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Ilustração - Fernando Vicente


Redacção da semana: A gente bonifrásica

rabiscado pela Gaffe, em 11.07.19

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Hoje vou falar dos africanos da dona Fátima Bonifrásica. A dona Bonifrásica é uma senhora muito inteligente e que escreve nos jornais e qu’às tantas tem um blogue na plantaforma do Sapo derivado aos ciganos. Parece que a dona Bonifrásica de tanto estudar ficou assim a modos que xexé que é uma coisa que as pessoas ficam quando são obrigadas a fazer trabalhos de casa e não os fazem assim como eu mas que quer muito dar nas vistas e assim já não é como eu. Vai daí mete os africanos todos num esgoto e diz-lhes das boas. Se a dona Bonifrásica não vai lá com merdas velhas da história há-de ir borrando-se em fresco na estrada. Um trabalhão que aquilo a bem dizer ainda são muitos milhões de pessoas para enfiar num esgoto. É que não interessa nadinha o senhor Madre Lutre Quim o senhor Mandala ou até os Gipsis Quingues que a minha prima gosta tanto ou até o senhor Gande que não é preto mas também não tem grande cor. Vai tudo a eito que são todos uns palhaços assim a atirar para o tolinho e burros salvo seja e sem amar a Jesus e prontos a arranjar encrencas uns com os outros que lhes está no sangue. Para dizer a verdade eu não percebi muito bem o casqueiro em que a dona Bonifrásica se meteu. Aquilo foi um vê se te avias de gente a dizer mal da dona Bonifrásica. Quase que a matavam. Tudo gente muito enervada, a chamar-lhe rancista e outros a chamar-lhe rançosa. Não sei muito bem o que é rancista mas sei que o que é rançosa e senti um cheiro a ranço na dona Bonifrásica que nem vos passa. Também havia gente a dizer que é que sabia como se devem tratar os pretos e os ciganos qu’isto já não é as colónias que eram e que agora os pretos e os ciganos entram na escola da dona Bonifrásica nem que não queiram porque vai haver cotas que são velhos que estão sempre a fugir dos lares e que depois são amarrados às camas. Nos entretantos os pretos e os ciganos ficaram muito sentadinhos a gozar preto como diz a minha avó que é uma macaca nestas coisas a ver no que aquela balbúrdia dava que ainda sobrava para eles. Os brancos bonifrásicos já estão muito habituados a fazer sobrar para os outros o que não querem para eles. Quando um branco bonifrásico se mete a discutir com outro como se há-de tratar os pretos e os ciganos quem se lixa é o mexilhão desde o tempo em que o bicho andou pela terra dos africanos. É um vício que a gente branca bonifrásica apanhou. Pior qu’a droga que os pretos da dona Bonifrásica andam a vender. Aparece um preto e ZÁS aparece um cigano e ZUMBA os brancos bonifrásicos sabem sempre como se deve tratar deles porque sabem como eles são e tudo o que eles querem mas só que não dizem que são uns calaceiros sempre prontos p'rá chapada. Olha ao menos já não é a chicote. Eu não vejo diferença entre a dona Bonifrásica e um preto e um cigano mas eu só dei uma vistinha de olhos por uma coisa chamada Declaração Universal dos Direitos do Homem que a minha mãe me mostrou na biblioteca. Lá não fala nas diferenças que a dona Bonifrásica disse que havia. O problema é que se por exemplo metermos o senhor Cofe Anã e o Ricardo Quaresma ao barulho a dona Bonifrásica mal comparada fica pior que uma preta igualzinha aquelas que ela pensa que as pretas são. Eu até acho que é tudo cansaço. A gente anda a precisar de férias num lugar sossegado assim como o Alentejo para não ouvir o barulho que a dona Bonifrásica faz a borrar-se toda. Vou colar ali em cima uma fotografia do Alentejo mas sem as tripes da donazinha Jardim que anda a cheirar o que não deve há muito tempo e a esticar a linha. A donazinha Jardim de tanto puxar aquilo para cima ficou com pêlos nos miolos. Deslocou o cu e o pipi. Se houver ciganos no Alentejo a gente mete um sapo à entrada. Pode ser um daqueles que os os pretos estão acostumados a engolir que não faz falta. Eu gosto muito da dona Bonifrásica não desfazendo o jardim qu’às tantas as velhas ainda me dizem também para onde hei-de ir.    

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Redacção da semana: As beatas

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.19

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Hoje vou falar daquela lei que não deixa atirar beatas para o chão e que deu muita eczeuma que é uma comichão que a gente tem quando apanha carraptos no mato e pega aos outros. A lei foi escrita por uns senhores do parlamento familiar que defendem os animais nossos amigos e que dizem que a gente deve usar coisas naturais para evitar ter filhos que é uma coisa que até se ensina no parlamento familiar não desfazendo. Os senhores chamam-se PAN que significa em pequenino Partido dos Animais Nossos Amigos. Falta um A no fim mas ninguém liga e quem sou eu para os avisar. Ora a lei que não deixa atirar beatas ao chão foi uma alegria para a minha avó que acha muito bem porque como o mundo anda quem é que as levantava depois. A minha avó até se ajoelhou a dar graças a Deus e prometeu ir a Fátima a pé mas de rastos. Assim como assim já ninguém a vai atirar ao chão que ela já lá está mas cada uma é como é e ninguém tem nada com isso. Aquilo ficou em águas de bacalhau todas entupidas porque a minha avó ouviu na rádio o senho Bispo de Fátima a berrar contra a lei que parece que tira muito movimento no dia 13 de Maio na Cova da Iria ali para os lados de Ourém. Uma pessoa nem sabe para que lado se há-de virar. Se é bem feito as pessoas não atirarem as beatas ao chão que hoje em dia ninguém as levanta também não é bonito deixar de dar esmolas aos santinhos que viram o sol andar às voltas para lá e para cá mas em bom e não como o meu primo Zeca que a gente nem sabe o que ele vê às voltas quando o mal do alcoolista o apanha à Sexta-feira à noite que é o dia dos santos populares que cheiram a sardinha assada mas a gente nem nota porque já está habituada à minha prima Idalina quando vem da ginástica e em que anda à roda o demónio na discoteca onde saiu um disco novo da dona Mandona que isto é como a gente sabe quando uma pessoa vai para velha fica a sofrer da coluna. Quem não achou piadinha nenhuma à lei das beatas foi a minha prima que se pôs a berrar que deviam mas era andar a apanhar o lixo que há nos montes e nas bermas das estradas que dão incêndios e picam o cu quando a minha prima está no escritório dela a trabalhar. É que ela diz que nem pode com a caruma dos pinheiros e dos calipos enfiada nos dentes de trás. Eu a bem dizer sou como a Fátima Campos Ferreira não sou nem contra nem a prós das beatas no chão. Acho bem pois que acho. Uma beata também tem direito à vida como os animais nossos amigos mas ao mesmo tempo era bem feito para as putas das velhas aprenderem a não se meterem à frente nas bichas dos hinpermercados ou nas bichas para comer as hóstias que elas apanham sempre as que estão primeiro e a gente mais pequena fica com as que colam no céu da boca e passa o resto da missa a meter lá a língua para ver se sai mas aquilo não descola que não é como as beatas que um empurrão e tumba a gente livra-se delas. Agora não se pode que pagamos multa. É isso é andar a pescar pessoas no mar lá para os lados de Itália. Aquilo é proibido e quem atira nem que seja um balde a ver se apanha uma ou duas pessoas a boiar vai preso que isto não é o tempo de antigamente que tinha o senhor Sousa Mendes muito boa pessoa não desfazendo que também andava a pescar pessoas onde não devia e a brincar a brincar ficou na miséria que até foi menos mal que nem foi preso nem nada que aquilo era uma boa vai ela. Agora pia fino e a gente tem de respeitar as cotas da europa na pesca. Agora vou colar ali em cima uma fotografia da minha família no feriado do 10 de Junho para vocês verem que a gente é muito assim pró moderno. Andamos todos à procura de beatas mas não havia que estavam todas a tirar selfes com a dona Assunção Cristas. Assim como assim e já que lá estávamos apanhamos umas coisas da colecção do Bernardo que vieram a boiar da garagem da Madeira.  

