folha do loureiro.

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Fotografia - Gerardo Vizmanos 

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A Gaffe abre a época de caça

rabiscado pela Gaffe, em 14.06.19

 

Está a chegar o Verão, meus rapazes, e com ele os sensualíssimos desportos náuticos e, para nós, a abertura oficial da época de caça.

Sejam uns queridos e não usem aquelas coisas larguíssimas, coloridas, floridas, riscadas e repletas de logos, com cordelinho de algodão na cinta e quase a tocar nos tornozelos.

 

Transformem-se nos homens que queremos como bússola. Desgrenhados e barbudos, de blusões de malha azul a ofuscar o mar, sonhadores e solitariamente mentirosos. Sejam flaneurs aquáticos de calções justos no início das coxas e troquem a prancha da piscina por veleiros ou façam com que acreditemos que o conseguem.

 

Quem se importará de vós, depois do Verão?!

 

Sobretudo, meus queridos, arranjem uma luxação num pé! Pode ser mito, estereótipo, léria e ladainha, mas, no fundo de cada rapariga, há sempre uma enfermeira em sentinela, pronta para vos cuidar.

 

No Verão, meus queridos, somos todas tão despreocupadamente inteligentes!

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A Gaffe no buraco

rabiscado pela Gaffe, em 11.04.19

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A Gaffe não entende o alarido que borbulha em redor do buraco negro.

 

Espanta-se com as lágrimas de comoção vertidas perante a fotografia de um donut encontrado num qualquer local perto de si, com telhado de amianto, quando a cada passo nos cruzamos com Maria Leal - ou com Cavaco Silva, pois que no último clip da boneca as duas coisas não se distinguem, uma da outra, com nitidez.

 

O único buraco negro que ainda consegue abismar a Gaffe é o do governo que vai chupando a família socialista, ou o muito meteorológico com saudações à Primavera, visível em milhares de blogs e de páginas do Facebook.

 

Pelo sim, pelo não, a Gaffe decide plantar nas suas avenidas imagens bem mais aprazíveis de outros buracos que nos sorvem a paciência - e a beatitude zen - e aproveita o ensejo para desejar as amigas - e a alguns dos seus mais queridos amigos - aquele Verão exactamente como deve ser absorvido.

 

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Welcome summer!

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A Gaffe dos 95 anos

rabiscado pela Gaffe, em 03.04.19

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Hoje, 03 de Abril, é o dia de aniversário de um dos mais belos animais do planeta.

Todos os superlativos se adequam a este bicho incrível e absurdamente completo.

Depois dele, nada mais se criou para figurar na capa do catálogo onde os Deuses revelam as suas obras mais perfeitas.     

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A Gaffe com um Reality Show

rabiscado pela Gaffe, em 12.03.19

Reality show

 

A Gaffe ainda não se lambuzou com os dois novíssimos bombons das televisões privadas que estão a fazer com que quem come e quem não come - e sobretudo quem diz que nunca comerá e passa o tempo todo a mastigar -, parta os pratos, rasgue vestes com os garfos e fique careca de tanto arrancar à faca todo o cabelo indignado.

 

A Gaffe ainda não teve tempo para espreitar o que se passa. Sabe apenas que há estrume, pois aquilo tem agricultura, e sabe que há meninas - a palavra adquire neste contexto valores semânticos curiosos.  

 

Esta rapariga esperta, com o objectivo de aumentar as suas audiências, decidiu acompanhar os tempos que correm e criar uma pequena rubrica que contará com a contribuição preciosa de quem também não lê, de todo, estas porcarias:

 

Fazia-o à primeira vista

 

Minhas amigas, a Gaffe está pronta a receber os concorrentes que cada uma está disposta a patrocinar e arranca desde já com o primeiro - um canhoto, convém sublinhar, só porque sim -, que, pertencendo ao animatógrafo, pode perfeitamente inspirar e expirar o vosso voto. Aspirar, arejar, sacudir e dar ao ferro.  

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A Gaffe enfermeira

rabiscado pela Gaffe, em 01.03.19

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Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas o menino, Senhor,
porque lhe dais tanta dor?!…
Porque padece ele assim?!…

 

Uma rapariga fica comovida perante estas imagens lavadas em lágrimas de sofredores inocentes e por muito que reconheça que há muito menino com um instrumento capaz de resistir às agruras do destino, há outros com um utensílio que desperta de imediato o nosso reflexo Madre Teresa.

 

Nada nos impede de tratar do dói-dói destes últimos - os outros que esperem! - e mesmo furando greves, mesmo tendo de largar o cartaz, mesmo desistindo da progressão na carreira, mesmo abdicando doa requalificação, mesmo desobedecendo às ordens do Sindicato ou às do sindicato da Ordem, transformamo-nos nas melhores enfermeiras que qualquer apetrecho mais triste poderá encontrar.

