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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe repórter

rabiscado pela Gaffe, em 06.08.19

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Pouco tempo depois de Abril de 74 – contava o meu avô, que se divertia sempre que o fazia -, uma jornalista toldada pelas renovadas atmosferas, trepava às montanhas e aos penhascos para mostrar ao país a miséria em que o povo se encontrava. Entusiasmada, eufórica, nervosa, revelava o estado de total analfabetismo que se instalara, durante o tempo das trevas, nos montes e nas serras dos degredos. Uma torrente de escandaloso choque. Na breve entrevista que fez a uma velhíssima senhora de lenço preto a amarrar-lhe as rugas, repetiu afoita as sacramentais perguntas.

Sabe o que é o fascismo? Sabe o que é a Assembleia da República? Sabe o que é um deputado da Nação?    

A senhora não sabia.

Sorria mateira e a meio do difícil questionário, decidiu que era altura de calar a trepidante repórter.

- E a menina, sabe o que é um almude?

 

Cerca de quarenta anos depois - mais coisa, menos coisa, que não sou rigorosa -, a notícia chega nos solavancos fonéticos, nos disparos silábicos de uma histriónica jornalista que ameaça saltar dali e nos pregar dois estalos se não lhe prestamos a devida atenção:

Cerca de vinte crianças foram atendidas nas urgências da Unidade de Saúde com sintomas suspeitos de intoxicação.
A peça corre mostrando a nauseabunda porta da Urgência carcomida onde se amontoam uma dúzia de senhoras desgrenhadas e outros tantos cavalheiros de sorriso alarve e telemóvel em punho.


- As raparigas sentiro uma comichice e depois ficaro com impalas no corpo. (Aluno da Escola atingida).
- Eu tenho três piquenos e ambos os três ficaro comichosos e com falta de ar. (Encarregado de educação).
- Não é nada grave! As crianças chegaram aqui mortas por se ir embora. (Chefe dos serviços de urgência).
- Eu acho que foi porque metem muito alho no comer da cantina. (Encarregada de educação).


Na estação concorrente dá-se novas do incêndio numa fábrica de produtos químicos, que, à semelhança de todos os outros, é dramático e desolador.

O repórter, de microfone em punho e olhar de fanático possuído pelos demónios da adrenalina ou já toldado pelos vapores tóxicos libertados, teima em recolher os depoimentos da população:
- Só se ouvia pum, pum, pum, pum, pum, pum... ... – insiste um senhor de olhar distante e dentes podres.
O jornalista esperava um pum maior ou então que se esgotasse a cadeia dos pequenos.
- Como é que ficou a saber do incêndio? – resolve perguntar à senhora de óculos bifocais e gengivas sem dentes.
- A minha filha telefonou a dizer-me – esclareceu a mulher de olhos fixos na câmara.
- E o que foi que lhe disse a sua filha? - Insiste o repórter, nervoso e expectante.

- MÃE, ANDA CÁ DEPRESSA QU’A FÁBRICA ESTÁ A ARDER!  – brada, monocórdica, a senhora de gengivas rosa e óculos bifocais.

 

O manquejar jornalístico tem, como se lê, tradições que vão perdurando.

O analfabetismo - em todos os seus versículos - também, mas tal se tornará uma outra história.

 

Lembrei-me destes pícaros episódios quando, há cerca de dois dias, cinco canais de televisão acompanhavam em directo um autocarro que transportava jogadores de futebol do hotel para o estádio - e com recurso a drones, não se vá perder o topo do veículo.

Sendo que, agudizando a gravidade do ocorrido, me dizem todos – sobretudo os que o perderam -, o jogo não era significativo, valendo um pechisbeque nas agendas apopléticas dos campeonatos, a transmissão torna-se então a indigência bacoca do jornalismo televiso em todo o seu esplendor.

 

Dir-se-ia de interesse público acompanhar o Sporting no seu trajecto rumo a uma humilhante derrota – Deuses! Os rapagões foram cilindrados por cindo golos! Mesmo para uma leiga como eu, digam o que quiserem, esta quantidade de desastres sofridos num só joguito é sinal evidente e confrangedor de mediocridade. Numa inversão da clássica arena romana, os leões são trucidados e comidos pelos gladiadores.