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Redacção da semana: o meu desenho que é uma colagem

rabiscado pela Gaffe, em 06.05.19

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A minha professora está com muitas dores de cabeça e mandou-nos fazer um desenho. Quando a minha professora tem dores de cabeça a gente dá ao lápis que assim não a chateia. É como nas passadeiras. A gente mete lá cor e fica logo tudo muito includido lá dentro e a deixar que as pessoas com pila casem pessoas com uma pila ou que os pipis façam o mesmo. Quem não tem jeito para desenho pode cortar revistas velhas e colar no papel que também fica bem não desfazendo. Eu gostava muito de colar umas coisas que lembrassem a actualidade assim pró moderno mas só encontrei a fotografia do senhor doutor Carlos César com a família e aquilo é mais antigo do que a Sé de Braga que a gente vê por um canudo desde que não seja o do senhor doutor Relvas ou o da menina da juventude socialista que aí a gente fica cega. A bem dizer também não está mal porque o senhor doutor Carlos César foi o primeirinho a dizer que o senhor doutor Costa ia embora. Por acaso o senhor doutor Carlos César estava muito nervoso e não é para menos que se o senhor doutor Costa vai embora a família do senhor doutro Carlos César fica desempregada e parecendo que não é sempre um desarranjo. Disseram lá no Edicíclio que a senhora doutora Cristas e o senhor doutor Rui tinham-se juntado aos terroristas e isso é coisa que não se faz no governo. A bem dizer não valia a pena a gente ficar nervosa que aquilo foi como os bancos fizeram ao senhor Coutinho dos automóveis e disseram que ele não devia nada porque o que devia assim como assim já ninguém pagava ou então como o senhor Bernado que vai pagar com uma garagem de merda lá pró fim do mundo a comida que andou a congelar numas arcas frigoríficas muito bonitas que guarda numa casa a atirar para o museu para a gente ver e calar que ali ninguém toca. A minha prima é que ficou com mais nervos porque comprou à vista um quadro nos chineses com umas maçãs chamadas naturezas mortas muito bonito por sinal que aquilo nem parecia que as maçãs estavam falecidas e diz que foi uma estúpida porque podia primeiro ir pedir o dinheiro àquele senhor que era chefe dos bancos que é muito esquecido que a tinta do cabelo desce para os miolos e a gente fica com as lembranças todas borradas e depois com o dinheiro que sobrasse comprava a quinta da bacalhoa que é onde vive a Ana Bacalhau que é a cantora que canta ó meu rapazinho és fraco para mim que é uma canção que o senhor doutor Costa anda a cantar há muito tempo sem que a senhora doutora Cristas que é muito podologista das mulheres perceba que também é para ela porque só lá está rapazinho e ela é menina e não há igualdade de géneros no Continente só na Madeira. No Continente cada um compra o que precisa e enche o carrinho como pode que a mais não é obrigada sem se esquecer de dar um saco de arroz à dona Jonete. A minha avó ficou farta da choraminguice da minha prima e até lhe disse ai cala-te mulher que me cansas a beleza. A minha avó deve ter a beleza muito cansada que ninguém a vê há mais que tempos e deve pedir a alguém que lhe pique o ponto e vai dormir. O meu primo Zeca diz que é tudo uma grande treta que ninguém fez aquilo para levar a sério valha-me Deus e que a gente só ficava a saber que a minha professora ia ser descongelada mas era só para meter no frigorífico que o gás está caro e quem quiser frango assado que vá à Caixa que tem torresmos e carvões a dar com o pau do churrasco que sobrou do senhor Bernado. Ora porra que aquilo era só para fazer de conta que a senhora doutora dona Cristas e o senhor doutor Rui eram fixes e solindários com as classes baixas da escola assim do tipo pré-primária que é toda morcona. Já o meu pai é como o senhor doutor Mário Nogueira. Aproveita a nozes que caem ao chão e diz que foi ele que lhes deu com um pau. Anda mas é muito preocupado com as eleições da Europa e não liga muito a estas coisas dos congeladores que se desligam mas que não se abrem e a comida fica lá na mesma. O meu pai por causa da Europa nem consegue dormir só a pensar que o senhor doutor Pedro Marques que quer ir para a Europa tem uma boca que mete impressão porque parece que anda a comer as beiças ora um senhor que quer ir para a Europa tem de ter a boca da dona Manuela Moura Guedes se não tem não consegue ser procurador. É que é muito mais importante ter boca do que ter miolos. A bem dizer a falta de boca nota-se muito mais. Agora vou-me embora que pode ser que desistam de me chatear com esta treta dos desenhos que eu gosto mais de colagens.

