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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe por "costumizar"

rabiscado pela Gaffe, em 22.11.19

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O template que uso é absolutamente antiquado. Suspeito que já nem existe no rol da plataforma que me dá abrigo. O SAPO descobriu novos nenúfares.

A verdade é que uma rapariga arejada se sente um bocadinho apertada neste desenho antigo. Deveria actualizar estas Avenidas, abrindo-as à modernidade, qual Napoleão, qual Pombal, qual Maria Leal.

 

Tenho, contudo, de confessar que quase sofri um AVC quando decidi costumizar estes passeios. Acertar com as riscas e com a escolha do fundo e com as medidas do cabeçalho, foi um trabalho descomunal que me fez sair daqui a parecer a protagonista do Exorcista nos seus momentos mais esverdeados. Acabei por me contentar com o aspecto que tem, mas confesso que sinto as portas a bater sempre que respiro.

 

Vivo neste blog como num T0. Levanto uma perna e abro uma janela, espirro e soltam-se as sanefas, afasto as cortinas e desaba o fogareiro - sou uma rapariga campestre -, estico os braços e tomba a caixilharia da marquise, bato as pestanas com mais força e escaco a louça do WC.

 

Uma maçada. Não se apanha sol e fica-se com sardas assanhadas mesmo assim.

 

Não entendo rigorosamente nada de personalização avançada e o mais próximo que estive do CSS foi durante os episódios do CSI Las Vegas que suspeito não terem nada a ver com este assunto, apesar de não me importar nada de ser costumizada por Gary Dourdan.

 

Vou às apalpadelas, embora de órbita mais ou menos prevista.

 

Não sou apologista do tuning, mas às vezes apetece-me muito olha e ver uma macacada infinita pendurada aqui. Receio ter dentro uma rapariga pronta a fazer saltar os faróis, a desatar o colorido do pára-choques, a sobrecarregar os laterais com desordenados slogans, a iluminar o tejadilho e a enfiar apetrechos aerodinâmicos no carburador, tudo ao som de uma batida bem sonora e bem pedrada.

 

Depois controlo-me. Lembro-me que, na única vez que fumei um charro, senti que a todo o momento me iam saltar os olhos e rebentar as maminhas. Não foi uma experiência agradável e dei comigo com a cabeça, enfiada no lavatório, a levar com jactos de água como se fossem meteoritos. Deixo, portanto, charros e costumização avançada para os profissionais.      

 

Eu fico-me por aqui, sentadita no meu calhambeque a ver passar os bólides.

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A Gaffe a um Cantinho

rabiscado pela Gaffe, em 12.11.19

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Aqui, às vezes – tantas vezes! -, o que importa é perceber que existe realmente gente dentro dos blogs e que é necessário voltar a olhar, voltar a abraçar e a redescobrir o que acreditamos já haver conhecido.

Subitamente entendemos que a forma mais simples, mais limpa e depurada de olhar, é talvez a única que se estende interminável pela maravilha que é o reencontro com a pacífica serenidade de um Cantinho da Casa.     

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A Gaffe reverente

rabiscado pela Gaffe, em 11.10.19

Breviário

Esteve privatizado durante mais de três anos. Parado quase outros tantos. Esteve vedado a quaisquer comentários quando se tornou público por escasso tempo. Surge agora aparentemente completo.

Pertence ao homem que me ensinou a escrever. A forma como uno as palavras, está repleta da sua influência e da sua inacreditável capacidade de domar - de chicotear? - as frases.

É meigo e agreste. Mau e bom. Grande e pequeno. Silencioso e eivado de ecos. Grosseiro, bruto, e ao mesmo tempo de uma delicadeza e sensibilidade incomensuráveis. Umas vezes provocador e ácido, outras tantas maleável e frágil. Umas vezes agressivo, bélico, maldito, outras vezes afável e pacífico, terno como a noite. É puro e sujo ao mesmo tempo. Genial e medíocre. Ansioso, inquieto, angustiado e em simultâneo sereno e tranquilo.

É o meu lugar de abrigo. O meu Santuário. O meu lugar seguro.