Dir-se-ia que tem repercussões nacionais observar a saída dos jogadores do Benfica do autocarro do amor, pé ante pé, olhares de soslaio à conta das divas, sobrancelhas cuidadas e depiladas as pernas, não vá o país perder as gravatas timbradas e os passarinhos de raminhos de louro nos biquinhos, ou o chispar charmoso das primeiras entrevistas do Sporting que nos informam que este vai ser um jogo difícil, a equipa adversária é boa, mas vamos lutar pela vitória.    

 

Podemos dizer o que quer que seja, que tudo se consegue mergulhar na plácida superfície da penúria analfabeta - e desonesta - que perdura há várias décadas no jornalismo - português em particular, pois que é dele que se fala.  

 

É evidente que se pode recusar este pindérico - e perigoso - modo de se mostrar o mundo. É evidente que existem abertos outros canais de informação absolutamente dignos.

 

Mas sejamos honestas, minhas queridas, sem esta espécie de estupro televisivo e telegénico, não conseguiríamos avaliar condignamente a envergadura e a potência anímica de atletas como o da imagem – não interessa nada saber quem é, a quem pertence, ou se equipa é unida e vai lutar pela vitória, pois que já sabemos de antemão que sim -, nem seríamos capazes de prometer uma sacrificada ida a Fátima, de rastos, se os rapazes cumprirem dentro do campo o que repetem até à eternidade aos microfones, mesmo não sabendo o que é um almude, ou desconhecendo se o comer quer alho.

 

Curioso! Nunca mais ouvi Mariza! O que será feito do fado?    

 

Na fotografia - Ruben Loftus-Cheek do Chelsea

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A Gaffe dos tronos

rabiscado pela Gaffe, em 02.05.19

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A Gaffe decidiu na sua tarde letárgica não ficar no escuro - ilusões - em relação à série mais disputada e mais referida dos últimos tempos.

Andou de comando na mão, serigaitando enfurecida pelos diversos canais ao seu dispor, de olhos de psicopata descontrolada e muito próxima de ser confundida com uma obsessiva-compulsiva, até encontrar o episódio número três da temporada oito de Games of Thrones, GoT para os amigos.

 

Estancou.

 

Engana-se quem pensa que apanha de uma penada toda a história e que encaixa o argumento sem percalços. A série é negra de tão enredada e deixa-nos à toa se a começarmos pelo fim. Nada que impeça a Gaffe de dormir.

 

Lamenta-se, no entanto, que ninguém se tenha lembrado de aceder uma luzinha. Aquilo é o breu durante mais de uma hora. As silhuetas absolutamente envoltas pelo lume não permitem que as personagens se identifiquem com clareza - como é evidente.

Há, porém, sinais que possibilitam uma diferenciação. As personagens principais usam MA-RA-VI-LHO-SOS casacos de peles. Se vislumbrarmos uma gola gigantesca de pêlo, ou se visualizarmos uma capa de couro encimada por uma fabulosa écharpe de um vison anfetamínico, podemos de imediato concluir que estamos na presença de uma figura importante em toda a trama e de todas as temporadas. O couro também não é de desprezar, pois que é usado por gente muitíssimo corajosa, muitíssimo nervosa, muitíssimo guerreira, quiçá heroica.   

 

A Gaffe deu conta da presença de dragões. Não será de estranhar, tendo em consideração que os outros bichos são o guarda-roupa. Há uns que cospem fogo azul e que são aparentemente maus, e outros que soltam o fogo habitual e que se deixam montar por gente gira e de casaco de peles. Ficou felicíssima. Há imenso tempo que não os revia. O último com quem conviveu dava aulas de matemática no Colégio onde penou esta rapariga e era massacrado por meia dúzia de minorcas muito pouco educados. Sem berço e logicamente sem casacos maravilhosos.