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Redacção da semana: A Dona Mandona

rabiscado pela Gaffe, em 27.03.19

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Hoje vou falar da Dona Mandona que é uma senhora velha para aí com cem anos que gosta de mandar em tudo como o nome diz. A Dona Mandona é estrangeira mas comprou uma casa mais ou menos em Lisboa que a gente nunca sabe onde ela está por causa dos patarazis que são umas pessoas que perseguem e que atiram as princenzas contra os postes. A Dona Mandona é muito rica mais rica que o Dom Ricardo Salgado e que o amigo do senhor engenheiro juntos. As pessoas ricas podem comprar casas em Lisboa ou então arranjam um vistogolde que é assim como uma espécie de multibanco. As pessoas ricas metem o vistogolde no buraco do banco e sai uma casa prontinha e tudo. Se a Dona Mandona fosse pobre ia viver para a Jamaica que se quilhava. A Jamaica é um lugar que tem muito mas mesmo muito sol e é por isso que não vivem lá as pessoas que ficam sempre à sombra no fresquinho. A Dona Mandona é tão rica tão rica tão rica que nem vistogolde precisa. É sempre áviar como diz a minha tia Arminda que tem uma mercearia em Carrepeta de Anciães e é gorda. A gente gorda avia muito, não é como a Dona Mandona que só come umas coisas feitas pelo senhor cozinheiro Aguilez que faz um reclamo à cerveja da Noémia e que parecem caganitas de cabra mas em verde que a Dona Mandona é encológica. Uma pessoa rica pode ser muito encológica. Manda os pobres amanhar os pepinos e as couves e as outras coisas da terra que é sem corantes e sem plásticos e depois come e manda as cascas para os porcos as vacas as cabras e os cavalos comerem. Os bichos comem aquilo e depois fazem as necessidades que vão para o restaurante do senhor Aguilez mas aos pedacinhos muito pequenos que a vida está cara e o senhor Aguilez tem de viver como os outros. Chama-se renciclagem. Vou estudar em Estudo do Meio para depois fazer também lá em casa que lá só se come comida emplastificada que é mais barata com papel tócolante e nem o burro se safa com os restos que fica tudo a cheirar a peixe podre e os burros não são peixíbonos. Por acaso foi uma pena a Dona Mandona não saber que a minha avó tinha um burro. Como o senhor presidente da Câmara da Horta não deixou a Dona Mandona meter um clipe com um cavalo dentro duma casa antiga e muito valiosa a Dona Mandona assim como assim já cá tinha o bicho dentro. A casa da minha avó está podre como a que ela queria. É mais pequena pois que é mas é mais asseadinha. O cavalo é um burro pois que é mas a gente dá o que pode e a mais não é obrigada. O meu primo Zeca é que não deixava. Já quando soube que a Dona Mandona queria o cavalo dentro de casa disse logo a Mandona que meta o cavalo na garagem. O que ele disse rimava mas já levei muitas no focinho. Não sei é se o cavalo lá se segurava. Na garagem. Às tantas tinha de ser preso por cordas para não escorregar por ali fora. Não sei que sou pequenito e é melhor está calado. Benza-a Deus que lhe deu sorte como diz a minha prima Idalina que sabe a música laicavegan de cor e que diz que a Dona Mandona é uma rainha. Ela diz mas eu sei que não é. Se fosse estava no governo que eu aprendi em história que antigamente havia em Bréquesite uma rainha chamada Vitória que meteu a família toda a governar tudo o que havia. Aquilo era primos e primas tios e tias irmãos e irmãs todos metidos nos governos de todo o lado que aquilo até deu merda e um deles passou a hemotrólifo que é uma doença que dá quando se mete a família toda a governar. Agora não me venham dizer que não se pode meter burros e cavalos nos palácios que até pode se formos rainhas. Se a Dona Mandona não conseguiu é porque não é rainha. É da oposição. Vou meter aqui uma fotografia da ovelha a renciclar que vive em casa do meu primo para ver se a Dona Mandona a quer no clipe. A gente sabe que está na moda ter ovelhas ou cabras nas televisões. O meu primo Zeca até a leva quando vai a Sintra em trabalho. Diz que não gosta de dormir sozinho ao relento. Temos de ser uns prós outros. Eu gosto muito da Dona Mandona.  

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Redacção da semana: O Carnaval

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.19

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Hoje vou falar do Carnaval que já passou mas que é como o Natal. Este ano a minha professora escolheu um tema assim a fugir ao tema que a escola de Matosinhos escolheu e que era os pretos. Foi um alívio para mim que a bem dizer aquilo parece fácil porque basta meter graxa na cara comprar una panos assim com muitas cores e enrolar uma toalha de praia na cabeça que já está mas é preciso colantes pretos e os únicos que conseguia arranjar eram os da minha prima Idalina que precisava deles para trabalhar e eram de rede. Também me ficavam grandes e como a Idalina os lava de manhã para os ter secos à noite não dava. A minha professora foi mais moderna e escolheu o tema da violência doméstica. Assim como assim já é mais fácil porque não temos muito trabalho a arranjar máscaras. O Firmino até foi como estava. O Márcio foi disfarçado de múmia com muitas ligaduras enroladas. A gente pensou que ele vinha de papel higiénico e a achamos muito bom porque somos tratados como merda na violência doméstica. Até nem pareceu que ele fugiu ao tema. Os adultos que os havia foram disfarçados de senhores juízes que castigam os pecarivilcadores. A gente ficou admirada derivado deles parecerem mesmo mesmo mesmo verdadeiros. A minha irmã tirou uma selfe ao meu primo Zeca ao lado dum senhor juiz a sério e nem se distinguem. Até vou colar ali em cima com controlcope. Meteu a selfe no feiceboque e aquilo foi um incêndio como o de Pedrogão mas sem vigarices que é Carnaval e ninguém leva a mal. As pessoas do feiceboque chamaram ao meu primo Zeca vestido de senhor juiz coisas que eu nem sabia que havia e mandaram-no para sítios que ninguém conhece e para outros onde ele até já lá esteve mas diz que não volta nem que o matem que tem muito amor ao cu. As pessoas do feiceboque são muito más. A gente vai de juiz de Carnaval e é logo trinturada só porque não meteu uma pulseira a fazer par com o penteado. Aquilo era um juiz não era um maricas. As pessoas não estão boas da cabeça. Metem coisas no feiceboque no telemóvel quando vão na carreira das sete e aquilo fica tudo torto que as estradas estão sem paralelos que foram precisos para atirar às putas que era outro tema deste ano mas que não teve muita aderência que a minha prima Idalina tem uma caçadeira e disse que se alguém se metesse com ela levava com um balázio nos cornos e com a Idalina não se brinca. Quando ela põe no telemóvel é porque a coisa pia fino. É por isso que eu acho que o Cónas Assírio tem razão e devia ganhar o Festival. Se as pessoas partissem o telemóvel deixavam-se de uatesapos e de feiceboques e diziam as coisas nos olhos dos outros sem mandar perdigotos amónimos. Não adianta a minha professora dizer que a letra dos telemóveis é uma violência aos ouvidos e que bonita bonita era sobe sobe balão sobe vai dizer àquela estrela que eu quero lá morar ou até a outra dá-li-dá-li-dá-li-do papagaio voa papagaio voa era que era que eu continuo a achar que o Cónas Assírio tem razão. Isto só à martelada com mocas com pregos na ponta. Eu gostei muito do Carnaval e ainda gostei mais de comer o cozido à portuguesa que a minha avó a minha mãe e a minha irmã a minha tia e a minha madrinha estiveram a fazer desde as cinco da manhã que isto de alimentar um Carnaval inteiro ainda tem que se lhe diga. Não tinha muito chispe nem muita carne de porco mas o meu primo Zeca e os amigos gabaram muito a carne de vaca e de vitela e os enchidos que trouxeram. Eu gosto muito do Carnaval. 