 

Minhas senhoras e meus senhores,

BREVIÁRIO

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A Gaffe numa cadeira (actualizada...)

rabiscado pela Gaffe, em 02.10.19

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Colaborar com um autor sem dele ter não mais do que lido um propósito, uma indicação de cor e um título, é muito mais complexo do que tentar ilustrar um blogue onde existe a possibilidade de conhecer melhor quem o tutela, através da sua escrita.

Mas foi esse o desafio que aceitei com imenso prazer.

Incito a equipa do SAPO - mais uma vez o Pedro Neves foi irrepreensível na ajuda que teve a amabilidade de me dispensar - a banir o que impede que imagens animadas apareçam nos cabeçalhos das populações - já nos basta o período eleitoral! (informação actualizada em rodapé)

Sem este percalço, figuraria a imagem que pisca aqui em cima e não, por se ter tornado estática ao ser redimensionada automaticamente, a que aparece.  

Seja como for, este é o meu presente de chegada, provavelmente ainda incompleto, mas que não pode deixar de desejar boas-vindas a mais um ilustre habitante deste burgo.

 

Actualização - Graças à equipa SAPO, à extraordinária disponibilidade, amabilidade e competência do Pedro Neves, o Café já pisca!

Muito obrigada. 

 

(E não deixa de ser uma forma - a única que sei -, de vos dizer ... "a gente vê-se por aí".)

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A Gaffe de novo a pedalar

rabiscado pela Gaffe, em 25.09.19

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Este rabisco todo feliz completa esta elegantíssima bicicleta.

Por muito que fosse esse o seu desejo, a Gaffe não vai publicar a fotografia certa, por razões óbvias:

- Este rabisco - embora merecesse -, não pertence à gaveta do Animatógrafo. Neste caso, minhas meninas, temos de ser muito brasileiras e considerar que o hómi d’ámiga, pá eu é mulhé.   

- A Gaffe esqueceu-se de pedir autorização ao Rui e, apressadinha, não consegue esperar que o processo se conclua nas devidas condições.

 

Por isso, meus amores, é bom que pedalem até aqui, porque uma surpresa agradabilíssima fez com que o dia já valesse a pena.

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A Gaffe absolutamente orgulhosa

rabiscado pela Gaffe, em 11.07.19

Bike Azores

O Rui acaba de se tornar o único aventureiro capaz de transformar a Gaffe numa ciclista!

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E já pedala aqui! 

Ainda por cima a bicicleta é lindíssima!

Tão orgulhosa que estou!

A fotografia é, evidentemente, do Rui

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A Gaffe de bicicleta

rabiscado pela Gaffe, em 12.06.19

Bike Azores

Foi muitíssimo motivador tentar apresentar ao Rui uma proposta que teria de ser obviamente sóbria, masculina, cavalheiresca, correcta, depurada e incluir a sua paixão: a bicicleta.
Para complicar o que já de si era muito pouco simples, teria de ter em conta a sua escrita sempre limpa, irrepreensível, expurgada e recta, sem artifícios, cativante, concisa e reveladora de uma outra paixão: o rigor com que usa a língua portuguesa.

Foi um desafio que teve a sorte de contar com o apoio do azul das suas ilhas.

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A Gaffe da Marquesa

rabiscado pela Gaffe, em 30.05.19

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Uma rapariga herdeira de antiquíssima aristocracia, não pode deixar de ser representada por uma imagem que, embora dita renovada, não deixa os velhos brasões tombarem na lama. Sobretudo quando os ditos não pisam por norma e regra terrenos movediços.  

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A Gaffe com a Tia

rabiscado pela Gaffe, em 09.05.19

Tia! Tia! tia!

 

Tia! Tia! Tia! é o novíssimo blog da minha querida Sarin que me entregou o privilégio de tentar colorir o espaço onde se encontra com histórias de encantar.

 

A imagem que procuro, ainda a suplicar alguns retoques, é a de um momento pueril, quase antigo - ou sem idade -, onde a recordação de cores envelhecidas, de caixas de bombons, de livros com folhos, folheados, desfolhados, balançam em cavalinhos de madeira que vieram de longe, dos lugares onde vivem as memórias que protegemos quando quem as entrega é quem sabemos que vamos amar pelo tempo fora.