 

A propósito de minorcas, a Gaffe reparou num anão - ai, perdão!, num senhor de estatura extremamente baixa -, que, neste episódio estava, juntamente com uma data de gente pobre - sem agasalhos de peles, portanto -, enfiado num bunker, agachado atrás de uma pedra, ou então de pé - intuiu-se, mas podia perfeitamente estar de joelhos, que a perspetiva não ajudava -  a olhar em frente, muito calado, muito circunspecto, mas muito maneirinho. A Gaffe pensou imediatamente que era um grande nome da série, pois que não fazia muito sentido os grandes planos com que o bafejavam, se o anão – Perdão!, o senhor de estatura extremamente baixa -, não tivesse importância gigantesca, e que estava ali a olhar em frente apenas porque aguardava o desfecho da porrada sem fim que ocorria no exterior.

 

Uma desgraça.

 

A Gaffe nunca em série alguma - nem na Guerra das Estrelas - assistiu a tanta bordoada!

Aquilo eram cabeças pelo ar, espadas cravadas nos rins, flechas a arder rasgando a noite incendiada, corações arrancados à paulada, figurantes esventrados lançados ao ar em chamas, tripas a jorrar pelos olhos, pedaços de corpos no chão empapado em lama, sangue e vísceras e um interminável coro de gritos excruciantes. A Gaffe compreende que fossem obrigados a ressuscitar os mortos, que não há elenco vivo que aguente tamanha chacina.

 

O responsável - segundo parece - aparece por fim.

Imponente, resistente, poderoso, ameaçador e muito sisudo. É um senhor encorpado, com caracóis calcificados e com uma cara de quem já teve melhores dias. Avança sem qualquer impedimento pelo meio dos cadáveres que se levantam, qual lázaros por atacado, de espada em punho, deixando adivinhar que tem um propósito igual à sua determinação. Ficamos a saber que é à prova de fogo, pois que um dragão montado por uma menina vestida de branco, loira platinada, com um penteado que deve ter sido elaborada na primeira temporada da série e pensado para durar, o incendeia sem que o maléfico chamusque o que quer que seja. O maldito mata a fonte de ignição e faz tombar a virgem - parece-lhe, mas a Gaffe só viu este episódio. Aparece um herói todo porco - na série não há chuveiros - que tenta salvar a honra do convento e que é, como seria de esperar, exterminado.

A donzela, que se revela dura de roer, dando conta de uma quantidade significativa de lázaros, chora, tapando o agonizante com o penteado e com as vestes brancas que continuam imaculadas.  

 

A Gaffe é levada então a acompanhar o malévolo que se aproxima de uma personagem que lhe pareceu a Clarinha da Heidi, mas com uma cadeira de rodas mais steampunk. Adivinha-se a importância da figura pela gola do casaco e pela passividade com que enfrenta o perigo. Olha o infinito à espera que a espada do senhor de caracóis calcificados lhe arranque o que ainda mexe, ou seja, a cabeça.

Subitamente, já a arma se erguera, salta do nada uma menina que num golpe complicado espeta um punhal no ventre do malvado que explode e faz desintegrar todo o exército de mortos que, não fosse este pormenor, estariam mais ou menos vivos e a matar completamente aquilo tudo.

O episódio acaba, imediatamente a seguir a uma senhora - suspeita-se que íntima do falecido cornudo - ter largado no chão uma coroa pirosa e se desfazer ao longe, logo ali muito perto da linha do horizonte. 

 

A Gaffe não volta a assistir a debates com os candidatos às eleições europeias.   

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A Gaffe no "Prós e Contras"

rabiscado pela Gaffe, em 16.10.18

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A Gaffe assistiu de rajada ao Prós e Contras que versava o #metoo e estranhou quando ouviu um senhor muito circunspecto e com um ar muito Woodstock - limpinho - a declarar que obrigar uma criança a dar dois beijinhos ao avô e à avó era caminho para a liberalização do assédio sexual.

 

A Gaffe não sabe se é. A liberalização de qualquer assédio - disseram-lhe -, é da responsabilidade daquela coisa dos nervos dos mercados, mas tem de concordar que dar dois beijinhos aos avós é altamente parolo, provinciano e de classe média/baixa.

Toda a gente bem-nascida sabe que se dá apenas um.

 

A Gaffe julga ter vislumbrado Raquel Varela, mas ficou a pensar que talvez tenha sido impressão. Aparentemente a rapariga chegou ao programa de táxi e quando abriram a porta não saiu vivalma.    

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A Gaffe corrupta

rabiscado pela Gaffe, em 17.04.18

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Assisti ontem a um momento precioso do jornalismo de esgoto, made in Portugal.