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Redacção da semana: O Estado

rabiscado pela Gaffe, em 22.01.19

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A minha professora disse-nos que tínhamos de escrever uma redacção muito limpinha e bonita porque queria cola-la no quadro de honra que é um quadrado assim para o alto dos lados onde uns senhores e umas senhoras mandam postas que é post em português. Mandou-nos também falar das coisas do estado. A bem dizer eu só estudei ainda o gasoso que é o do gás mas acho que serve porque este mundo é como um balão. A gente bufa bufa bufa e aquilo enche e a gente pensa que é bonito e até sobe sobe balão sobe como o balão daquela senhora que se chamava Bravo como o esfregão e que ganhou um festival e depois perdeu no Bruxelas onde é a eurovisão e onde há couves que é o que a gente leva deste mundo. A minha prima Idalina diz que o estado é só fogo de vista mas que somos nós os culpados que nos metemos de vez em quando numa tenda que nem uma cadeirinha tem para os velhos se sentarem que já não podem estar de pé com um papel e uma caneta na mão para fazermos uma cruz onde nos dizem que é bom. A minha avó foi um problema porque quando foi meter as cruzes no papel pôs-se aos gritos feita tola que tinha acertado em duas estrelas e no jóquer que por acaso era um senhor que tinha a fotografia colada mesmo ali logo no princípio do papel. Tivemos depois de a amarrar com a guita que separava as tendas umas das outras e levar a velha para o lar onde só vê a televisão com a Cristina Ferreira que é a única pessoa que a minha avó consegue ouvir. Os meus colegas e eu acarretamos os papéis para uma mesa onde uns senhores estavam a lamber os dedos para contar muito bem aquilo tudo. Vou colar aqui a fotografia do Justino a levar a papelada que ficou muito bem. O Zeca que é meu primo até fez montinhos porque só sabe contar até dez. Não fez mal porque chegou muito bem que houve muita abstinência. Quem ganhou o concurso foi o senhor Adalbero do talho e ganhou muito bem porque assim como assim já está habituado a desossar os bichos. Eu disse agora um nome de uma pessoa e ali em cima disse o da Cristina Ferreira. A minha professora disse que não podíamos andar aqui a fazer isto que é por causa duma coisa chamada protecção de dados. Por isso faz de conta que não existem estas pessoas que até nem é muito mentira. Depois de irem às tendas foi toda a gente ver televisão para saber notícias do país e do mundo que também gosta de riscar quadradinhos e de dizer que fomos nós os culpados das fugas de gás porque andamos a viver no andar de cima em vez de viver rés-do-chão que é o nosso sítio e o do picapau amarelo mas a minha prima Idalina mudou para os canais que davam telenovelas e só passados três dias é que a gente soube quem era a pessoa que não digo outra vez o nome que podia ser atacada pelos ácaros dos computadores. Ficamos muito contentes porque já toda a gente sabia em quem cascar durante uma porrada de anos enquanto coça as coisas moles que pode não parecer mas as pessoas andam com comichão o tempo todo e nem pomada que sirva encontram nas farmácias que isto dos ácaros até dá prisão se uma pessoa os largar nos meiles. Eu não sei muito bem o que são os meiles mas parece que são umas coisas que se mandam aos franceses que gostam de moda por causa das tendências e dos influenseres que são umas coisas que dizem o que se vai usar. Usa-se muito este ano o amarelo pelos vistos. Agora vou acabar a minha redacção que isto do estado custa muito a arrancar mas depois de engatado ninguém o trava a não ser que os risquinhos nos quadradinhos das tendas não sejam feitos com a merda dum lápis que nem para enfiar no aguça serve que está rombo. Um quadradinho deve ser riscado com uma caneta bem cheiinha.

Muito obrigado

Sou quem sabes

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Redacção da semana: O pontometro

rabiscado pela Gaffe, em 07.12.18

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A minha professora é muito inteligente. Mandou-nos fazer em trabalhos manuais um cartão muito bonito assim para o quadrado mas com umas pontas maiores que tínhamos de desenhar com outros quadradinhos lá dentro. Depois mandou guardar ao pé da porta uns em cima dos outros. Estas coisas chamam-se pontometros e servem para a gente ter a certeza que veio à escola. Chegamos de manhã e temos de picar um quadradinho com o bico do nosso lápis que tem de estar muito afiadinho porque se não estiver aquilo não dá e a minha professora diz que é falta e não nos liga que a gente não está lá. Os meus colegas que chegam de camioneta porque são ricos e até nem andam com porte pago podem picar com uma caneta. Os outros que chegam a pé só usam o lápis que isto de gastar tinta é só nas unhas. Eu acho que não funciona muito bem porque como os cartões de papelão estão uns em cima dos outros a gente às vezes pega sem querer noutro que não é o nosso ou então pica dois ao mesmo tempo. A minha professora já avisou que nos apanha assim distraídos nos arranca os dentes mas ninguém se importa porque somos pequenitos e eles crescem outra vez. O Jacinto que é o mais esperto da minha classe diz que aquilo só serve para limpar o cu. É um porco. A minha professora que o ouça que até lhe arranca os olhos à chapada que nesta escola ninguém limpa nada. O Jacinto chega à escola e manda a Cláudia Raquel mexer no monte de pontometros à procura do dele. Depois a Cláudia Raquel manda um furo e pousa direitinho outra vez no monte sem ninguém dar conta. Antes mandar um furo que outra coisa como o Zé Luís faz que até parece que anda uma altercação do clima à volta dele. Só que a gente sabe que o Jacinto foi ao Rodízio Café beber coca-cola que é uma coisa que faz estourar os miolos se a gente misturar aspirina lá dentro. A minha professora diz que se o pontometro está picado é porque o Jacinto está cá dentro e mais nada. A gente fica claudicante que é uma coisa nova que dizemos quando vemos a Cláudia Raquel a picar o que não deve e queremos que ela nos faça o mesmo. Mas a Cláudia Raquel só pica o que quer e como gosta do Jacinto a gente já sabe quem é que tem sorte. Eu acho que não devia haver essa coisas modernas que a gente pica a dizer que estamos cá. A gente já sabe que nas escolas onde há pontometros há muitas cláudias a picar. É como aquela coisa chamada SIDA que vem nas agulhas. Uma pessoa pensa que só aos outros e vai na volta apanha a picadela do vizinho. Não se tratem. Eu gosto muito do pontometro.   