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A Gaffe dos ...ões

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.18

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Caríssimos,

A Gaffe reconhece que se aproxima o Natal.

A Gaffe admite que esta quadra é propícia a desilusões, a frustrações, a aflições, a decepções, a apreensões, a preocupações, a inquietações e a apoquentações, pois que os rapagões nunca acertam nas escolhas que fazem.

 

A Gaffe propõe nesta data que os matulões nos ofereçam livros.

 

Podemos não os ler, por serem Trumpões, mas sempre nos distraímos a imaginar terminações.    

 

 

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A Gaffe violadora

rabiscado pela Gaffe, em 16.11.18

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Na Irlanda, pedaço de bela terra que - em simultâneo com a Escócia -, apaixonou a Gaffe irremediavelmente, coexiste ao lado das mulheres uma quantidade assustadora de australopitecus.

 

Alguns deles são mulheres.

 

Em cada pub de esquina, urbana ou nem por isso, bolsar misoginia, machismos tacanhos e preconceitos bolorentos eivados de testosterona, não é de todo raro. Os irlandeses são, ao contrário do que se possa acreditar, genuinamente imbecis e raquíticos no que concerne à mais ténue e diáfana manifestação de feminismos, quaisquer que sejam, sérios ou parvos, sóbrios ou ébrios, reais ou escanifrados, respeitáveis ou desvairados.

 

A sentença que iliba um homem do crime de violação, alegando, entre outras barbaridades, que a vítima estava na altura do sucedido a usar cuecas fio-dental – uma coisa horrível que se mete nos dentes de trás e que incentiva ataques de trogloditas -, não é chocante numa Irlanda repleta de charutos mentais fumados nos grosseiros quintais dos preconceitos medievos. Não é de arrancar cabelos saber que o ronco escrito em letra oficial foi emanado por uma Meritíssima. A Irlanda é, neste aspecto, muito amiga da Relação do Porto e das suas sentenças em casos similares.

 

A Gaffe começa a amortecer a indignação relativamente a estes casos. Sabe - porque lhe disseram, que esta rapariga é de boas famílias e não pisa estrume - que uma pocilga só  medra - ou merda - se os porcos forem alimentados com detritos alimentares, restos, coisas velhas quase podres, tudo mesmo fora do prazo de validade. Parece que depois, isto tudo digerido, dá toucinho, presuntos, rojões e coisas imensamente salgadas que provocam hipertensão e matam imenso.

 

A Gaffe propõe a todas as meninas um desafio.

 

Cada uma de nós vai poder escolher aqui o menino que vai violar, tendo em conta o pacote - de roupa, ou outro qualquer - com que tenta esconder o que nos deixa dementes.

 

A Gaffe exclui da lista o educadinho, pois que já o marcou como seu.

 

Não se preocupem, minhas queridas, estamos a salvo, desde que arguamos que o rapaz, na altura do alegado acontecimento, estava a usar arames nos dentes, que é coisa para nos levar a uma loucura sadomasoquista.

 

 

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A Gaffe barbuda

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.18

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Para a Pequeno Caso Sério

 

Quando Chanel responde a uma rapariga pouco esperta, que indaga onde deve aplicar o seu perfume, com a ardente frase onde quiser ser beijada, está notoriamente irritada.

 

Na composição de todos os perfumes existem elementos que são adversos a determinados locais onde queremos ser beijadas. Não é conveniente perfumar os nossos segredos e jamais se poderá aromatizar os nossos desejos mais marotos sem correr o risco de os sentir a arder.

 

Deparamo-nos com situação idêntica quando falamos da barba.

Onde a podemos aplicar?

Responderíamos, como Chanel, onde gostaríamos de ser beijadas?

 

A resposta depende imenso da envergadura da pilosidade.

 

Uma barba pouco densa e curta é sempre bem acolhida em todos os lugares que perfumamos. Apesar do atrito, não corremos o risco de a ver abrasar as nossas geografias dos aromas e, mesmo arranhando, há sempre panaceias apensas ao culpado. Basta que saibamos encontrar o antídoto nas margens que ficam isentas de pregos e estiletes.

 

A barba densa, poderosa e vasta, coloca alguns problemas de locomoção. Podendo ser crispada, não desliza suave nos perfumes e implica o uso de uma bússola, controlando o Norte e Sul das viagens encetadas onde queremos. Se aflora apenas o desejo, pode obrigar a um controlo mais firme do riso que provoca o seu tocar nas planuras mais dadas a divertidas cócegas.

 

Como um perfume, a barba pode não ser fácil de aplicar em todos os lugares que queremos sentir beijados, mas podemos sempre escolher o lugar onde um beijo nos chega com o atrito de um perfume.

 

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