Pese a verdade, e porque sou imbecil, considero uma experiência única e extraordinária ver José Sócrates gesticular, esbracejar, mostrar os caninos, salivar e cuspir morcegos. Aconselho - mais uma vez, porque sou imbecil -, toda a gente a assistir ao circo onde a fera é espicaçada tendo, antes de tudo o mais, retirado o som ao televisor.

É uma experiência digna de Attenborough, embora extenuante e claramente anti-democrática.  

 

Durante o aborrecido processo de mudar de canal, raspo com a patacoada já audível de um comentador que - não sei se a propósito -, mais uma vez vomitada para nosso encanto e apaziguamento: paga-se demasiado pouco aos políticos e aos governantes e é este o factor principal da não extinção da possibilidade de serem corrompidos.  

   

É delicioso.

 

O contribuinte não paga o suficiente aos seus representantes para que eles não sejam corruptos.

 

Se os corrompesse, pagando o suficiente para retirar à corrupção a possibilidade de lhes fazer uns mimos, a indigitação ou a nomeação - conclui-se que normal - de corruptos não se faria sentir e não existiria colisão com a lisura, a ética, a honestidade, a honra, a Palavra e todas essas manigâncias mais ou menos delineadas e tidas como louváveis - pese embora algumas não tenham definição esclarecedora -, estariam salvaguardadas e o Estado seria liderado por políticos corruptos, mas tornados honestos, pois que servidos de avultados ganhos.   

 

Há que abrir os cordões às bolsas – mas nunca à Bolsa -, para se ser representado pela hibernação, pela anestesia, pela narcotização, pelo coma induzido, da corrupção. Há que corromper, pagando para os que nos representam não sejam corrompidos, antes que outros o façam.

 

É tudo tão sicilianamente  Ford Coppola!

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A Gaffe também desiste

rabiscado pela Gaffe, em 28.02.18

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E pronto!

Foi-se.

 

Depois do Salvador, vem o Janeiro.

Para o ano, aprofundando estas pisadas, a Gaffe aconselha que Portugal se faça representar pelo emplastro a assobiar qualquer coisita simples.

 

O júri - composto por gente tão talentosa - Olá, Luísa! Olá, Sarita! Olá, crítico embrulhado nos anos 60! -  e tão capaz de tornar vencedor um hino da IURD - que como sabemos é um jorrar de música de qualidade insofismável - nem precisa de obedecer aos ditames das editoras discográficas.

ARRASAMOS outra vez.

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Gavetas:

A Gaffe gaseada

rabiscado pela Gaffe, em 28.06.17

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Admito que vi apenas pedaços breves do concerto de ontem, solidário com as vítimas do incêndio de Pedrogão, e que não fiz a chamada de valor acrescentado porque sou uma cabra insensível – é uma explicação que dura menos tempo a fornecer.

 

Tenho de encontrar modo de ajudar de outra forma.

                 

Apanhei com Ana Moura aos saltos e de saltos, com Raquel Tavares esbardalhada e ligeiramente sinistra, com os D.A.M.A. cheios de madeixas, calças rasgadas nos joelhos, óculos brancos de sol e colar com bolinhas gordas, com ar de quem vai vomitar, mas que não quer que se saiba, e com uma comandita de apresentadores e de jornalistas a fazer que o eram, digladiando-se pelo seus canais e pelos pavilhões auditivos de quem se confundia a tentar perceber a que canal pertencia o grito do amarelo Ferrero Rocher de Fátima Lopes.   

 

Não fui grande espectadora, como se prova, mas fiquei feliz por se ter recolhido a quantia anunciada. Sou uma optimista e vou tentar acreditar que suprirá, de alguma forma, parte das necessidades materias provocadas pela tragédia. 

 

Assisti ao final.

 

Ouvi Salvador Sobral, maravilhada como sempre. Não retiro uma palavra ao que disse aqui.