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Redacção da semana: O casamento da Princenza

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.18

Eu por acaso não devia dizer nada disto mas sei que o meu primo Zeca vai vender o que arranjou à televisão CM e penso que é uma vergonha um cagão andar a mostrar a vida alheia na televisão como fizeram ao senhor engenheiro. Por isso antes que se saiba e a senhora dona Rainha ficar furiosa vou dizer tudo. Assim deixa de ser supresa e a senhora dona Rainha ainda me vai agradecer. Então é isto. O meu primo Zeca meteu microfones no apartamento da senhora dona Rainha. Ouve-se tudo e nem sequer é estrangeiro. Eu pensava que a senhora dona Rainha falava estrangeiro mas afinal arranha a língua de Camões como a minha professora diz e muito bem que Camões vai-lá-vai à fonte. O meu primo Zeca conseguiu aquilo porque fez um biscate de electricista ali em Tancos quando lhe pediram para montar umas coisas para vigiar os ladrões que havia muita falta de pessoal. Ficou com o material todo que ninguém percebe e quando foi ao estrangeiro compor os fusíveis a uma princenza chamada Sara Fergussa deixou aquilo ligado. A gente ouve a senhora dona Rainha a falar com a Mega Marques antes do casório e eu no fim nem digo mais nada. É assim que começa.

 

Então és tu amore que vais casar com o meu neto mainovo? Olha amore se a tua mãe vier ao casamento diz-lhe que não traga as mamas ao léu e aquelas saias de palha. A gente empresta-lhe um vestido da falecida. As rastas ainda aguento que desde que o rapaz não se case com um homem estou por tudo. Por falar em emprestar tu vai ali ao meu armário e escolhe uma bandolete. Não amore. Essa não que foi do casamento da Cátia Medleton. Há uma muito bonita que nunca mais a vi. Ora vê se não caiu lá atrás. Essa mesmo. Olha que tens de ter cuidado que isso não são Savarosquis. Isso é tudo verdadeiro que não quero que digam que não tens nada na cabeça. Depois deixas no hall. Vais como? Mostra lá o desenho. É um vestido do Gibanchi amore? É simples. Olha gosto. Mas podias levar um vestidinho teu. Levares um vestido de um homem vai dar que falar mas desde que vi as filhas da Sara Fergussa na boda da Cátia já não quero saber. Aquelas duas pareciam drogadas. Saíram à mãe que foi o mafarrico que me entrou pela porta dentro. Ela e a tua falecida sogra deram cabo desta merda toda. Cheguei a pensar que a mulher até podia ter um acidente mas depois lembrei-me que já tinha havido um e dava para desconfiar dos sítios onde eu enfiava os postes. É pena o casamento ser antes dos Golobos de Ouro da SIC. Podias ver uns modelitos e copiar que aquilo é sempre do melhor e assim como assim não precisavas de levar o vestido de um homem que nunca assenta bem nas mamas. Tu não quererás meter um cintinho com uns brilhantes à cinta? Ou assim umas flores bordadinhas em cheio no rego? Uns laços nos ombros? Uns arames no rabo para aquilo levantar? Umas rachas? É pena. Dava mais vida. Já falei com a  Cristina Ferreira e ela disse-me o mesmo e que até te emprestava um dos dela que é de gritos na passadeira. Mas pronto tu é que sabes e o casamento é teu que eu não me meto em nada. Empresto a bandolete e a quinta que parecendo que não ainda se poupam uns trocados e já mandei descongelar os rissóis que sobraram da festa da Cátia que agora é duquenza. Tu descansa que também vais ser duquenza. A duquenza de sussex por causa do assanhado do teu moço que só pensa nisso e já que se fala em assanhados tive uma boa lembrança. Tu podias era convidar o Bruno de Carvalho para fazer o discurso na missa em vez daquele padre americano muito enfuzivo que assim um pessoa sempre se ria um bocado. Há quem tenha o Raminhos e diz que fica bem logo ali à saída da banda filarmónica. Outra boa ideia era convidar o Zé Maria Richardi mais o Álvaro Sobrinho para cantar no fim que estes dois já cantaram em mais coros. Tens é de fazer de conta que não conheces o Marcelo ou vais ter de tirar uma selfes com ele que quilhas o protocolo todo. Olha filha agora vou-me que se faz tarde e ainda tenho de arranjar uma merda para vestir que dê com os semáforos que isto se uma velha se perde só lá vai com luzes.   

 

Depois aquilo desligou-se.

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Redacção da semana: Os terroristas

rabiscado pela Gaffe, em 21.03.18

Hoje vou falar de terroristas. Os terroristas são pessoas pequenas assim como o filho da minha vizinha que tem dois meses porque eu ouço-a a dizer Ai vai ser um terrorista este malandro que já levanta a cabeça quem é o terrorista da mãe quem é quem é o terrorista da mãe quem é meu lindo. Por acaso o menino até nem tem barba grande nem sequer o bigode da mãe e está muito encarquilhado mas também tem uma fralda na cabeça quando sai à rua para não apanhar o sol do deserto que os terroristas são do deserto e bêbados. Também há terroristas grandes mas esses é só álcool que faz explodir as pessoas terroristas que bebem muito. Encontram um amigo e perguntam logo olá à que bar vamos. Nem perguntam se a família está bem. É logo olá à que bar vamos. Depois vão e tumba explodem porque uma pessoa não deve andar com álcool quando está calor que o sol passa pelas lentes dos óculos e aquilo pega fogo num instante. As lupas também são perigosas porque são uns vidros de aumento que os cientistas usam para descobrir se os insectos são homens que se tiverem pila vê-se com a lupa mas que deixam passar o sol nos clipes que há no céu e deitam fogo aos matos que andam porcos mas tão porcos que o governo até fez uns pantenflos a ensinar como os pobres devem rapar a mata sem ser preciso marcar consulta com a despiladora da minha prima. É arrancar tudo à volta das casas e deixar careca um ror de terra num polímero de 100 metros ao redor da aldeia. A gente fica sem pessegueiros mas a lupa já não dá efeito. Também podiam chamar os terroristas que aquilo era um instantinho e só se cansava meia dúzia deles porque tinham de ir a pé para as matas já que não têm garnadeiros nem helipórforos que despejam água em cima das casas a arder e depois queixam-se da seca e das barragens sem pinga que a gente até tem de cuspir para aumentar o caudal que é uma cauda que está mal. O governos podia mandar cabras e toiros para comer a mata que até é mais encológico que é uma coisa que há nos campinos da senhora dona Cristas do Belchior russo que é um bailado lindo onde há cisnes que são patos a modos que girafas e lagos azuis como o Dalúvio do país onde uma senhora canta dasandesovmusi vestida de cortinados e depois é apanhada por uns homens que fazem querriculos vitas para os políticos de merda e é expulsa do palácio onde mora o patrão que é manjor por andar a fazer sandes com os pedaços dos toiros que sobram no fim do baile. Os bailarinos do Belchior da senhora dona Cristas é que têm sorte porque andam vestidos de sambódrno mas de mamas tapadas que isto à noite faz frio porque se fosse deserto ainda apanhavam com a minha vizinha feita parva a perguntar-lhes quem são os terroristas da mãe quem são quem são os terroristas mais lindos quem são. Eu por acaso não sei dançar. Só jogo à macaca não desfazendo. 