É uma imagem para uma criança bem amada.

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A Gaffe sem lixívia e sem limonada

rabiscado pela Gaffe, em 31.01.19

Sarin

O necessário equilíbrio - pois que nem lixívia, nem limonada -, encontrado com o auxílio da fotografa Erika Zolli que permitiu criar o contraste, o bailado, a ideia que reflectida se descobre, se redescobre, se reconstrói, na oposição racional exposta pelo Outro. O desenho sempre inacabado da geometria do pensamento em que é nítido o cuidado de se olhar de modo igual todos os lados.     

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A Gaffe (in)sensata

rabiscado pela Gaffe, em 29.01.19

(in)sensato

A insensatez pode ser apenas a opção de quem, sensato, olha o quotidiano com todas as idiossincrasias que tantas vezes o preenchem e enformam. O demo está nos pormenores, nos traços inconstantes das gentes que os habitam e que raspam a cidade, produzindo as paisagens urbanas mais riscadas que existem dentro de cada um de nós.   

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A Gaffe à escuta

rabiscado pela Gaffe, em 20.01.19

naomedeemouvidos

Porque é absolutamente necessário que a escutemos e porque sempre que a ouvimos, sentimos que vale a pena voltar sem outras palavras que não sejam as que partem do coração, depois de surgirem claras, atentas, disponíveis e sobretudo irrepreensivelmente pensadas.

Foi um privilégio tentar entregar uma imagem às estas palavras.

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A Gaffe no Sítio do Corvo

rabiscado pela Gaffe, em 18.12.17

O Sítio do Corvo

 

Um verdadeiro cavalheiro merece a discrição e a lisura de uma imagem que seja o reflexo das linhas rectas mescladas por voos.

Meu queridíssimo Corvo, esta é a forma como o consigo sentir. Pode não ser a correcta, mas acredito que é a que se aproxima debilmente da enormíssima elegância que acompanha sempre o seu modo de intervir na vida.

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A Gaffe "abelhuda"

rabiscado pela Gaffe, em 13.12.17

Stone Art

Não fazia grande sentido a minha querida Magda ser dona e senhora de dois blogs com imagens díspares, sem comunicação visual entre eles e com linguagens diversas.

Apesar de saber que iria pesar sobre os meus frágeis ombros a tarefa de os unificar, foi - vai continuar a ser - impossível recusar o que quer que seja a uma das mais inacreditáveis senhoras que me dão a enorme alegria de me acompanhar, rir comigo, bisbilhotar no aconchego de uns e-mails e sobretudo abraçar e mimar - sem baboseiras tontas ou guarda-chuvas parvos -, quando chove muito e faz muito frio.

 

Ter a minha querida Magda por perto é sentir que pertencemos a uma colmeia onde o pólen é sempre colhido nas páginas dos livros.

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A Gaffe migrante

rabiscado pela Gaffe, em 27.11.17

e agora sei lá

 

Maravilho-me sempre que leio as memórias da MJ.

 

A serra, o frio, a alma nas mãos de quem amou na lonjura do tempo, os bichos pequenos, os bichos mui grandes, o grito do galo a acordar a manhã, a lareira, o quente, os livros, a tristeza bordada a felicidade, um gato gordo, a luz da vela, o medo do escuro, a lua, a chuva, o caminho que vai até à infância, o ermo, o grito do grilo no meio do nada e a insegurança de uma menina que desconhecia que ao crescer me entregaria o orgulho de saber que gosta de mim.

 

Foram estas encantatórias narrativas de infância que me fizeram acreditar que, mesmo raparigunha perdida e pequenina, a MJ era a única menina que conhecia o trilho dos mágicos. O caminho por onde passa a caravana da magia, a insustentável leveza do feitiço do Natal das criaturas mais secretas do Universo, os minúsculos cristais de neve que tombam na ternura e que a transformam em palavras nas margens da memória.

 

A M.J. sabia do trilho dos mágicos. De outra forma não me saberia desvendar a marca dos passos das migrações da vida.

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