 

Até ficar gelada com a intervenção do herói de Portugal - vamos abster-nos de a reproduzir, visto ser por demais conhecida - que achou ser engraçado, irreverente, descontraído e oportuno, demonstrar que sentia que estava a cantar ao vivo para 14.000 parolos, idiotas, ignorantes, papalvos e pavlovianos que apenas conseguem acarinhá-lo, aplaudi-lo e mimá-lo, enchendo-o de benesses, de carinho e de dinheiro, desconhecendo por completo que está em causa e em palco um génio musical que paira sobre a película de mediocridade dos seus pares. Os parvos. Os burros. Como se atrevem a aclamá-lo só agora, quando ele tinha uma colecção de coisas lindas e boas antes de amar pelos dois?! Grandes cocós!

 

Salvador Sobral tinha já anunciado, embora com mais suavidade e com perdão anunciado, que se considera uma criatura eleita pelos deuses - sobretudo se cantarem Jazz e Bossa Nova - e que despreza o voto de milhares de paspalhos que lhe entregaram a vitória no Eurofestival, valorizando, isso sim, o apoio de Caetano Veloso que, só por acaso e à laia de exemplo, se comporta como Chet Baker. Nenhum destes dois magníficos interpretes tão venerados por Salvador Sobral se atreveu a sonhar gasear o público.

 

Salvador Sobral, naquele instante de humor - o benefício da dúvida nunca fez mal a ninguém - revelou que ao lado da sua voz e das suas interpretações de alta qualidade, tem um pedante malcriado, sentado ao piano com ele, que é capaz de nos fazer ver de repente que no palco actua apenas um cachopo egocêntrico, convencido e mimado, com um belíssima voz apensa.

 

É mais engraçado o Daffy Duck.

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A Gaffe noticía

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.17

Mariana Mortágua, ontem, evitando trincar os microfones, declarou num tom de voz sussurrado para reforçar a ameaça, que o Bloco de Esquerda não vai tolerar uma nova usurpação de fotografias icónicas por parte da Juventude Centrista. Bastou o abjecto uso da foto de Salgueiro Maia sem que o autor desse autorização para se recortar e colorir o militar de Abril, esbardalhando-o num cartaz foleiro.

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 Mariana Mortágua previne que se a Juventude Centrista usar a foto apensa como argumento contra a adopção por casais do mesmo sexo, - que dá nisto, refere Isilda Pegado -, apresenta uma moção de censura ao Governo - que permite o escândalo consubstanciado na exploração de crianças que são transformadas em macacos de voodoo envernizados e disfarçados de pompom de chinelinho num quarto manhoso, apenas para desviar a atenção da ausência de meias nos adultos que as controlam - e por arrasto pede a demissão do presidente da CPCJ que não se apercebeu do evidente. A criança devia - há que entregar o boneco ao pantomineiro da tribo - ter chegado acompanhada por isto:

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Mariana Mortágua, em nota de rodapé, declarou também ser frontalmente contra as calças de apanhar amêijoas que de tão apertadas esmagam as amêijoas de quem as usa, porque dão a curto prazo um esticão ao SNS que se vê obrigado a tratar, mesmo sendo genéricas, imensas pilas comprimidas.

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Terminando a sua intervenção Mariana Mortágua envia uma dura mensagem ao Governo, alertando-a para sangria de talentos que continua sem travão, como ilustra o caso emigrado de Sara Sampaio - que entra em red carpet com um pára-brisas incorporado, muito à frente -, e avisa que o Bloco de Esquerda já sabe, por exemplo, que Madonna só está em Portugal para adoptar o Salvador Sobral.

 

 

Nota da redacção - Não é notícia falsa. São factos alternativos.

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Gavetas:

A Gaffe nos Globos de Ouro

rabiscado pela Gaffe, em 22.05.17

Perdoa-lhes, Senhora! Elas não sabem o que fazem.

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Gavetas:

A Gaffe num futuro composto

rabiscado pela Gaffe, em 26.04.17

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Depois de ter verificado, nos instantes anteriores à piscadela de olho de José Rodrigues dos Santos, se estou compostinha, com um pijama inócuo, de perninhas fechadas e botão apertadito, sem qualquer expressão que permita supor intenções mais marotas e ter confirmado que não estava prostrada no sofá numa pose susceptível de despertar a libido do cavalheiro ou parecer que no fim do telejornal nos encontramos para ardentes trocas de informações de carácter mais manual, deparo-me com uma certeza que me deixa perplexa.