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Redacção da semana: O Festival deste ano

rabiscado pela Gaffe, em 02.03.18

A minha tia diz que nunca mais vê o Festival da Canção porque o cantor Piaçaba foi embora. Se ele ficasse era a a minha prima que nunca mais via porque o Paiçaba fez um págino que é uma página do Bolco de Equerda. A canção do Piaçaba era a melhor e até nem sai da cabeça da minha tia porque já cantou aquilo num coro muito bonito da goldexpele chamada Maranatá Savará que é da Igreja onde os bispos andam a caçar os filhos para os salvar. É assim como o cabelo do senhor José Cide que só sai para ir à lavandaria porque tem um tocolante que se prega à moleirinha. A gente a bem dizer fica com muitas coisas coladas à cabeça que não se soltam. Eu por exemplo quando ouvi o cantor Piaçaba lembrei-me do senhor padre Borga põe a mão na mão do teu senhor e aleluia põe a mão na mão do teu senhor e aleleuia põe a mão na mão do teu senhor e aleleuia. Não sei o resto mas isto fica. Andei quase dois meses à rasca porque me disseram que os cachopos que se metem na mão dos senhores ficam vítimas dos podologistas. As coisas que a gente não consegue tirar da cabeça ocupam muito lugar e não deixam que entrem coisas novas. A minha mãe diz que é do tempo da Maria do Inô que cantava ao piano uma coisa muito bonita com muita gente toda calada. Eu não sei quem é a Maria do Inô mas se for a da caixa é uma puta que me deu uma chapada quando trinquei um caramelo porque pensava que aquilo era uma oferta dos pontos tocolantes que a minha avó juntava num papel. Mas só davam os copos vazios que os rebuçados eram para enfeitar. É como o festival. Há muitos copos vazios com caramelos dentro mas só a Dina é que pode trincar morder e meter na cesta ai meu amor d’água fresca que tanto tem faltado no Alentejo e nas vacas por causa das alterações clítoricas. Eu desta vez gostei mais ou menos das liminantónias do Festival da Canção. Aquilo foi muito pobre. Nem parece que já saímos da crise do senhor Passos que dá na Quaresma. Toda a gente veio com uns trapos de merda. Aquilo estava tudo roto. Só tinha desculpa uma mocinha que andou no circo e foi atacada por um tigre que lá há e ficou assim rasgadinha. Das músicas gostei. Gostei de todas. Nem sabia para onde me havia de virar. Fiquei quietinho para não haver coisa que eu já sabia que vinha trampa quando o Jerónimo comeu uma banana quando há gente a passar tanta fome no mundo. A minha prima até teve um ataque de nervos que ela sofre muito deles e colou o dedo do meio à televisão a gritar come esta ó morcão pensas que estás em tua casa. O meu pai disse que aquilo era já efeito do acordo ontrográfico. Agora as pessoas fazem o que lhes apetece. No tempo dele onde já se viu a Senhora Dona Simone a mamar fruta na televisão. Vem o acordo e é tudo um regafofe. A mim só me deu fome. A minha professora já disse que temos de escrever com o acordo ontrográfico porque nos parte os dentes um por um se usarmos as coisas velhas que não se soltam da cabeça assim como o cabelo do Senhor José Cide para dar um exemplo. Temos de ser arejados como os brasileiros. Ai de nós se cantamos como o senhor José Cide ou a Dona Anabela que são antigos e não adoptam as antrografias modernas. Mete-nos em phila e pumba. É sempre a eito. Agora acho que estou cansado. Vou ver a Haide que dá na televisão memória. A Haide tem sempre músicas muito simples como a do Piaçaba. Devia ganhar. 

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Redacção da semana: Os homens-sexuais

rabiscado pela Gaffe, em 12.02.18

Os homens-sexuais

 

Ontem fui à missa das cinco porque a minha prima fazia anos e gosta de agradecer ao Senhor. A minha avó diz que ela devia mas era ter vergonha que toda a gente sabe que a missa das cinco é às nove e que a minha prima vai às cinco só se for para acender a vela ao padre. A minha prima levou-me para que toda a gente visse que vai rezar para espiar os pecados assim como se vê nos filmes onde há um senhor chamado Bonde Jeimes Bonde. Não sei como é que as pessoas ficam a ver que a minha prima vai só espiar se eu for com ela mas é como aquelas pessoas que gostam muito de gente que é homem-sexual e até têm um dentro duma caixa. O homem-sexual salta de lá de dentro quando as pessoas querem dizer que são muito amigas dos LGBTT que são homem-sexuais ciclistas que trazem um LG às costas. É preciso dizer que somos amigos dos homens-sexuais e que até temos um e é ver como o tratamos bem e lhe damos biscoitos. É como os cães. A gente gosta e até tem um. Pode ter dois se formos muito mas mesmo muito amigos deles e os defendermos dos ataques das bichas homotróficas que são umas coisas que estão no trópico de câncio e que a minha professora diz que vamos estudar para a semana em estudo do meio quando falarmos no Sócrates que é um filógico da Grécia como o Cipricas. Eu também sou muito amigo dos LGBTT mas não tenho bicicleta e a minha televisão é das antigas por isso não posso dizer que tenho um homem-sexual numa caixa para mostrar de vez em quando às pessoas fixes que também têm amostras para trocar para que essas pessoas fixes achem que também somos pessoas humanas boas e nos mostrem as amostras delas. A minha prima Idalina não gosta de homens-sexuais e não tem nenhum para mostrar. Só tem cremes que a minha irmã rouba no Pingo-Doce e uns balões que se metem nas pilas para a prevenção rodoviária que a minha prima Idalina anda muito na estrada. A minha prima diz que há um senhor cardeal muito velhinho que até nem quer os homens-sexuais naquelas escolas muito grandes onde se aprende a rezar em estrangeiro morto chamado latim. Nessas escolas só andam rapazes e senhores padres por isso não há cá poucas vergonhas de caril sexual. O caril sexual é um condomínio que se mete no frango e nos indianos. Só para dizer que sei. A minha prima disse que o senhor padre da missa das cinco que é às nove também não gosta de gente que lhe aparece com caril sexual mas sem frango porque o caril sexual só deve ser usado quando a gente tiver os imbredientes todos. Não é assim à toa sem pensar em casar uma coisa com a outra. A verdade é que fico muito atrapalhado com estas coisas porque não percebo como é que um senhor velhinho vestido de viúva velha que não pode provar o caril consegue mandar uns bitaites que são coisas dos BTT sobre culinária como se fosse o senhor Avilez que é um cozinheiro muito famoso que mete muito sal na comida que aquilo depois até parece o mar morto. Não sei se usa caril sexual porque nunca provei nada, mas sou como o senhor cardeal e até mando bitaites.                   

