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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe volta ao faduncho

rabiscado pela Gaffe, em 21.02.18

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Aqui

os rastos desta dor são como vidro

onde resta o rosto já partido

da terra ou o das águas por findar

Aqui

tudo é previsto ter uma parede

e a cal escalda branca só de sede

na noite de uma casa sem luar

Aqui

é só na minha dor que eu estremeço

apenas nesta seda onde não teço

a madrugada dos lírios por cortar

Aqui

o dia que se verte sobre a asa

magoa esta saudade a voar rasa

no céu de uma raiz quase a chorar

Aqui

será de novo teu o que florir

a  raiz que erguer o que há-de vir

quando o meu chão doer no teu voltar

Aqui

hás-de voltar para ti

fingir que foi de outra o que eu sofri

ao lancetar a ferida que é lembrar

Aqui

eu sou a que faz falta ao teu voltar

o lanho que se esquece de sangrar

na  minha vida ferida só por ti

 

Aqui

hás-de voltar a ti

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Gavetas:

A Gaffe escreve um fado

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.18

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Meu amor sei-te da morte

Pelas escamas de nuvens afogadas

Pela carne em carne viva das pegadas

Que deixo no caminho à sua sorte

 

Meu amor sei que morri

No teu silêncio que tem a cor das fontes

E que entre a luz e a morte não há pontes

Nem terra a latejar dentro de ti

 

Porque eu morri

 

Meu amor sei-te de morte

No corpo contra a sombra que abandono

No cão que lambe o mar por não ter dono

Na luz de olhos fechados como um corte

 

Meu amor sei que morri

Nas crinas das raízes rasas de água

Das árvores que são pássaros de mágoa

Com asas que se despem só por ti

 

Porque eu morri

 

Meu amor sei-te da morte

Queimei a cal do peito que morreu

Na dor que tinha o nome que era o teu

E havia um ninho a abrir o vento Norte

 

Meu amor sei que morri

No pátio que erguias nos meus braços

Que agora se desfazem de tão lassos

Porque ao morreres levaste o que eu vivi

 

E eu morri

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Gavetas:




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