 

A comunicação social vai procedendo à substituição do alegadamente pelo uso do futuro composto, abolindo o presente, o passado, ou mesmo o imperfeito, dos tempos verbais que se esperam numa notícia dada depois de confirmada até à exaustão.

 

A baleia que terá dado à costa e que vemos esbardalhada no areal, poderá não ser a baleia que terá dado à costa, mas poderá dar-se o caso de ser o senhor deputado Carlos Abreu Amorim que terá decidido passar uns dias na praia. O assassino ensanguentado, com a cabeça da vítima debaixo do braço e a reivindicar a autoria do crime como um desalmado do Daesh, poderá ter sido o mesmo que a Patrícia Vanessa terá filmado a esquartejar o cadáver - que terá sido morto antes de ser supostamente cadáver -, alegadamente com o telemóvel, da suposta varanda que terá vista privilegiada para o ocorrido. O senhor com o equipamento que poderá estar em uso na GNR - chama-se especial atenção para o modo como a farda lhe assenta lindamente -, banhado em lágrimas a jurar que o carro esfrangalhado que ali está foi o que se estampou contra um poste - num alegado acidente que poderá ter causado uma vítima supostamente sem gravidade que pode ter sido levada para o Hospital -, poderá ser a Princesa Diana que terá muita experiência nestas ocorrências.  

 

Esta feira de probabilidades entregues ao público que as consome sem apelo nem agravo, este arraial noticioso pejado de incertezas e de hesitações, comprovativo da incompetência - e do medinho do processo em cima -, dos jornalistas que escolhem o balancé do poderá ser assim, mas poderá ser que não, é transversal a toda a comunicação social e faz pairar sobre a cabeça do alegado profissional que oscila desta forma o halo dos inocentes sem compromisso assumido, sem certezas incontestáveis, isentando-o da responsabilidade e da obrigação de se confirmar o que é noticiado, revelando ao mundo que poderá ter estado ali, mas que poderá não ter estado. Nestes casos, é a mesma coisa.

 

Seguindo esta linha de prática jornalística tão em voga, decido ilustrar estes rabiscos com uma imagem que alegadamente não tem nada a ver com o que está escrito. Poderá ter sido por não ter encontrado outra melhor, poderá ser por supostamente ter havido um desencontro com a mais adequada e poderá ser que não, podendo ter sido por considerar que se piscar um olho no final deste fraseado, o que escrevo se torne confirmado.

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A Gaffe "comentadeira"

rabiscado pela Gaffe, em 23.01.17

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Milhares de comentadores saídos dos confins do Inferno, do rabinho do mundo, do lugar onde o demo perdeu as botas e não as foi procurar porque era longe e das esquinas do céu, comentaram a tomada de posse de Trump.

 

A Gaffe depois de ouvir um jornalista a reproduzir o discurso de Trump, logo após o ter ouvido em directo e com tradução simultânea, assistiu ao desfile de toda a espécie de criaturas, desde sociólogos, politólogos, actores e actrizes, declamadores, figurantes dos programas da manhã, eremitas, representantes de partidos políticos, activistas dos direitos dos bichos, donas de casa desesperadas, stripers, maquinistas de pesados, marinheiros, motoristas de ligeiros com reboque, a apresentadora esverdeada dos sorteios dos jogos da Santa Casa, populares colhidos pelo touro do microfone das touradas de serviço e um nunca mais acabar de outras gentes que opinavam sem fim à vista, mar adentro, como se existisse nos clichés repetidos até à exaustão uma migalha de singularidade que se destacasse no aterro de inutilidades que se foi erguendo.

 

Depois de tudo dito e repetido até ao infinito do aborrecimento - e percorreram-se todos os canais, chegando mesmo a passar pela CNN - A Gaffe teve uma epifania.

 

Martim Cabral, jornalista habituado ao ir, que é o melhor remédio, desta vez assentou praça como comentador - já que a senhora da limpeza que ganhou o primeiro prémio com a sua esfregona e balde esquecidos e encostados à parede, atribuído por um júri de críticos de arte que desconhecia o autor da obra de acentuado valor artístico, numa performance do Museu de Arte Moderna em NY, e o curador da exposição de Miró que o expos de cabeça para baixo durante vários meses, estavam ocupados a comentar num canal rival -, e referiu um sinal que estava a passar despercebido a nível mundial.