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Redacção da semana: As pessoas raras

rabiscado pela Gaffe, em 19.01.18

As pessoas raras

 

A minha professora mandou-nos fazer uma composição com as pessoas que a gente tinha de procurar porque são pessoas raras. Fiquei muito aflito já que não sou grande coisa a encontrar gente honesta e para dizer a verdade mal dou um pontapé numa pedra só me sai pessoal que faz o vigarismo. O vigarismo é um trabalho muito bom que não dá muita canseira e dá muito dinheiro por isso há muita mas mesmo muita gente nessa profissão. A gente rara é pobre. Aqui está uma coisa que não entendo. Há gente que anda no vigarismo é rica e não é rara então as pessoas que não têm um euro para dar aos arrumadores  é que são raras porque gente rara não fica rica mas a verdade é que não são raros porque há muitos pobres. Isto é complicado e já sei que vou levar nos dentes que estas coisas de andar a atrapalhar é muito feio. As crianças não devem andar a desfazer nos adultos como a cachopa do supernane que a minha prima Idalina disse que devia ser enfiada num contentor de merda logo ali ao lado da avó e da progéritora. A minha mãe quando viu aquilo até disse porra se um filho meu me fizesse um cisco daquilo que esta macaca faz à mãe levava com um pano encharcado numa tromba d’água pela mona abaixo que até passava a julgar que era um dos meus miúdos. A minha mãe não gostou da supernane porque não gosta lá muito de senhoras finas com a mania que são boas e que dizem às mães que uma chapadona é coisa que só as crianças podem dar às mães e que a educação só se faz treinando a cachopada com coisas coladas no frigorífico. A minha mãe normalmente o que cola no frigorífico somos nós mas à chapada quando eu e o meu irmão arrebitamos a bolinha. Já o meu pai é mais calmo e não se mete em coisas de mulheres e da escola. A minha prima Idalina acha que deviam era chamar a senhora dum berlogue que tem uns filhos que são uns anjos lindos lindos lindos. Essa é que sabe educar que a gente vê nas fotografias que a senhora mete no berlogue. A minha mãe ficou furiosa e disse que essa também mamava com um ciclone nas melenas para ver se aprendia a deixar os filhos mexer na merda que faz tão bem ao sistema imundopressivo e até está mesmo à mão logo ali na fralda do mais pequeno. Era essa ou a senhora que recebeu a Dona Cavaca e a Dona Letissa que também é uma rainha magrinha como a Queite Moça que é a princesa do povo. A senhora que recebeu a dona Cavaca e a rainha Letissa mandava nas pessoas raras e portanto o assunto ficava arrumado e a minha composição muito bonita. Mas não. Foram logo dizer que também andava no vigarismo e que por isso não era rara. Era rica. Os raros são honestos e ficam pobres. Cá está a coisa que não entendo. O vigarismo deve ser assim como o azédio. Anda tudo atrás do mesmo. O meu primo Zeca anda todo borrado porque tem medo que a Micaela diga nos tuistes que o meu primo lhe apalpou o rabo assim de raspão na festa de Santa Ingrácia que é a patroneira cá da terra. Andam a imitar os homens de Holiude e depois queixam-se que os cus que apalparam tinham vespas. Eu acho que deviam era meter a senhora supernane na IURDE. Só se estragava a casa do bispo. Com um bocado de sorte recambiavam-na para a América para casa daquelas pessoas com muitos filhos presos para ensinar os pais a colar merdas no frigorífico e sapos na paredes. Ninguém dava por nada que aquilo é muito vigarismo a monte. Eu gosto muito das pessoas raras.

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Redacção da semana: A minha cantina

rabiscado pela Gaffe, em 13.11.17

A minha cantina

 

A minha professora mandou-nos fazer uma redacção sobre a cantina da escola. É uma coisa muito difícil porque na minha escola não há cantina mas a minha professora diz que assim também não há bichas na comida e a sopa não está viva e que temos de defender a honra do convento. Uma pessoa até fica atrapalhada porque assim de repente nem sabe se há-de falar da cantina se do Pantelhão que é uma igreja com os franciscanos lá dentro todos mortos e onde se janta quando há gente importante com fome. Depois as sobras vão para as cantinas das escolas. Não admira que osa restos venham com bichos lá dentro porque o bichedo ataca as pessoas que faleceram. É o bichedo e a terra porque a minha tia diz que a terra há-de comer-lhe os olhos o que até me faz muita impressão. O último jantar no Pantelhão foi de uns senhores muito modernos que criam ápes e andam de tishartes nas setárapes que são umas coisas que crescem como mato que é preciso cortar por causa da época dos incêndios. O jantar foi muito bom e não valia a pena a gente andar aos saltos no feiceboque a dizer que aquilo é como um cemitério e que não se pode andar a tirar selfes e a enfardar lá dentro. Aquilo foi muito simples e a bem dizer a D. Amália que está no Pantelhão até nem cantou nem nada. Não admira muito porque a D. Amália já não cantava nada mesmo antes de se finar. Só abria os braços com a cabeça toda atirada para trás e dizia Obrigada Obrigada Obrigada agora o povo agora o povo. A D. Sofia e o D. Camões não se armaram aos cágados e não se puseram a dizer versos e por isso o jantar nem foi uma seca que a gente sabe que quando há pessoas a dizer versos não se pode beber nem conversar que parece mal e passamos por burros. Eu gostava de ter ido ao Pantelhão mas a minha prima Idalina disse que mais valia ir à uébesumite que tem mais vida. Não fui com ela porque ela disse que lá não entram cachopos mal vestidos. Só os que usam jines de marca. É assim como aquela coisa do Urbane. Os cachopos que trazem jines com o cu nos joelhos levam tanta paulada que nem sequer se sabe de que cor essas pessoas eram porque ficam todas pretas e depois levam ainda mais porque ficaram pretas. É assim um circo vicioso como há nos hospitais que a gente vai para lá toda doente e sai de lá ainda pior com umas bichas ligianélias agarradas a nós e que depois vão para a comida. A minha prima Idalina diz que é preciso ir em condições. É por isso que a minha prima vai sempre ao Portugal Faxon. Vê aquilo tudo e depois tira ideias. É assim como aquele estrangeiro famoso que fez um saco para as senhoras caro como o caraças que até dava para comprar um apartamento em Moimenta e que a minha prima encontrou depois a sessenta cêntimos no sítio onde foi comprar umas estantes para meter as batatas para as batatas não grelarem. Não foi muito boa ideia porque o meu primo Zeca disse aquela merda nunca se sabe montar e que mais valia uns caixotes uns em cima dos outros que não se desfaziam todos com o peso dos sacos. A minha prima Idalina roubou o saco nessa altura para ir ao Portugal Faxon toda muito enfeitada e a parecer de marca mas tinha uma marcação com o senhor Inácio às onze da noite que é quando o senhor Inácio acaba o turno de guarda ao Pantelhão da minha terra que é mesmo ao lado do cemitério e tem dentro o antigo presidente da Câmara e a esposa a D. Maria José Portugal Duas Vezes. A minha prima como é muito boa nestas coisas pegou no saco e fez um fato para o meu primo Adalberto ir em vez dela. Ficou muito bonito. Vou colar aqui na redacção para verem como passa bem por uma coisa feita pelo senhor do saco muito caro.