Não era o desaparecimento do site da Casa Branca, horas depois da tomada de posse, dos separadores que se reportavam aos Direitos Humanos, aos direitos LGBT e do que documentava as alterações climáticas do planeta ou mesmo a assinatura do Despacho que retrai o Obamacare, ou ainda à declaração de David Duke eufórico por saber que finalmente conseguiu.

 Não!

O sinal encriptado que Martim Cabral detecta e para o qual nos alerta, vai muito além da superfície, mergulha na nossa condição de invisuais perante o que de subtil se vai desenrolando, deixando-nos em perplexidade profunda por não haver uma descodificação capaz de nos sossegar, é o que está patente na cor usada pelas filhas de Trump igual a escolhida por Hillary!

Um enigma que consubstancia um aviso subliminado que Martim Cabral - perante o desconforto da moderadora que leva mais de trinta segundos a retomar o fio da meada já todo enredado e a recuperar a compostura - não explica, mas assinala como altamente significativo.

A Gaffe atribui enormíssima importância a este dado, a este sinal referido por Martim Cabral.

As três de branco, provavelmente sinalizando três virgens! Que sabemos nós?!

Esta rapariga siderada aguardou que o jornalista desvendasse tão suspeita e enigmática coincidência, mas o mistério adensou-se e permanece para ser desconstruído pela história.

 

A Gaffe dobra o seu estado de intricada dúvida quando Martim Cabral deixa escapar Melania sem nos fazer notar que a nervosíssima primeira-dama, essa mais dos que as três virgens, é também portadora de uma enviesada mensagem de Trump que não quer deixar escapar o modo como traça os destinos das mulheres. Melania Trump usa luvas de cozinha, sinal - evidentemente subliminar - de que é no meio dos tachos ou a limpar sanitas que uma mulher deve cumprir o seu fado.   

 

Não sabemos como Martim Cabral se absteve de tocar neste pormenor de repercussões tão freudianas, desconhecemos também se Martim Cabral reparou no look total azul-cueca da primeira-dama que induz um sub-reptício convite a saltar para esta tonalidade de cor, mas reconhecemos que para comentar uma cerimónia destas, mais vale um jornalista imbecil do que uma multidão de rústicos arrancados à toa e onde se consegue, a fingir que têm e que são imprescindíveis as opiniões que debitam num loop infinito.

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A Gaffe "arrebentada"

rabiscado pela Gaffe, em 27.07.16

read.gifA comunicação social - sobretudo a televisiva - tem sido um manancial de petardos jornaleiros e de atentados à língua portuguesa. Um conjunto jornalístico de meninos e de meninas que parecem saídos da geração que protagonizou a primeira edição de Morangos com Açúcar, correndo desenfreado, com batido dos ditos na gramática, de microfone em punho, à procura do nós fazemos a notícia.  

 

Ouço uma esgazeada moça aos gritos a perguntar sucessivamente a uma mulher que se manifesta nas ruas, se aquela é a primeira vez que participa nesta manifestação. Vejo outra a empolar as coisas com um sonoro arrebentou um petardo na avenida. Pasmo quando o Presidente entrou dentro do carro e saiu. Fico sem saber se Marcelo saiu para fora do carro porque se esqueceu da pochete ou se foi o carro que saiu para fora do palácio com o presidente que entrou lá dentro. Há alguns que conseguem ter uma certeza absoluta, outros que dão conta do acabamento final e ainda os que se estreiam pela primeira vez, embora já tenham viajado pelos países do mundo há muitos anos atrás, mas que comparecem pessoalmente no evento, encarando de frente o pequeno pormenor que é a climatologia geográfica.

 

Já não falo dos mais velhos sacrefícios que temos de fazer para desculpar o treuze e a pessoa humana de Miguel Sousa Tavares; já não falo dos resumos totós depois de termos ouvido todo o paleio debitado; já não falo das pormenorizadas descrições do que estamos a ver - agora o presidente entrou para dentro da sala, a tentar que ninguém perceba que traz uma ventoinha no rabo, e dirige-se neste momento ao palanque  com muitos papéis na mão; já não falo do escândalo que é ouvir e ver sem reagir um encadeamento noticioso que faz seguir à reportagem que esmiúça, até nausear, qualquer tragédia - com uma banda sonora de filme de 5ª categoria, - o apontamento que refere com glamour a visita de Angelina Jolie aos pobrezinhos ou nos mostra o rabo do príncipe Harry ou o chapéu da duquesa de York; já não falo dos atletas que venceram medalhas e nem quero saber da presidenta do FMI.  

 

Já não falo disto.

 

Desligo ou arrebento.

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A Gaffe questiona

rabiscado pela Gaffe, em 09.05.16

"E se fosse consigo?"

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Imagem - Caravaggio

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A Gaffe no terapeuta

rabiscado pela Gaffe, em 07.01.16

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Vi Terapia, a nova série da RTP1 e tenho de admitir que fiquei surpreendida.

Com uma excelente direcção de actores, bons textos, bela fotografia e cenário convincente, os episódios mostram-nos a personagem de Vergílio Castelo a rivalizar - e a ganhar - a Júlio Machado Vaz, não só porque não traz apenso o relaxamento cansativo dos anos 60, colada irreversivelmente à pele e a pose deste psiquiatra, mas também porque se limita a ser o incitador subtil de revelações ou reconhecimentos, evitando um certo exibicionismo maçador que caracteriza o profissional que se lhe assemelha vagamente. Virgílio Castelo está perfeito. Apetece trocar o professor Machado Vaz por este psicoterapeuta.

As consultas a que assistimos permitem que entremos no mistério que é sempre o covil destes senhores, transformando-nos em pequenos voyeurs despudorados, escondidos pela cortina do ecrã, a assistir aos quase monólogos das personagens que vão desfiando os seus pesadelos escondidos, tombando nas armadilhas das perguntas breves e concisas do terapeuta e nas suas próprias.  

No elenco conta-se Nuno Lopes. Uma garantia de absoluta qualidade. Um actor magnífico que constrói de modo exemplar um homem escondido em trincheiras sociais. Catarina Rebelo, a agarrar na perfeição uma adolescente imprevista e suicida e mesmo Soraia Chaves vai perdendo ao longo da derrocada das suas palavras os tiques de diva que a perseguem em todos os papéis que desempenha, acabando por se tornar convincente.

É curiosa a forma como está planeada, pois possibilita a escolha da personagem que queremos seguir, já que sabemos em que dia é que ela está sentada no sofá.

Terapia é uma série a seguir com toda a atenção. Tem todos os ingredientes para se tornar um vício.

 

É sempre um fascínio poder assistir ao desnudar das almas, mesmo daquelas que não passam de papel.  

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A Gaffe relembra

rabiscado pela Gaffe, em 17.03.15

Não esqueçam!

Hoje, pelas 00.30h, na RTP2, Gabriela Moita no seu Elogio da Paixão conversa com o meu queridíssimo Miguel, o único homem capaz de controlar e domar o incêndio de caracóis que trago na cabeça. Ao lado estará Nuno Baltazar que, apesar de tudo, não deixa de ser um bom menino.

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Gavetas:

A Gaffe do principezinho

rabiscado pela Gaffe, em 19.02.15


ruben-cortada-cubano-el-principe-telecinco-9.jpgA RTP2 substituiu a magnífica série Borgen por El Príncipe.

Não possuindo a inteligência da primeira, a actual, para além de acção, Marrocos, Ceuta, terroristas, traficantes, tiros, marginais, corrupção e cores torradas, tem no seu elenco um dos mais inacreditáveis homens que Deus e Alá abençoaram com uma beleza de nos matar asfixiadas com própria baba.

Meninas! Rubén Cortada é um animal único! Absolutamente perfeito!

A Gaffe mal o vislumbra, deixa de ouvir castelhano porque passa a ouvir sininhos, esquece o argumento, os tiros, a trama, o colorido e o cenário um bocadinho forçado e fica especada de queixo caído, completamente esbardalhada perante a beleza brutal deste rapaz.

Podemos defender-nos afirmando que não faz o nosso género, mas a verdade é que Rubén Cortada faz-nos tudo o que quiser.  

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