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Bem bonito. Parece mesmo do bom. O meu primo Adalberto foi um sucesso. Pena ter ido ao Urbano depois de acabar o Portugal Faxon. Apareceu em casa a altas horas da noite com este lindo fato todo roto e sem se poder mexer e muito menos sentar. Diz que o sediaram tal e qual em holiúde. Só não faz queixa porque o segurança que o sediou lhe mandou uma SMS a gabar-lhe a minhoquinha que encontrou na refeição. Nem tudo é mau. O meu primo Adalberto anda muito feliz e a Idalina já disse que na próxima festa de  uébesumite vai pedir o carro funerário ao meu tio que é cangalheiro para estacionar ao lado do Pantelhão. Assim como assim janta com os setárapes e no fim ainda fica um niquinho de tempo para uma sessão de harderóque de chicote preto no Urbane. Eu gosto muito de comer em casa.

Gui

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Redacção da semana: O senhor Sócrates

rabiscado pela Gaffe, em 13.10.17

A minha professora mandou-nos escrever uma redacção a dizer bem do senhor Sócrates que ainda pode chover algum para estes lados. A bem dizer eu não tenho nada contra o senhor Sócrates. Estou como aqueles senhores que nunca viram nada da roubalhice e da currunpção que por lá ia enquanto andaram durante estes anos todos a cheirar -lhe o cu com o deles apertado. Também não vi nada da currunpção que agora saiu no Correio da Manhã antes do trânsito enjaulado que é coisa que acontece muito no túnel de Águas Santas quando há um acidente. A corrunpção é a modos que uma bicha que o senhor Salgado soltava sempre que dava um traque. O senhor Carlos Santos Silva que sustentava o senhor Sócrates agarrava a bicha e depois entregava à Lena para ela esconder em casa. A Lena não metia a bicha em casa que era perigoso mas metia a bicha no estrangeiro em ovxores que são umas caixas com aloquetes muito secretos que estão no Panamá guardadas pelo senhor Zalai Baba que de vez em quando telefona à PT que é um persunal treiner que anda a ver se bicha está segura. O Sócrates parece que não mas é uma pessoa que deve estar cansada de tantas bichas mentirosas que andavam sempre a dizer à namorada Ó Fernanda canssio e a Fernanda cansavai-o com umas viagens de ano novo todas lampreias. A bem dizer o Sócrates não gastava nada e era aproveitar que não sou parvo. Quem pagava era o senhor Santos Silva que sofreu muito com o desgosto quando soube que o Sócrates não o amava mas que ficou sempre a dar-lhe fosse pró que fosse que aquilo pedia muito. O senhor advogado do Sócrates é muito bem aparecido não tem nada ar de bêbado mas é morcão porque devia dizer ao trânsito enjaulado que o dinheiro saiu ao Sócrates numa raspadinha. Ficava logo ali tudo em pratos limpos. Eu acho que vou esperar para ver. Às tantas o julgamento dá-se ao mesmo tempo que o Juízo Final ou até depois e o senhor Sócrates nessa altura não pode pedir que o juiz vá de frosques que Nosso Senhor não é para brincadeiras.

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Redacção da semana: As autárquicas 2017

rabiscado pela Gaffe, em 02.10.17

 Ontem fui votar com a minha família toda. Fomos no tractor do meu tio. No atrelado. O meu tio meteu uns molhos de palha seca que era para o burro e a gente amanhou-se. Sentamos a minha avó no meio para ela não se desequilibrar ainda mais do que o que é e fomos ao Centro de Saúde buscar um atestado para o meu avô que já não consegue ver o papel onde tem de meter a cruz. No Centro de Saúde o senhor doutor foi muito simpático. Só chegou três horas atrasado para passar o atestado e perguntou se o meu avô estava demente que os dementes não podem votar. Acho que só podem ser eleitos. O meu avô disse que só via mal e o senhor doutor deu um papel à minha tia e disse que ela com aquilo já podia votar duas vezes. Depois fomos à minha escola que era onde estava a urna. Eu não pude entrar porque a minha mãe disse que sou caganato mas eu acho que era para eu não ver o morto que depois tenho pesadelos. O presidente da Junta da minha freguesia é muito boa pessoa e prometeu que se ganhasse mandava a Junta ser independente porque transformava a Junta num país autómato assim como fizeram os catalunhezes. Foi pena não ter tido muitos votos. O meu pai disse que foi por causa de não ter sido preso antes do concurso que isto funciona muito por bons conhecimentos que a gente faz na cadeia. Eu ainda esperei um ror de tempo que a minha família se despachasse que eles são muitos e diz que havia muito papel para meter cruzes. A minha avó ficou muito contente porque achou que tinha acertado em três números e numa estrela mas a televisão disse depois que quem ganhou foi a D. Conceição Cristas que até fez uma grande festa com seis pessoas nas Caldas. A minha prima não ficou nada espantada por estar assim tanta gente que até abafava porque quando se faz uma festa nas Caldas aquilo é nunca mais acabar de mulherio. Para a Junta lá em Lisboa ganharam dois homens que a minha prima disse que lhes preenchia o voto na boa mesmo que tivesse de andar com o toco da bandeira do Jerónimo de Sousa na mão ou levar com as trombas da Mortágua que é uma rapariga da esquerda-cavilhar como a minha prima diz que ela é. A minha prima é endireita-chouriços e o que ele tem é raiva. Também vi na televisão o Sr. Passos Coelho a dizer que ganhou as eleições em 2015. A gente já não se lembra disso e o Sr. Passos Coelho também já devia tentar esquecer que tristezas não pagam dívidas e parece que não mas aquilo tudo junto ainda é dinheiro. Eu gosto muito das autraquicas.   

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